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Preço elevado dos insumos pede gestão eficiente das lavouras

Atributos da aviação agrícola, como agilidade e precisão, aparecem como diferenciais neste ano agrícola que tem como característica o alto custo de produção

Publicado em: 11/10/22, 
às 12:16
, por IBRAVAG

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O ano agrícola 2022/2023 começa trazendo a expectativa de uma boa safra para o agronegócio brasileiro e, consequentemente, para a aviação agrícola. Com as margens mais apertadas diante do alto preço dos insumos, especialmente dos fertilizantes – que foram adquiridos a preços muito superiores aos praticados na safra anterior – e a desordem climática (com presença da La Niña neste início de ciclo) vão exigir que o produtor rural faça as contas e aposte na gestão eficiente do seu negócio. O mesmo tema de casa está sendo feito pelos operadores aeroagrícolas.

O setor espera ampliar a área voada diante da necessidade do produtor aumentar a produtividade por hectare para diluir os custos da produção. “O agricultor precisa trabalhar com ferramentas mais tecnológicas para fazer um uso mais eficiente desses insumos e aproveitá-los melhor”, pontua o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Thiago Magalhães Silva. Contexto em que a aviação agrícola é uma parceira importante, ainda mais quando o boletim Perspectivas para a Agropecuária Safra 2022/23, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em agosto, estima uma colheita de 308 milhões de toneladas de grãos.

A safra recorde, conforme o boletim da Conab, é impulsionada pelo bom resultado dos mercados de milho, soja, arroz e algodão, culturas que têm na aviação agrícola uma forte aliada. A equação fica mais atrativa para os operadores com a previsão do aumento da área plantada. Os números da Conab apontam para um aumento de 3, 4% na lavoura de soja, passando de 40,9 milhões de hectare a 42, 4 milhões de hectares. Também está previsto ampliação da área da lavoura do milho e do algodão.

Para o presidente do Sindag, a expectativa de crescimento da produtividade no Brasil já está refletindo na aviação agrícola, com “fechamento de novos contratos, compras de mais aeronaves e de equipamentos”. Tudo isso para o setor estar preparado para uma safra, também, com recorde de horas voadas.

APLICAÇÕES METICULOSAS

O assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA Brasil), Lucas Martins, destacou a importância da aviação agrícola diante de um cenário de custo de produção elevado. “É necessário que as aplicações sejam feitas meticulosamente, evitando o desperdício de calda e a sobreposição de áreas pulverizadas na lavoura, e essa é apenas uma das várias vantagens de se utilizar a pulverização aérea por meio da aviação agrícola”, assinalou Martins.

Os drones também ganham espaço na visão do assessor técnico da CNA Brasil, principalmente, em áreas de menor escala. Um mercado em expansão, inclusive o uso das aeronaves remotamente pilotadas (ARP), para aplicação de agrotóxicos e afins, adjuvantes, fertilizantes, inoculantes, corretivos e sementes, está regulamentado pela Portaria 298/2021 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Alguns insumos chegaram a aumentar 170% em relação a 2021

Para se ter uma ideia do quanto significa esse custo de produção alto, segundo dados do Projeto Campo Futuro, do Sistema CNA/SENAR, no caso dos fertilizantes, comparando maio de 2021 e maio de 2022, algumas matérias-primas chegaram a atingir valores 170% mais altos, como ocorreu com o Cloreto de Potássio (KCl). A Ureia registrou alta de 97% e o Fosfato Monoamônico (MAP), de 77%.

O mesmo estudo aponta que os defensivos também ficaram mais caros. Por exemplo, os herbicidas, como o 2, 4 D e o Glifosato, estão em falta em diversas regiões do Brasil. “Onde há produto, os preços chegam a ser cotados quase o dobro do último ano”, comenta o assessor técnico do CNA Brasil, Lucas Martins. Embora saiba que cada propriedade tem o seu planejamento específico e adquira seus produtos em quantidades e datas diferentes, reforça que todos pagaram a mais do que na safra anterior.

