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Segurança e eficiência contra o preconceito

Combatida por ignorância ou ideologia, a aviação agrícola brasileira segue como uma das ferramentas mais tecnológicas e precisas em campo

Publicado em: 13/07/21, 
às 16:33
, por IBRAVAG

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Uma senhora que representa a paixão de quem convive com seu dia a dia, está presente na vida de quase todo mundo e da qual alguns falam mal por não a conhecer. Ou a conhecem e falam mal mesmo assim por uma questão ideológica. Em todo o caso, ela é extremamente transparente em tudo o que faz. Assim é a aviação agrícola que, do alto de seus quase 74 anos de Brasil e 100 anos no mundo (ambos a se completarem em agosto), ainda sofre o preconceito de um discurso político onde os pequenos produtores precisam estar contra os grandes e vice-versa. E onde quanto mais ataque e menos diálogo, melhor. Cenário no qual todos saem perdendo, uma vez que se desvirtua o (necessário) debate sobre segurança e sustentabilidade na agricultura.

O preconceito contra o uso da aviação na lavoura pode ser medido também em projetos de leis contra o setor – alguns tramitando, outros arquivados depois de um diálogo esclarecedor (algumas vezes, um simples raciocínio de lógica). E outros ainda, infelizmente, aprovados em Câmaras de Vereadores no interior do País, demonstrando que a realidade sem a aviação no campo é de mais insegurança e menos eficiência. Caso do Ceará (veja na página 17), único Estado que proibiu a ferramenta, depois de uma manobra na última votação antes do Natal de 2018. Cuja principal consequência foi o aumento do número de pulverizações nas lavouras e expondo diretamente mais pessoas.

O fato é que, desde os anos 1960, a aviação é a única ferramenta para o trato de lavouras com regulamentação específica (veja na página 14). O que também exige que quase todos os que trabalham no setor sejam especialistas em suas funções – desde o piloto até o pessoal de apoio em solo. Neste ponto, a vanguarda do setor aeroagrícola em segurança fica clara também pelos dados do próprio Censo Agropecuário de 2017, no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

TECNOLOGIA: Com mais de 70 anos de trabalhos prestados ao País, ironicamente a aviação agrícola sofre por ser pouco conhecida enquanto é altamente transparente
Foto: Graziele Dietrich/C5 NewsPress

ESTATÍSTICAS

Conforme o estudo, 15,6% dos produtores que utilizavam agrotóxicos naquele ano não sabiam ler e escrever e, destes, 89% declararam não ter recebido qualquer tipo de orientação técnica. Além disso, dos produtores alfabetizados que utilizavam agrotóxicos, 69,6% possuíam no máximo o ensino fundamental e, entre eles, apenas 30,6% declararam ter recebido orientação técnica a respeito da aplicação do produto.

Para completar, o preconceito contra a aviação é nocivo ao próprio debate sobre segurança no campo. Isso à medida que ataca apenas a ferramenta que é vista. O grau desse disparate fica claro nos números do Censo Agro de 2006, do IBGE (tabela 1.2.11 – veja no QR code). No comparativo entre as ferramentas usadas para aplicação de insumos, a aviação fica bem atrás dos outros equipamentos – o estudo de 2017 ainda não foi esmiuçado a este ponto.

Segundo o levantamento, na época, 973. 438 estabelecimentos no País tiveram aplicações com pulverizadores costais, enquanto em 379. 470 propriedades, o trato de lavouras foi com equipamentos de tração animal ou mecânica. Outros 74.585 estabelecimentos rurais tiveram aplicações com pulverizadores estacionários. Já a aviação foi utilizada em apenas 10.043 propriedades. Ou seja, a discussão que envolve mitos, desinformação e preconceito na verdade não é sobre ferramentas (todas, afinal, são necessárias). A questão envolve capacitação, boas prática e racionalidade.

Confirma as tabelas do Censo IBGE de 2006: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/51/agro_2006.pdf

FATOS

O Brasil tem a segunda maior frota e uma das melhores aviações agrícolas do planeta. Além do trato de lavouras com defensivos químicos ou biológicos, os cerca de 2,4 mil aviões agrícolas existentes no País (segundo a Anac) também fazem trabalho de semeadura (principalmente campos e pastagens) e aplicação de fertilizantes. Além disso, a ferramenta é cada vez mais utilizada no combate a incêndios florestais.

