AUTORES
Márcio Luiz Moura Santos
Engenheiro Agrônomo, Pesquisador, AgroEfetiva, Sinop/MT, Brasil. marcio@agroefetiva.com.br
Fernando Kassis Carvalho
Engenheiro Agrônomo, Pesquisador, AgroEfetiva, Botucatu/SP, Brasil
Gabriel Pastor de Barros Lima
Engenheiro Agrônomo (a), AgroEfetiva, Sinop/MT, Brasil
João Paulo de Amorim Oliveira
Engenheiro Agrícola, AgroEfetiva, Sinop/MT
Ulisses Rocha Antuniassi
Engenheiro Agrícola, AgroEfetiva, Sinop/MT
RodolFo G. Chechetto
Engenheiro Agrônomo, Pesquisador, AgroEfetiva, Botucatu/SP, Brasil
Alisson A. B. Mota
Engenheiro Agrônomo, Pesquisador, AgroEfetiva, Botucatu/SP, Brasil
Clerison Regis Perini
Pesquisador, Proteplan, Sorriso/MT
Patrick Luiz Grusler
Pesquisador, Proteplan, Sorriso/MT
A eficácia da aplicação está ligada diretamente à tecnologia de aplicação adequada, condições meteorológicas e respeito às boas práticas agrícolas (Antuniassi, 2009). A escolha correta do volume de calda e classe de gotas são estratégias que visam contribuir para a qualidade da aplicação, seja ela terrestre ou aérea. Para obter uma boa cobertura e deposição do alvo leva-se em consideração o tipo e característica do defensivo utilizado (CUNHA et al., 2010).
Em aplicações de inseticidas de contato e ingestão, classes de gotas finas apresentam melhores eficiências de depósito e cobertura nas plantas. Nesse sentido, ainda há questionamentos sobre a diferença entre a qualidade e a eficácia entre aplicações com drones e por via terrestre. O presente estudo teve como objetivo avaliar a cobertura, deposição e eficácia de aplicação de inseticida na cultura da soja comparando aplicação aérea e terrestre. As aplicações foram realizadas na estação experimental da Proteplan, em Sorriso-MT, com a cultivar BMX Desafio RR, em estádio fenológico R6. As plantas estavam com espaçamento de 50 cm entre linhas. Foram avaliados três tratamentos com aplicação de inseticida, variando o tipo de equipamento (drone ou pulverizador terrestre) e a taxa de aplicação conforme descrito na Tabela 1.

O inseticida utilizado possuía ação por contato. Para a quantificação da deposição e cobertura, adicionou-se corante marcador à calda na concentração de 6 g L-1. As condições meteorológicas foram monitoradas. A coleta de dados foi feita com coletores distribuídos nos estratos superiores das plantas, posicionados vertical e horizontalmente. A deposição foi avaliada por meio da lavagem dos coletores e posterior leitura em espectrofotômetro, utilizando curva padrão de absorbância. A cobertura foi analisada digitalmente com scanner de alta resolução (2.400 dpi) e processada com o software ImageJ, expressa em percentual de área coberta.
O delineamento experimental foi em blocos ao acaso, com análises de variância para os dados de cobertura e deposição, seguido do teste de Tukey (p≤0,05) para comparação de médias. O controle fitossanitário foi avaliado pela densidade de lagartas utilizando o método do pano-de-batida em dois pontos por parcela, totalizando 1,0 m2. As coletas ocorreram antes e aos 4, 7, 10 e 13 dias após a aplicação (DAA), com análise estatística pelo teste de Scott-Knott (p≤0,05).
Durante as aplicações, foram observadas temperaturas entre 24,2° e 26°C, umidade relativa entre 85 e 91% e velocidade do vento entre 3,0 e 5,0 km h-1. Os resultados permitiram comparar a eficiência dos métodos de aplicação quanto à deposição, cobertura e controle de pragas, contribuindo para a escolha mais eficiente de estratégias de manejo fitossanitário na cultura da soja.

Os resultados de cobertura estão descritos na Figura 1. A aplicação do inseticida com pulverizador terrestre com volume de calda de 100 L ha-1 apresentou maiores percentuais de cobertura no estrato superior da cultura. Esses resultados foram estatisticamente superiores à aplicação com drones nas taxas de aplicação de 10 e 20 L ha-1 com espectro de gotas finas. Esses resultados estão alinhados com Courshee (1967), onde há maior cobertura na medida em que aumenta o volume de calda. O aumento da taxa de aplicação acarreta uma maior distribuição do produto, ou seja, maior cobertura do produto nos alvos (CUNHA 2006; ANTUNIASSI e BOLLER, 2011).
Já os resultados de deposição estão apresentados com os valores dos percentuais de recuperação de cada tratamento, isto é, a quantidade real de produto que foi depositado no alvo comparado a dose teórica.

Dessa forma, é possível comparar a deposição do defensivo agrícola, uma vez que a dose do produto avaliado nessa pesquisa foi a mesma para todos os tratamentos. O inseticida quando aplicado por drone, com classe de gotas finas, no volume de calda de 20 L ha-1 (Tratamento 2), apresentou maiores percentuais de deposição comparado ao volume de calda de 10 L ha1 (Tratamento 1) e modalidade terrestre a 100 L ha-1 (Tratamento 3). Embora os tratamentos aplicados via drones tinham menores taxas de aplicação (10 e 20 L ha-1) a concentração do produto fitossanitário nessas taxas é maior e a mesma quantidade de ingrediente ativo é almejada independente da modalidade de aplicação. Assim, a aplicação na taxa de 10 L ha-1 apresentou nível de depósito satisfatório, semelhante às aplicações terrestres. Esse resultado também refletiu na porcentagem de controle da praga (Figura 3), sendo a maior média para o tratamento T2- Gota fina – 20 L ha-1 com percentuais de 62% de controle. Estatisticamente, a aplicação a 20 L ha-1 apresentou maior eficiência de controle quando comparada à aplicação terrestre a 100 L ha-1. Esses resultados também reforçam a forma como devem ser feitas as análises comparativas entre os métodos de aplicações, bem como possíveis limitações metodológicas para análises de aplicações a baixos volumes.

Portanto, apesar da aplicação aérea obter menores índices de cobertura, devido ao volume de calda menor, a deposição foi semelhante ou até melhor do que a aplicação terrestre de inseticida na cultura da soja, no qual foi refletido nos índices de controle da praga na cultura da soja.
Referências bibliográficas
ANTUNIASSI, U. R. Conceitos básicos da tecnologia de aplicação de defensivos na cultura da soja. Boletim de Pesquisa de Soja 2009, Rondonópolis, n.13, p. 299-315, 2009.
ANTUNIASSI. U.R.; BOLLER, W. Tecnologia de aplicação de fungicidas. In: ANTUNIASSI, U.R.; BOLLER, W. Tecnologia de aplicação para culturas anuais. Passo Fundo: Aldeia Norte; Botucatu: FEPAF, 2011. p. 221-229.
COURSHEE, R. J. Application and use of foliar fungicides. In: Agricultural and Industrial Applications Environmental Interactions. Academic Press, 1967. p. 239-286.
CUNHA, J. P. A. R. D., & Peres, T. C. M. (2010). Influência de pontas de pulverização e adjuvante no controle químico da ferrugem asiática da soja. Acta Scientiarum. Agronomy, 32, 597-602.
CUNHA, J.P.A.R.; REIS E.F.; SANTOS R.O. Controle químico da ferrugem asiática da soja em função de ponta de pulverização e de volume de calda. Ciência Rural, Santa Maria, v. 36, n. 5, p. 1360-1366, 2006.






