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Alexandre Velho assume Irga com foco no resgate da sustentabilidade financeira do arroz

Produtor rural foi empossado presidente do Instituto em meio a uma das maiores crises do setor 

Publicado em: 20/05/26, 
às 19:00, 
por IBRAVAG

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O Rio Grande do Sul é o maior produtor de arroz do Brasil, responsável por cerca de 70% da produção nacional. E uma das principais entidades que representa o setor está com novo presidente. Alexandre Velho assumiu o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) em fevereiro.
 
Com grande experiência como produtor rural, mais de 40 anos dedicados à atividade, o novo dirigente também está acostumado com as questões burocráticas que os cargos de liderança envolvem. Além de presidente da Associação de Arrozeiros de Mostardas de 2012 a 2016, foi vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), de 2016 a 2019. Depois, assumiu a presidência da Federarroz até 2025. Ainda, integra o Conselho do Senar e os conselhos da Embrapa Clima Temperado (Pelotas) e o da Embrapa Arroz e Feijão (Goiânia).
 
Velho assume o Irga em um momento que o mercado do arroz enfrenta uma série de desafios, como o endividamento e necessidade de renegociação de dívidas oriundas de secas e enchentes dos últimos anos, com a consequente diminuição da área plantada. Somam-se a isso, o alto custo de produção, bem como a concorrência forte com arroz produzido pelos países vizinhos, com destaque para o Paraguai, que aumenta os estoques de passagem e, consequentemente, abaixa o preço do arroz nacional. Por outro lado, há a possibilidade de transformar arroz em biocombustível. Algo que vem seduzindo os produtores de soja, canola e trigo tanto para o etanol como para o biodiesel.
 
Para falar sobre o momento atual do setor orizícola, e suas aspirações à frente da entidade, a Revista da Aviação Agrícola entrevistou, com exclusividade, o novo presidente do Irga, Alexandre Velho. Os principais trechos dessa conversa estão disponíveis abaixo.
 
Com a colheita do arroz indo para o final, como o senhor avalia essa safra?

A safra 2025\2026 está terminando com bons números em termos de produtividade e principalmente uma colheita com qualidade. Um produto com qualidade superior ao ano passado, ou seja, nós temos uma safra normal com um produto de excelente qualidade este ano.
 
Os produtores estão avançando na questão do rodízio de culturas? O senhor mesmo está plantando soja há 12 anos. Isso faz parte da diversificação da sua lavoura para compensar preços?

A rotação de culturas é fundamental para que se tenha uma melhoria das condições de fertilidade de solo e, consequentemente, o produtor possa melhorar a produtividade. E assim, poder então enfrentar um dos principais problemas da lavoura de arroz que é o alto custo de produção.
 
Tendo em vista que a orizicultura é extremamente dependente da aviação agrícola, com a redução de áreas, os operadores aeroagrícolas queixam-se que reduziram a área voada neste ano, trabalhando com margens muito baixas, enquanto o custo de operação cresce. Como o senhor avalia essa questão?

Infelizmente, tivemos que diminuir a área plantada para regrar um pouco a oferta de arroz no mercado e melhorar os preços. Isso também se deve a uma racionalização das áreas, ou seja, plantar somente em áreas mais produtivas para que se tenha altas produtividades.
 
Há alguma perspectiva de a área de arroz voltar a crescer no Rio Grande do Sul?

O mercado normalizando, em patamares que pelo menos se pague o custo de produção, que hoje fica na faixa de 80 reais em média, e com a abertura de novos mercados, ou seja, mais demanda por arroz, nós temos condições sim de ampliar a área plantada, que já esteve na faixa de praticamente 1 milhão e 200 mil hectares no Rio Grande do Sul alguns anos atrás.
 
O Irga considera viável a produção de etanol de arroz no Rio Grande do Sul?

A questão do uso do arroz para o etanol é importante para termos mais uma alternativa para o uso do arroz. Já existem variedades específicas hoje no mercado, mas o Irga também tem interesse em desenvolver cultivares para o uso do etanol e auxiliar, digamos assim, para que o produtor tenha estas alternativas. Salientando que qualquer arroz serve para o uso do etanol. A única diferença é que variedades específicas têm um rendimento maior.
 
O setor tem conversado com os gestores das usinas de etanol de trigo de Passo Fundo que deve começar a operar no final do ano e com a de Santiago, que já está em operação, pois ambas têm a possibilidade de usar o arroz como matéria-prima, podendo assim ampliar o mercado do arroz? Como está essa discussão?

O setor tem conversado com as usinas de etanol e também com empresas da área de biorefinarias que têm projetos e podem usar o arroz como fonte para produzir combustível.
 
Dados da Aprosoja Brasil revelam o crescimento de pedidos de recuperação judicial no campo. O mesmo ocorre nas lavouras de arroz?

A questão da recuperação judicial é um tema complexo que envolve muitos riscos para o produtor rural, aumenta as exigências por parte dos bancos e normalmente os produtores têm uma dificuldade muito grande neste sentido. Penso que não é o melhor caminho.
 
Para o setor também é fundamental a aprovação da PL 5122 – que autoriza a renegociação e securitização de dívidas de crédito rural para produtores afetados por secas e enchentes – até o final deste primeiro semestre?

O PL 5122, que autoriza a renegociação e securitização, é fundamental para nos auxiliar, principalmente os produtores da região central do Rio Grande do Sul, que tiveram graves problemas, primeiro com seca e depois com enchente. Temos que ter algo diferente do manual do crédito rural, para poder então manter estas famílias produzindo.
 
O senhor atuou como presidente da Federarroz de 2019 a 2025. Como  foi essa entrada no Irga?

O meu trabalho como presidente da Federarroz foi muito importante para ter um conhecimento maior sobre o setor arrozeiro. Certamente essa bagagem que eu trago, não só como produtor de arroz, há mais de 40 anos, mas como dirigente da entidade ao longo de nove anos me trouxe a condição de poder continuar contribuindo com o setor com o apoio de várias entidades do Rio Grande do Sul, como a Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) e a Federarroz.
 
Qual o caminho do arroz no Rio Grande do Sul e Brasil?

O Rio Grande do Sul vai continuar sendo protagonista na produção nacional de arroz, pelas características de clima, topografia e também pela grande disponibilidade de água.
 
A cooperação entre Mercosul e União Europeia pode trazer benefícios para o arroz gaúcho?

O acordo Mercosul e União Europeia pode ser uma alternativa importante no mercado externo. Nós temos que ficar atentos às oportunidades e focar muito na questão da exportação, que traz sempre uma referência de preços importantes para o mercado interno.
 
Qual o legado que o senhor deseja deixar à frente deste Instituto?

Espero, durante o meu mandato à frente do Irga, contribuir de forma efetiva para este setor tão importante da economia gaúcha e levar à frente projetos que possam trazer sustentabilidade econômica ao setor arrozeiro. Tenho orgulho de ser produtor rural e poder estar à frente de um instituto tão importante como o Irga.

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