Os mesmos produtos aplicados por avião são aplicados também por terra, só que a aviação é o ÚNICO meio de pulverização com legislação específica e fiscalizado por pelo menos cinco órgãos (Ministério da Agricultura, ANAC, IBAMA, secretarias estaduais de meio ambiente e prefeituras, sem contar Ministério Público, CREA e outras instituições).

Entre suas várias obrigações, as empresas aeroagrícolas precisam ter na equipe um engenheiro agrônomo e, em cada operação em campo, um técnico agrícola com especialização em operações aeroagrícolas. Ainda conta com um funcionário responsável pelo Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional da empresa (SGSO, que obriga todos a seguirem o plano de segurança da operadora). Isso tudo, aliado ao piloto altamente qualificado (ele tem que ser primeiro piloto comercial e completar 370 horas de voo para conseguir se matricular em um curso de piloto agrícola).

Além disso, atualmente 100% da aviação agrícola é equipada com sistema DGPS, que funciona mais ou menos como o GPS dos carros, só que muito mais rápido e preciso. Essa tecnologia chegou ao Brasil nos anos 90 e atualmente o equipamento funciona como um verdadeiro computador de bordo, orientando o piloto e registrando a operação.

Para CADA operação aeroagrícola é feito um relatório com informações dos profissionais, produto, condições meteorológicas, mapa do DGPS do avião com a localização da área aplicada e como foi cada sobrevoo, entre outros dados. Esses relatórios têm seu resumo enviado mensalmente ao Ministério da Agricultura e os documentos originais ficam na empresa, por no mínimo dois anos (veja mais na página 42).

Outra exigência que vale exclusivamente para a aviação é a necessidade de pátio de descontaminação na base de operações. Trata-se de uma estrutura, onde as aeronaves são lavadas e eventuais resíduos de produtos vão para um sistema de tratamento com ozônio, para quebrar o princípio ativo das moléculas nocivas.

As aplicações feitas pela aviação sofrem deriva

A deriva (quando a nuvem do produto se desloca para fora da faixa de aplicação) pode ocorrer tanto na aplicação aérea quanto na terrestre (mesmo pulverizadores costais), quando não são observadas as condições meteorológicas ideais (umidade relativa do ar, vento e temperatura) e a regulagem dos equipamentos. Ou seja, depende dos cuidados na hora da aplicação e não da ferramenta. Isso foi inclusive tema de uma pesquisa de campo ocorrida em 2017, em Goiás, em uma parceria entre o Sindicato Rural de Rio Verde, Universidade de Rio Verde, Instituto Federal Campus Rio Verde, Sindag e outras entidades.

IMPORTANTE: Uma prova do quão equivocada é a visão de que a deriva é algo inerente apenas ao avião são os dados da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) divulgados em 2013. Em seu site, o órgão menciona que entre 2009 e 2012 investigou 88 casos de deriva, dos quais 47 geraram processos. A maioria relativa a pulverizações terrestres.

https://www.adapar.pr.gov.br/Noticia/Fiscalizacao-para-coibir-deriva-de-agrotoxicos

Para completar, em junho de 2019, a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) divulgou uma Nota Técnica destacando a segurança e a importância da aviação agrícola no trato de lavouras no Brasil. O documento se baseia nos resultados de quatro anos de pesquisas sobre pulverizações aéreas, entre 2013 e 2017, em parceria com o Sindag – o maior estudo até hoje feito no País sobre tratamento de lavouras.

