Presidente do Ibravag
O Brasil atravessa mais um momento decisivo da sua história política e econômica, em meio a um ciclo eleitoral polarizado que intensifica debates sobre prioridades nacionais. Nesse contexto, o agronegócio — um dos pilares da economia brasileira — volta ao centro das discussões pelo seu papel estruturante no desenvolvimento regional e na estabilidade social do País.
O cenário desafiador vivido pelo agronegócio brasileiro já impacta diretamente toda a cadeia produtiva, incluindo a aviação agrícola. Estimativas apontam para uma retração próxima de 25% nas operações de aplicação aérea em nível nacional — um indicador preocupante que revela a desaceleração do setor. No Rio Grande do Sul, essa realidade é ainda mais severa, especialmente entre os produtores de arroz, onde a crise se mostra alarmante. Após sucessivas safras frustradas, impactadas por estiagens severas e, mais recentemente, enchentes devastadoras, o cenário é crítico para os produtores e para a economia do Estado como um todo.
A cultura do arroz, símbolo da identidade produtiva gaúcha e essencial para a segurança alimentar do País, é um dos exemplos mais evidentes dessa crise. A safra 2025/2026 encontrou o produtor rural gaúcho descapitalizado, endividado e pressionado por custos elevados. Soma-se a isso o alto estoque de passagem, a restrição de crédito e a queda no preço do arroz que, em muitos casos, já se encontra abaixo do custo de produção. Diante desse cenário, produtores reduziram investimentos no manejo das lavouras, mesmo cientes dos impactos diretos na produtividade. Mais do que isso, foram lamentavelmente incentivados por entidades do setor a diminuir a área plantada, em uma tentativa frustrada de ajuste de mercado.
O efeito é imediato e profundo: menos área cultivada significa menos área tratada e, consequentemente, menor demanda por operações aeroagrícolas, impactando empresas, pilotos, técnicos e toda a estrutura que sustenta nosso segmento. O impacto é ainda mais sensível em um Estado que concentra a segunda maior frota aeroagrícola do País e que carrega a origem histórica dessa atividade no Brasil. Quando o campo recua, toda a cadeia produtiva sente, do transporte ao comércio, do emprego à arrecadação municipal.
Entendemos a preocupação com o equilíbrio de mercado, mas é preciso avançar em soluções estruturantes. Reduzir área não pode ser a resposta. Há oportunidades claras a serem exploradas: a rotação de culturas, a diversificação produtiva e a abertura de novos mercados para o arroz, como sua inserção na cadeia de etanol de grãos, representam caminhos concretos para reativar o setor. O exemplo do trigo, que vem ganhando espaço como matéria-prima para etanol, demonstra que é possível transformar vocações produtivas em novas fronteiras econômicas.
O Rio Grande do Sul, por exemplo, tem tradição, técnica e vocação consolidada na produção de arroz. É hora de resgatar esse protagonismo com uma nova dinâmica de mercado, que estimule a produção, ocupe áreas e fortaleça toda a cadeia produtiva. Manter o campo ativo é essencial não apenas para o produtor, mas para a economia regional, especialmente na metade Sul do Estado, altamente dependente do agronegócio. E o alerta não serve apenas para a economia gaúcha, mas para todo o Brasil.
Nesse contexto, é imprescindível também uma atuação mais firme e propositiva das entidades representativas, das instituições ligadas ao setor, mas também dos empresários e produtores. Ou seja, a cadeia do agronegócio como um todo precisa agir e ser protagonista. O momento exige coragem, liderança, inovação e compromisso com soluções práticas, seja por meio de políticas públicas, incentivos fiscais e financeiros ou apoio à adoção de tecnologias que aumentem a eficiência no campo. A omissão ou a atuação tímida apenas agrava o distanciamento entre discurso e realidade.
A aviação agrícola, por sua vez, segue sendo uma aliada estratégica da produtividade e da sustentabilidade. Não se trata de custo, mas de investimento. Em um ambiente adverso, sua eficiência operacional pode ser determinante para reduzir perdas, otimizar insumos e garantir competitividade ao produtor.
Defender a aviação agrícola é defender o futuro do agronegócio. E defender o agronegócio é, acima de tudo, garantir desenvolvimento, segurança alimentar e equilíbrio econômico para o Brasil.