Falando especificamente de soja, a CNA Brasil projeta um aumento de custo de 47% na safra 2022/2023 em relação a 2021/2022, que já tinha tido um recorde de custos de produção. Aumento liderado pelos fertilizantes, que deverão ser responsáveis por mais de 30% do custo operacional efetivo da cultura. “Soma-se ainda a contribuição expressiva dos defensivos químicos, que participam entre 25% e 30% dos custos de produção e terão acréscimo na ordem de 42%, sendo liderados pela categoria dos herbicidas com altas que devem superar 130%”, pontua Martins.

Ajuda de São Pedro é imprescindível para confirmar previsão de safra recorde

Mas não são só os insumos que preocupam os produtores. Para as projeções otimistas da Conab em relação à safra 2022/2023 se confirmarem, São Pedro precisa regular as chuvas. De acordo com o agrometeorologista Marco Antonio dos Santos, as chuvas vão se consolidar de fato a partir da segunda quinzena de outubro. “O calendário deve atrasar um pouquinho esse ano, mas quando começar a chover dificilmente haverá problemas de seca”, prevê o sócio-fundador da Clima Rural.

Embora o La Niña, conforme a previsão do Departamento de Meteorologia dos Estados Unidos (NOOA, sigla em inglês), siga até o início do verão, em dezembro, o agrometeorologista acredita que o fenômeno será atenuado por outros fatores climáticos e não deverá chegar a prejudicar as lavouras como ocorreu no ano agrícola 2021/2022.

Fotos Divulgação/Clima Rural
SANTOS: safra começa sob o efeito da La Niña

Durante o ciclo 2021/2022, a estiagem na região Sul provocou uma quebra na produção da soja. Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e parte do Mato Grosso do Sul tiveram sua colheita marcada pela escassez de chuva e altas temperaturas. No 12º Levantamento do Acompanhamento da Safra Brasileira – Grãos Safra 2021/2022, realizado pela Conab, a produção de soja brasileira estimada é de 125,6 milhões de toneladas. Número que representa uma redução de 9,9% em relação à safra anterior (2020/2021).

Neste novo ciclo, Santos acredita que talvez o milho seja um pouco afetado pela ausência de chuvas no Sul do Brasil entre novembro e dezembro. Por outro lado, as chuvas vão ser fortes no Norte do Brasil. Momento que a aviação agrícola poderá ser mais demandada. “Como tem previsão de chuvas frequentes entre novembro e dezembro, a tendência é que a janela de aplicação fique menor”, pondera o agrometeorologista. É nesses intervalos menores de tempo bom que a aplicação aérea poderá fazer a diferença devido à sua agilidade. “A pulverização terrestre talvez não dê conta”, avalia.

Produtividade alta é essencial para o produtor fechar a conta

Margens apertadas, custo de produção alto, economia global menos aquecida. Um cenário preocupante, mas que produtores e analistas econômicos acreditam que será superado com volume de produção. O mestre e doutor em Economia pela Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV EESP), o professor Felipe Cauê Serigati, coordenador do Mestrado Profissional em Agronegócio (MPAgro) da FGV EESP e pesquisador do Centro de Agronegócios da FGV Agro, comunga dessa ideia.

Maior produtividade por hectare torna-se essencial, ainda mais que, desta vez, o produtor não terá o dólar como válvula de escape. A taxa de câmbio tem apresentado um comportamento diferente no Brasil. “Enquanto outras moedas emergentes têm perdido valor frente ao dólar, o nosso real tem apresentado resiliência”, aponta Serigati. Um sinal da saúde da economia brasileira, comparada a de outros países emergentes.

Então o que esperar deste novo ciclo 2022/2023? Os insumos para a produção chegaram no Brasil. Em abril, havia a preocupação se os produtores brasileiros conseguiriam fertilizantes para tocar a lavoura. A boa notícia é que conseguiram comprar quase tudo que precisavam, só que a um custo bastante elevado. Somado a isso, em termos macroeconômicos, o Brasil vai operar a próxima safra com um mundo em recessão. O presidente do Federal Reserv (o Banco Central dos Estados Unidos), Jerome Powel, já alertou para a possibilidade de uma recessão para conter a inflação, que chegou à casa dos 8,5% no acumulado de 12 meses em julho deste ano, informação do Índice de Preço ao Consumidor (Consumer Price Index – CPI). A China também está com a economia desacelerando.