Em torno de 70% a 99% (o percentual varia, mas é sempre exagerado) dos produtos aplicados por aviões não atingem o alvo

Esse é um mito bastante repetido contra o setor, embora não sobreviva a um exercício simples de lógica. Além da segurança já mencionada, vale lembrar que os insumos representam boa parte (quando não a maior parte) do custo das lavouras. Daí, é óbvio que nenhum agricultor aceitaria simplesmente jogar fora mais de dois terços do produto comprado para proteger sua plantação. Se essa perda fosse verdade, a aviação agrícola já teria sido extinta pelo próprio mercado (não completaria 74 anos de Brasil e 100 anos no mundo). Ainda mais considerando que há produtos que custam algumas centenas de reais o litro, conforme o site da Companhia Nacional de Abastecimento. (Conab). Veja: https://consultaweb.conab.gov.br/consultas/consultaInsumo.do?method=acaoCarregarConsulta

Mitos

A aviação é responsável pela contaminação de alimentos

De novo: os mesmos defensivos aplicados por avião são usados também em aplicações terrestres e a contaminação se dá basicamente pelo seu mau uso (há dosagens, métodos e momentos certos para cada aplicação). O próprio relatório do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), da Anvisa, na verdade aponta como principais “vilões” justamente produtos que não são tratados por aviões.
Aliás, o último relatório do PARA, divulgado em 25 de novembro de 2016, referente a pesquisas feitas entre 2013 e 2015, com mais de 12 mil amostras de alimentos em 27 Estados, mostrou que as lavouras da lista atendidas em grande escala pela aviação agrícola (arroz, milho, trigo e banana) aparecem com zero por cento de contaminação.
Veja: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/agrotoxicos/programa-de-analise-de-residuos-em-alimentos

Há um uso indiscriminado da aviação

Não há como isso ocorrer. Trata-se de uma ferramenta complexa de operar e altamente regulada. Além de extremamente visível (ninguém consegue esconder um avião em uma lavoura). Além de todo o cenário que mencionamos acima. O próprio Ibravag e o Sindag entendem que uma fiscalização efetiva e constante é importante para todos os meios de aplicação e para o desenvolvimento sustentável de todo o setor primário.

Tanto que ambos investem recursos e energia em ações para difundir as boas práticas entre seus públicos, ao mesmo tempo em que buscam proximidade com órgãos reguladores e parcerias com outras entidades do setor produtivo. Tudo focado em conquistar o respeito e a confiança da sociedade.

Desmascarando o mito da grande perda

ANTUNIASSI: Busca em sanduíche de citações acadêmicas chegou a um trabalho que nem era de pesquisa.
Foto: Graziele Dietrich/C5 NewsPress

“Quando eu escrevi esse texto, há alguns anos, a gente nem tinha tanto foco como se tem hoje sobre essa questão de fake news e sobre conteúdo com viés político.” A fala do professor Ulisses Rocha Antuniassi é sobre um artigo feito por ele em setembro de 2013 (veja no QR Code), depois de rastrear a origem de um dos mitos mais repetidos contra a aviação agrícola: de que a ferramenta aérea perde até mais de 90% do produto aplicado (percentual que varia conforme quem o repete). O argumento, que baseia desde manifestações de políticos até artigos (acadêmicos ou não) contra a pulverização aérea, é na verdade um sanduíche de citações de citações sem preocupação com a fonte original – ou mesmo com a veracidade.

O gatilho da investigação de Antuniassi foi uma notícia publicada em um jornal paranaense. “O texto dizia que 99% do produto aplicado por aviação agrícola caía no ambiente e se tornava contaminação e, por isso, eles recomendavam sua proibição.” A busca começou por um trabalho acadêmico, citado como fonte na notícia. Antuniassi acessou os dados da pesquisa via Plataforma Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e foi atrás de sua íntegra.

O professor achou o trabalho citado, que mencionava ainda uma outra fonte para o dado – também encontrada por Antuniassi. “Era um trabalho de Química Analítica e o termo ‘aviação agrícola’, não aparecia em lugar nenhum.” Antuniassi constatou que essa pesquisa precedente ainda não era a fonte original da informação (ali ela também havia apenas sido citada) e localizou a referência, indo atrás do texto mais antigo. Resultado: outra citação de uma citação mais antiga.

Depois de fazer todo o caminho de volta na sequência de pesquisas, ele chegou à fonte original: um artigo de opinião de 1986, falando sobre aplicação de produtos químicos em geral (sequer mencionando a ferramenta aérea). “Não tinha nada a ver com aviação agrícola e nem se tratava de pesquisa.”

