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Frota aeroagrícola do Brasil soma 2.866 aeronaves

Relatório referente a 2025 aponta para aumento de 5,25% no total de aviões agrícolas em relação a 2024

Publicado em: 23/04/26, 
às 05:00, 
por IBRAVAG

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A frota aeroagrícola brasileira segue em crescimento, somando 2.866 aviões em 31 de dezembro de 2025, isto é, 5,25% a mais que em 2024. O número, que inclui o Pelican, aeronave não tripulada lançada pela Pyka, confirma a importância estratégica da ferramenta para o agronegócio brasileiro. “A expectativa para 2026 é que o setor cresça, no mínimo, 4,16%, que é a média dos últimos anos”, projeta o pesquisador e economista, doutor em Administração, Cláudio Júnior Oliveira Gomes, diretor operacional do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag).

Para o autor da Análise da Frota Aeroagrícola Brasileira de Aviões e Helicópteros 2025, o crescimento do setor é motivado pela expansão do agronegócio, que no ano passado teve uma expansão de 11,7%, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora o cenário seja desafiador, tanto em termos de Brasil quanto de mercado externo, o pesquisador aponta que conflitos dos Estados Unidos com vários países abrem oportunidades para o Brasil.

Cita como exemplo a escalada militar entre Estados Unidos/Israel e Irã, que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, impedindo o escoamento de pelo menos 20% da produção mundial de petróleo. Diante da ameaça de um possível desabastecimento e da pressão sobre o preço do diesel, conta o pesquisador, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) já alertou para a importância de avançar na produção de biodiesel. “A sugestão é aumentar a quantidade de cultivos direcionados à produção do biocombustível”, reforça Cláudio Júnior.

SÉRIE HISTÓRICA

A série histórica mostra que o crescimento não é recente. Em 2009, o Brasil possuía 1.498 aeronaves agrícolas. Mesmo diante de crises econômicas, instabilidade política e dos impactos da pandemia de Covid-19, o setor manteve expansão gradual. A aceleração mais significativa ocorreu a partir de 2022, acompanhando o fortalecimento do agronegócio e a ampliação da demanda por aplicações aéreas em grandes áreas de cultivo.

Outro indicador que reflete o crescimento do setor aeroagrícola são os drones. Cláudio Júnior adianta que o número de aeronaves não tripuladas de uso agrícola é superior a dez mil registradas na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), somente em 2025. O dado faz parte do levantamento prévio iniciado pelo pesquisador e que ainda está em fase de elaboração.

ANÁLISE
Cláudio Oliveira, responsável pelo levantamento da frota 2025, aponta que o setor cresce acompanhando a evolução do agro, que segue em expansão apesar do cenário desafiador.
Foto: Laura Cappellaro

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Estudo revela transformações estruturais do setor

PROFISSIONALIZAÇÃO
Diretor-executivo do Sindag/Ibravag, Gabriel Colle, destaca que estudo aponta para a consolidação do serviço especializado.
Foto: Graziele Dietrich/C5 NewsPress

O estudo sobre a frota aeroagrícola brasileira foi lançado oficialmente durante a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, na Estação Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão (RS). Conforme o diretor-executivo do Sindag e do Instituto Brasileiro da Aviação Agrícola (Ibravag), Gabriel Colle, que apresentou a análise, os dados vão além do crescimento numérico. “Revelam transformações estruturais no setor, como o avanço da profissionalização das operações, a consolidação dos serviços especializados e a modernização gradual da frota”, destacou.

O texto do pesquisador e economista doutor em Administração Cláudio Oliveira Gomes, diretor operacional do Sindag, destaca que, atualmente, cerca de 62,9% das aeronaves estão vinculadas aos Serviços Aéreos Especializados (SAE), empresas que prestam serviços a produtores rurais. Já aproximadamente 35,7% pertencem a operadores privados (TPP), categoria que engloba agricultores que operam seus próprios aviões em suas fazendas, sem atendimento a terceiros.

Entre 2023 e 2025, houve migração líquida de 119 aeronaves do modelo privado para o sistema de prestação de serviços. O movimento é interpretado como sinal de profissionalização, ganho de escala e adaptação às exigências regulatórias crescentes pelos operadores comerciais.

O estudo mostra ainda que o Brasil mantém a posição de segunda maior potência mundial da aviação agrícola – os Estados Unidos lideram o segmento, com cerca de 3,6 mil aeronaves em operação. Além disso, o País se consolida como principal mercado internacional de aeronaves agrícolas, conforme relatório recente da General Aviation Manufacturers Association (GAMA).