TURBULÊNCIA

Em resumo, os principais blocos, ou economias, ou regiões, estão passando por uma série de ajustes contundentes. Estados Unidos tentando segurar a sua inflação com uma possibilidade de recessão; Europa com uma crise energética bem complicada e China com uma crise no seu setor imobiliário. E o agronegócio brasileiro como fica? Para Serigati, “se conseguirmos colher uma boa safra, o cenário é bom. Estamos olhando para importantes compradores e importantes fornecedores de produtos agropecuários passando por algumas turbulências.”

CENÁRIO MUNDIAL: Serigati alerta que safra 2022/2023 será operada com o principais países e blocos em recessão

O professor lembra que para o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) o importante é atravessar a safra 2022/2023, mantendo os estoques pelo menos nos níveis em que estão, mesmo baixos. Para isso, projeta para o Brasil uma safra de soja de 149 milhões de toneladas (no ciclo 2021/2022 chega a 125,5 milhões de toneladas). Para o milho, a expectativa vai a 126 milhões de toneladas (colheita em 2021/2022 é de 113,2 milhões de toneladas). Os dados entre parênteses referem-se ao levantamento da Conab, que estima uma produção ainda maior de soja: 150,36 milhões de toneladas. A expectativa da Companhia para o milho é de 125,5 milhões de toneladas.

Para se conseguir esses recordes de produção, tudo precisa dar certo. E algumas boas notícias chegam nesse cenário não muito animador. Algumas regiões vão conseguir iniciar o plantio com variedades precoces e, consequentemente, antecipar o plantio da segunda safra. Havendo espaço para replantio se algo der errado.

PREÇOS ACOMODADOS

Quanto aos preços, Serigati observa que as commodities em dólar estão acomodadas em patamares inferiores, quando se compara o segundo semestre com o primeiro semestre. “A soja ir a 14 cents o quilo não é um valor baixo em termos históricos, mas se comparado com o primeiro semestre, quando o quilo chegou a 17 cents teve uma queda. E não descarta a possibilidade que esses preços fiquem pressionados e subam mais. “Imagina se esse grande produtor da América do Sul (referindo-se ao Brasil) tiver problemas na sua safra, onde o mundo vai buscar grãos?”, questiona o professor.

Mesmo assim, considera razoável que esses preços estejam operando em patamares inferiores que os do primeiro semestre. O Centro-Oeste brasileiro conseguiu colher uma boa safra de verão. Tanto que a soja ocupou quase toda a capacidade de armazenagem. Depois houve a colheita da safrinha, e o produtor não teve onde guardar o milho. Os compradores ficaram só esperando o preço ceder para fechar contrato. “E o mercado funciona, e o preço desceu. Do mesmo modo, há espaço para esse preço aumentar quando esse desequilíbrio for resolvido”, observa Serigati.

Produtor de soja inicia ciclo apreensivo

O momento é de apreensão para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), José Sismeiro. O ano agrícola 2022/2023 chega com um custo de produção da oleaginosa muito acima dos patamares do último ciclo. E não são apenas os fertilizantes que subiram. “Um balde (20 litros) de glifosato, um herbicida que usamos bastante, eu paguei 375 reais em 20 de março; no início de setembro, o mesmo produto estava quase R$ 2 mil”, exemplifica o produtor paranaense.

Mesmo com os problemas de custos e as inseguranças climáticas, o dirigente da Aprosoja Brasil, ao mesmo tempo que tranquiliza o mercado, deixa claro que nem tudo está nas mãos dos produtores. “A gente tem que fazer a nossa parte: plantar na hora certa, fazer os tratos culturais e pedir a Deus que mande a chuva na hora certa. Sem chuva, não adianta nada.” Para o dirigente, tudo que se tem até agora sobre o novo ano agrícola são especulações.