SÍMBOLO
Dá para dizer, então, que a aviação acaba pagando o preço por ser a ferramenta que mais aparece em campo, no trato de lavouras? Antuniassi explica que a aviação, na verdade, passou a ser atacada como símbolo. “Movimentos que travam essa batalha com o agronegócio, questionando o uso do tratamento fitossanitário por via química, utilizam a figura do avião como uma bandeira ou como um ícone.” Só que, ao longo do tempo essa “colagem” ganhou força em uma representação de grandes produtores contra pequenos produtores. “Certamente, se filtrados todos esses aspectos políticos, ideológicos e econômicos, a gente não teria uma fração dos questionamentos em cima da aviação agrícola que a gente tem hoje.”

Confira a íntegra do artigo de Ulisses Antunassi: https://sindag.org.br/colunas_sindag/desconstruindo-mitos-na-aplicacao-aerea-de-defensivos/

Contrassenso em proibição no Ceará

WORKSHOP: Colle (centro) e Drescher (primeiro à esquerda) estiveram na Faec em 2017 para apresentar a segurança aeroagrícola a lideranças do agro, políticos e autoridades do Estado

O mito da grande perda de produtos nas aplicações aéreas acabou sendo a base do então Projeto de Lei 18/15, da Assembleia Legislativa do Ceará. A proposta acabou passando em plenário em dezembro de 2018, em uma pauta em bloco – colocada junto com vários projetos que precisavam ser definidos no último dia antes do recesso parlamentar. Antes dessa manobra, o PL 18/15 vinha sendo tema de debates envolvendo a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), com a participação do Sindag. As duas entidades chegaram a promover um workshop, em outubro de 2017, para desmistificar a ferramenta aérea (veja no QR code).

O evento teve a participação do diretor executivo do Sindag, Gabriel Colle, e do consultor Marcelo Drescher, que esmiuçaram aos participantes desde as tecnologias embarcadas até a legislação que garantia a segurança das operações aeroagrícolas. Isso para um público de parlamentares e de representantes das secretarias estaduais de Meio Ambiente (Sema) e da Agricultura, Pesca e Aquicultura (Seapa), além de membros da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri).

O PL 18/15, do deputado Renato Roseno (Psol), ainda mirava na aviação com estatísticas gerais sobre o consumo de agrotóxicos e classes toxicológicas. Citando a gestão de recursos hídricos – que deveria privilegiar a água para a produção interna, especialmente da agricultura familiar. Deixando claro o alvo na produção para exportação e ignorado que a aviação agrícola usa 10 vezes menos água que os meios terrestres em suas operações.

Além disso, um manifesto redigido no workshop na Faec já alertava que a alternativa ao avião nas grandes plantações de banana seria um grande número de trabalhadores a pé, fazendo as pulverizações de baixo para cima. Para combater a sigatoka amarela, que ataca as folhas novas no alto da bananeira, comprometendo daí toda a planta.

EXPOSIÇÃO

Segundo o produtor Edson Brock, que atua há 18 anos no Estado, com a proibição da aviação, as aplicações de fungicidas – que antes ocorriam duas vezes ao ano – agora se repetem 10 a 12 vezes no mesmo período. Além disso, o volume de calda (princípio ativo mais água) a cada aplicação pulou de 25 litros para entre 250 e 400 litros por hectare. Com incremento também no pessoal em campo: na aviação, eram apenas três (piloto, auxiliar e técnico) e ninguém na lavoura. Agora, todo pessoal atua dentro da aplicação, embora também totalmente equipado com equipamentos de proteção individual (EPIs).

