O agronegócio brasileiro, seja na atividade agrícola ou pecuária, é reconhecido como grande produtor de alimentos e também como um dos mais eficientes. É um dos maiores cultivadores globais de grãos, como soja e milho, e está entre os líderes na exportação de carnes. Devido as diversas inovações ocorridas ao longo dos anos, sendo a agricultura de precisão e o contínuo melhoramento genético (de plantas e animais) exemplos recentes e notáveis. Se produz mais por hectare, o que reforça meu argumento inicial do Brasil ser protagonista.
Ao analisar a produtividade de soja, por exemplo, passamos de aproximadamente 45 (safra 2008/09) para mais de 60 (safra 2025/26) sacas por hectare (CONAB, 2026) – um aumento de quase 30%. Apesar do ganho produtivo, que se assemelha em outras culturas, o lucro do produtor rural se manteve o mesmo, e em períodos de eventos climáticos extremos (principalmente períodos de chuva e secas prolongadas) e de baixa nos preços, reduziu.
O aumento nos gastos na produção é o principal responsável para que, mesmo com aumento na produtividade, o lucro líquido se mantenha aquém. Uma estratégia que vem sendo utilizada em diversas propriedades rurais, na busca de diminuir um gasto fixo é a terceirização dos maquinários e implementos.
No momento que o produtor adquire um bem, seja ele um pequeno implemento ou uma colheitadeira de milhões de reais, ao longo do tempo, seja por obsolência tecnológica ou por uso, há a perda de valor por meio da depreciação. Além disso, ao comprar um bem financiando, ao longo do tempo as parcelas precisam ser pagas (amortizadas). Esses dois gastos, embora a depreciação seja muitas vezes negligenciada como custo de produção, afetam de forma direta o resultado financeiro.
É nesse contexto que a terceirização emerge como estratégia. A terceirização de etapas e serviços retrai os custos fixos ao transformar despesas estruturais e imobilizadas em custos variáveis ou previsíveis por hectare, eliminando a necessidade de grandes investimentos iniciais. Além disso, diminui a necessidade de funcionários, reduzindo custos com encargos de mão de obra permanente. Se a propriedade optar pela terceirização de maquinários, ainda terá redução em gastos com infraestrutura. Nesse sentido, dado que não possui maquinários, galpões podem ser dimensionados em menor escala.
Contudo, o risco da terceirização baseia-se na falta de autonomia em relação a perda da janela ideal para a realização do serviço, seja durante o plantio, os tratos culturais ou o período de colheita. Mesmo assim, não deixa de ser uma estratégia que deve ficar no radar. E ainda, a propriedade não precisa optar por terceirizar todas as suas etapas produtivas. Cada caso é um caso! Antes de tomar uma decisão… Planejamento!
Referências
Companhia Nacional do Abastecimento (CONAB). Séries Históricas. 2026