MATEMÁTICA

Alta dos insumos não é novidade. O dirigente da entidade setorial confirma que os preços dos fertilizantes já vinham escalando. Em 2021, o insumo chegou a subir 200% em dólar, entre outros fatores – o mundo vivia o auge da pandemia de Covid-19 – motivado pelo embargo econômico imposto pela União Europeia a Belarus (antiga Bielorrússia), importante fornecedora de potássio (K), em junho daquele ano (matéria na Revista AvAg de julho a setembro/2021, acesse o QR Code abaixo para ler). Agora, o conflito no Leste Europeu elevou os preços novamente a patamares mais altos que os praticados na safra 2021/2022.

Além da Rússia ser um importante fornecedor do insumo, a entrega de gás natural, energia usada na Europa para fazer os adubos, também está comprometida. Mais um motivo para a elevada do preço dos fertilizantes. Uma conta difícil de equacionar ainda mais quando o preço da commodity permanece estável. “Estamos com uma matemática em que o produtor tem um risco muito grande, o consumidor está pagando um custo altíssimo no alimento, só que o lucro disso tudo não está ficando com o produtor”, enfatiza Sismeiro. Porém, a perspectiva de que os preços das commodities aumentem existe, embora, por enquanto, esteja baixando.

Gestão da lavoura para diluir custos e preservar margens

Gestão forte dos processos operacionais é a tônica dos produtores gaúchos de arroz. O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho, destacou que o setor está buscando alternativas para driblar a alta dos insumos. Uma das apostas é a rotação de culturas, incluindo aí a pecuária, como forma de enriquecer o solo e diluir os custos. O reflexo disso já aparece na redução a cada ano da área plantada do cereal.

Conforme dados divulgados pelo Instituto Riograndense do Arroz (Irga), durante a 45ª Expointer (de 27 de agosto a 4 de setembro), o Rio Grande do Sul, que responde por 70% do arroz colhido no Brasil, vai reduzir o arrozal em 100 mil hectares. Alexandre Velho lembra que no ciclo passado foram plantados 400 mil hectares de soja na metade sul do Estado, uma região tradicionalmente arrozeira. Para a próxima safra, o plantio da oleaginosa ultrapassa a marca dos 500 mil hectares. “Ou seja: metade dos produtores de arroz já plantam soja”, sinaliza o presidente da Federarroz.

Mesmo com a diminuição da área plantada de 957, 4 mil hectares – cultivados no ciclo 2021/2022 – para algo em torno de 862 mil hectares, Alexandre Velho não vê perigo de desabastecimento interno. “Não é uma área significativa, e o Brasil sempre compra produto de fora”, observa. Além disso, como o custo de produção subiu acima da média, há uma exigência de alta produtividade para garantir a rentabilidade do solo. A estimativa do Irga é uma produção de 7,094 milhões de toneladas (em 2021/2022, foi de 7.708.517). Contando com a colheita de todos os Estados brasileiros, a Conab projeta um saldo de 11,2 milhões de toneladas.

Aposta no NOVO ANO AGRÍCOLA para normalizar a oferta de alimentos

“A nossa expectativa é que, se são Pedro ajudar, voltaremos a ter uma colheita bem maior do que a anunciada.” A frase do presidente-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Allyson Paolinelli, reflete a necessidade de um setor que vem de duas safras dentro do ano agrícola de 2021 prejudicadas pela estiagem e pelo ataque de cigarrinhas em Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Fatores que impediram que a produção fosse maior que os 113,2 milhões de toneladas estimadas pelo 12º Levantamento da Safra de Grãos publicado em 8 de setembro pela Conab.