Com 300 hectares produzindo bananas da variedade Cavendish para exportação, Brock lamenta o Estado não ter nem negociado uma solução alternativa. “Se (a aviação) fosse uma coisa má, ruim para o meio ambiente, eu até concordaria (com a proibição).” Conforme o produtor, mesmo um novo protocolo para aplicação seria extremamente viável. “Afinal, eram duas aplicações por ano. Mas o Estado e a Assembleia decidiram pela proibição. Nem regulamentaram, nem tornaram mais difícil e nem se criou mais mecanismos de controle.”

http://faec.org.br/novo/agropacto-promove-workshop-sobre-aviacao-civil-e-lanca-documento-publico-de-apoio-agropacto-promove-workshop-sobre-aviacao-civil-e-lanca-documento-publico-de-apoio/

Não existe tecnologia ideal se usada de forma incorreta

ARAÚJO: foco na profissionalização dos produtores para uso seguro de defensivos

O líder da Área de Educação e Boas Práticas da CropLife Brasil, Roberto Araújo, ressalta que o principal desafio da agricultura moderna está na capacitação profissional dos agricultores e dos aplicadores de defensivos agrícolas, sejam eles produtos químicos ou produtos biológicos. “Não existe tecnologia ideal se ela for usada de forma incorreta”, destaca. Realidade que é sublinhada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Censo Agropecuário 2017. O estudo revelou que 80% dos produtores rurais não têm acesso à assistência técnica. “Estão excluídos de um processo educativo de informação.”

Segundo Araújo, dados da CropLife revelam ainda que 60% dos produtores têm mais que 45 anos de idade e, desses, quase 80% não foram além do Ensino Fundamental. No caso dos aplicadores, apenas 25% passaram por algum treinamento formal. Os outros 75% aprenderam a aplicar os produtos com base na prática. “Alguém da família que ensinou, ou foi um vizinho, alguém que trouxe essa experiência.” Diante disso, a própria indústria está indo atrás dessas pessoas. “A educação profissionalizante é algo em que a gente deve investir bastante nesta década”, completa Araújo.

O executivo destaca que o esforço de qualificação abrange parcerias com autoridades e toda a cadeia produtiva do agro. “A gente quer trabalhar de forma inclusiva, levando informação, tecnologia para que as pessoas usem os produtos de forma correta.” Processo em que a aviação agrícola é vista como uma grande aliada. “Justamente pelo compromisso que as empresas de aviação agrícola têm na qualificação profissional, na evolução tecnológica, no uso de equipamentos de agricultura digital, de agricultura de precisão. Então a gente acha que esse é um caminho para trabalharmos pela intensificação sustentável da agricultura brasileira.”

RÉGUA MAIS ALTA

Araújo destaca também que, por outro lado, o próprio mercado subiu a régua nas exigências de práticas sustentáveis. O que é visto como positivo pelo setor. “O agronegócio já é regido por parâmetros sociais, ambientais e de governança, resumidos na sigla ESG (Environmental, Social and Governance). Isso se traduz não apenas em maior eficiência econômica, mas também no combate ao desperdício, além de minimizar o risco sobre a saúde e segurança das pessoas. Melhorando a qualidade de vida e conservando o meio ambiente.”

Sobre a imagem do agro, Araújo lembra que a sociedade vive atualmente uma guerra de comunicação em vários temas. “Nesse cenário, o principal desafio é esclarecer sobre a evolução tecnológica da agricultura ao longo das décadas e sobre a segurança dos alimentos. Afinal, a gente vê que a expectativa de vida das pessoas vem aumentando ao longo das décadas. Mas, mesmo assim, a gente vê que as pessoas muitas vezes têm medo em relação ao alimento que estão consumindo. E um dado interessante é que, em toda a história, a sociedade nunca consumiu alimentos com tanta qualidade, com tanta oferta, com tanta diversidade, preços mais baixos e com a segurança que se tem hoje.”

Parceria EMBRAPA/SINDAG: Segurança no trabalho aeroagrícola

CRUVINEL: as pessoas podem não ser neutras, mas a ciência tem a obrigação de dar respostas verdadeiras, fundamentadas
Castor Becker Júnior/C5 NewsPress

A importância da aviação agrícola como ferramenta eficiente e segura para o trato de lavouras foi enfatizada em 2019, em uma nota técnica conjunta entre o Sindag e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O documento foi resultado de uma parceria entre as duas entidades que, entre 2013 e 2017, mobilizou operadores aeroagrícolas e seis centros de pesquisa da Embrapa, além de 10 universidades parceiras e empresas de tecnologia. O projeto Desenvolvimento da Aplicação Aérea de Agrotóxicos como Estratégia de Controle de Pragas Agrícolas de Interesse Nacional (Redagro) resultou em um alerta para a necessidade de um debate livre de preconceitos para se estabelecer no País uma política de segurança alimentar e energética. O convênio entre o Sindag e a Embrapa foi renovado em fevereiro, prevendo ações até 2025.