Thrush entende que momento é de cautela

LEVANTAMENTO
Aeronaves Thrush representam 2,8% da frota aeroagrícola do Brasil, com 80 unidades registradas na Anac.
Foto: Divulgação

Em um momento de maior cautela no agronegócio, a Thrush reforça seu posicionamento ao lado do produtor rural brasileiro, acompanhando de perto as necessidades operacionais e financeiras do setor. Segundo o diretor comercial da operação no Brasil, Sérgio Lásaro, o foco da empresa neste momento não está em volume de vendas, mas em garantir que o produtor tenha as melhores condições para operar com eficiência, segurança e previsibilidade.

“Entendemos o cenário atual e estamos trabalhando de forma próxima aos clientes, buscando alternativas que viabilizem o investimento com responsabilidade. Nosso objetivo é garantir que cada operação tenha ganho real de produtividade e redução de risco na lavoura”, destaca.

A empresa também avalia, caso a caso, condições mais flexíveis de negociação, respeitando o momento de cada operador e contribuindo para um planejamento mais seguro ao longo de 2026.

Representantes da Air Tractor apontam para retração nas vendas

Do ponto de vista tecnológico, a frota apresenta equilíbrio entre indústria nacional e importada: 51% das aeronaves são produzidas no Brasil e 49% são importadas. A Embraer mantém liderança histórica, sustentada principalmente por modelos movidos a etanol — tecnologia que transformou o Brasil em referência internacional no segmento. Paralelamente, cresce a presença de aeronaves turboélice estrangeiras, especialmente da norte-americana Air Tractor, impulsionadas por maior capacidade de carga e eficiência operacional.

Apesar do avanço estrutural, o cenário de curto prazo mostra desaceleração. Neste ano, representantes da Air Tractor apontam para uma retração nas vendas de aeronaves no Brasil. “A combinação de juros elevados e queda nos preços das commodities tem deixado os compradores mais cautelosos”, afirma o gerente comercial da AeroGlobo Aeronaves, Rodrigo Alves de Oliveira.

A fala encontra coro junto aos dirigentes das demais representantes da fabricante com sede em Olney (Texas/EUA) – a AgSur Brasil e a DP Aviação. Todos estavam com o volume de encomendas inferior ao contratado em 2025 até a metade deste mês de março.

INCERTEZAS
Diretor comercial da DP Aviação, Rodrigo Almansa, coloca na conta da falta de fomento para a agricultura a redução no volume de unidades comercializadas
em 2026.
Foto: Divulgação

PROJEÇÃO

A AeroGlobo registrou um desempenho expressivo no último ano, com a entrega de 32 aeronaves no Brasil. Para este ano, das 28 unidades encomendadas para o Mercosul, 24 serão destinadas ao mercado brasileiro, reforçando a relevância do País no segmento.

O principal destaque segue sendo o modelo AT-502B, que se mantém como o carro-chefe da linha, liderando o ranking de aeronaves Air Tractor em operação no Brasil, com uma frota de 372 unidades, conforme apontado na Análise da Frota Aeroagrícola Brasileira de Aviões e Helicópteros 2025.

De acordo com Oliveira, o portfólio de entregas previsto para este ano também inclui os modelos AT-402, XP e AT-802, atendendo tanto produtores rurais quanto empresas prestadoras de serviços aeroagrícolas.

INVESTIMENTO

ESTIMATIVA
Embora as vendas ainda não tenham fechado, diretor da AgSur Brasil, Thiago Silva, conta que deve entregar menos aeronaves neste ano

O diretor da AgSur Brasil, Thiago Silva, destaca que a revenda, junto com a AgSur Aviones, reservou 33 unidades junto à Air Tractor para atender o Mercosul. Desse total, 20 estão destinadas ao Brasil. Isto é: sete aviões a menos em relação a 2025.

No entanto, as vendas do ano ainda estão em andamento. De acordo com Silva, os prestadores de serviços e produtores rurais estão apreensivos diante das incertezas geradas pelo cenário político-econômico global. “Nossos clientes estão analisando com cautela seus investimentos”, comenta o gestor da AgSur Brasil, lembrando que ainda estão em fase de negociação das aeronaves 2026.

ENTREGAS

PANORAMA
Diretor comercial da AeroGlobo Aeronaves, Rodrigo Alves de Oliveira, aponta cenário político-econômico como responsável pela redução nas vendas.
Foto: Divulgação

A DP Aviação também enfrenta os mesmos problemas da AeroGlobo e da AgSur Brasil. O diretor comercial da representante da Air Tractor, Rodrigo Almansa, confirma uma queda em relação ao ano passado em torno de 50%.

Almansa coloca a retração do mercado de comercialização de aviões agrícolas na conta da falta de fomento para a agricultura. “O Rio Grande do Sul quebrou. O agricultor está endividado, não consegue financiamento, juros altíssimos e imposto atrás de imposto”, desabafa o gestor.

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