Conforme o coordenador da Redagro, Paulo Estevão Cruvinel, a iniciativa representa um marco importante na qualificação e articulação entre os setores produtivo e de pesquisa. “A Redagro focou muito no contexto de tecnologia de aplicação, mas buscando uma conectividade com o fator biológico do processo de controle. Então, não é só uma questão de colocar o produto no alvo – que é a tecnologia de aplicação, mas garantir determinado grau de eficiência. O que leva em conta também a arquitetura das plantas”, ressalta Cruvinel.

NOVA FASE

O coordenador destaca que o projeto derrubou mitos, como o de que não há controle para a deriva na aviação agrícola. “Em todo o processo real você tem algum risco associado. Mas você pode minimizar esse risco.” Como fatores mitigantes do risco, ele cita desde o uso do DGPS até a qualificação dos bicos de aplicação, passando pelo cuidado com as condições climáticas.

Para a segunda fase dos estudos – que envolverá oito centros de pesquisa da Embrapa, o foco será desenvolver e validar tecnologias dentro do ambiente de agricultura 4.0. Na prática, abrangendo ajustes em tempo real. Com foco na minimização do risco de deriva e eficiência de cobertura no dossel das plantas, além do controle de pragas específicas do arroz, algodão, milho e soja, e técnicas e tecnologias dos equipamentos embarcados para aplicações aéreas (por aeronaves ou drones).

Cruvinel explica que a Redagro tem como propósito trabalhar com a chamada verdade científica. “A verdade científica é baseada em métodos científicos. A ciência em si é neutra. As pessoas podem não ser neutras, é um direito de cada um. Mas a ciência tem a obrigação de dar respostas verdadeiras, fundamentadas.”

Confira a íntegra da Nota Técnica Embrapa/Sindag: http://www.sindag.org.br/wp-content/uploads/2021/02/Contribuicoes-para-requisitos-em-operacoes-aeroagricolas-2019-assinada.pdf

Mais produtividade e sem retrabalho

BORTOLI: vencedor do Desafio de Máxima Produtividade de Soja em 2019, afirma que o avião permite ser mais efetivo

“Na propriedade rural hoje, uma aplicação aérea, se bem-feita e nas condições ambientais ideais, tem um sucesso superior ou tão igual a uma aplicação terrestre. O risco de deriva é igual para todos.” A fala do engenheiro agrônomo e produtor rural gaúcho Maurício de Bortoli vem em resposta ao questionamento sobre o mito de que a aviação agrícola perde sempre a maior parte do produto. Resposta, aliás, respaldada pelo currículo de especialista em sementes de alta performance e pelo prêmio de vencedor do 11º Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, em 2019. Na época, ele atingiu a produtividade de 123,88 sacas por hectare – quando a média nacional na safra 2020/21, segundo a Embrapa, é de 58,61 sacas.

“Tem muita opinião no setor agrícola, onde informações infundadas, não testadas são lançadas para a sociedade ou para a mídia e são replicadas. É preciso haver mais seriedade na informação”, completa. “Para que não ocorra a deriva, a gente tem vários recursos na aeronave, no avião agrícola, ele possui diversas regulagens. Então, quando temperatura, umidade e condição de vento são respeitadas, esse risco de deriva acaba caindo drasticamente.”

O uso da ferramenta aérea reduz a probabilidade de retrabalho? “Com certeza. Desde que eu adotei o uso do avião agrícola como ferramenta de aplicação de defensivos agrícolas, nunca mais necessitei reaplicar sequer um talhão em minha fazenda. O avião me permite ser muito mais efetivo, e até de certa forma cirúrgico em meus manejos, pois ele não conhece o ‘atraso’ frente ao seu concorrente terrestre, que possui diversas limitações operacionais (piso). Contudo, ambos são ferramentas necessárias em uma propriedade rural, o que nos permite aumentar e muito nossa eficácia de manejo quando as dominamos técnica e operacionalmente.”

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