Para o ciclo 2022/2023, a expectativa é que o Brasil coloque no mercado 125,5 milhões de toneladas do grão. E, conforme Paolinelli, um esforço dos produtores vai ser feito nesse sentido. O dirigente considera essa safra fundamental, para que, principalmente na faixa do suprimento alimentar, as coisas voltem à normalidade. Afinal, o tempo não castigou apenas os produtores brasileiros. Os Estados Unidos passaram por uma seca sem precedentes, a Ucrânia, quarta maior exportadora do grão, foi invadida pela Rússia e está tendo dificuldades logística para entregar sua produção. A China, que havia anunciado há cinco anos a busca pela autossuficiência no milho, não conseguiu chegar nem próximo do seu consumo e começa a importar o cereal do Brasil.

Tudo isso contribui para elevar o preço do alimento no mundo. Além disso, o dirigente da Abramilho lembra que a população do planeta está crescendo. Estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estima que o mundo precisará produzir 70% a mais de alimentos até 2050, não só em termos de quantidade, mas também em qualidade. E o Brasil está preparado para fazer a sua parte. “Nós estamos mais avançados para os sistemas de produção e manejo de todos os alimentos e com uma vantagem: nós descobrimos que o solo produz três vezes no ano a mesma safra se for necessário”, exemplifica Paolinelli, referindo-se à produção de duas safras de milho.

MANEJO: Paolinelli destaca o avanço do sistema de produção agrícola do Brasil.
Foto: Divulgação/Abramilho

“A dobradinha soja, que é uma leguminosa, e o milho, que é uma gramínea, é excelente para manter a fertilidade do solo e melhorar as condições de produção”, pontua o dirigente da entidade setorial. O alto custo de produção preocupa, mas não chega a tirar o sono do homem que implantou a agricultura tropical e modernizou as lavouras no Brasil, quando foi ministro da Agricultura (15 de março de 1974 a 15 de março de 1979). O dirigente destaca que desde então o sistema de produção do Brasil mudou muito. A partir de 1970 ocorreu uma evolução muito grande no sentido de fazer uma agricultura que não degrade o meio ambiente.

BIOTECNOLOGIA

O Brasil já trabalha com a biotecnologia para o controle de pragas e moléstias para evitar o uso de compostos químicos muito tóxicos ou perigosos. “Hoje, nós estamos tratando do solo de forma muito mais apropriada, levando em consideração a biota, além dos elementos químicos”, pontua Paolinelli. Ele destaca que isso é um avanço muito grande, e o produtor está ganhando em competitividade e em capacidade produtiva. “Hoje, o Brasil está com uma produção de milho muito firme, porque está usando tecnologia de ponta”, observa o produtor.

Nesse conjunto de alta tecnologia entra a aviação agrícola que tem sido grande parceira do agronegócio. O presidente-executivo da Abramilho destaca: “a aviação agrícola tem ajudado muito na evolução, crescimento e produtividade das plantações brasileiras. Eu acho que vai evoluir muito ainda”. Considerada a segunda maior frota do mundo, com 2.432 aeronaves, a ferramenta traz alta tecnologia embarcada, permitindo uma aplicação mais precisa. Para Paolinelli, a aviação agrícola tem feito milagres.

A preocupação do dirigente da Abramilho está voltada para a matemática que envolve custos altos de produção, variação do preço das commodities abaixo da escalada dos insumos e condições climáticas desfavoráveis ao cultivo. Para ele, o grande desafio é o seguro total da safra. Enquanto os países ricos estão fazendo seguro total das suas lavouras, no Brasil não chega aos 9%. “O milho é uma lavoura perigosa. Ele tem um valor muito baixo no mercado em relação ao seu custo de produção, deixando muitas vezes o agricultor em déficit”, pondera Paolinelli. Por isso, considera muito importante que o Brasil tenha o seu seguro rural.

Área plantada do algodão cresce para garantir rentabilidade ao setor

PROJEÇÃO: Busato estima que setor aumentará lavoura em 100 mil hectares.
Foto: Divulgação/Abrapa

A safra 2022/2023 do algodão já começa a ser desenhada. A cultura que sofreu o impacto dos fatores climáticos no ciclo 2021/2022, reduzindo a colheita a 2,55 milhões de toneladas de pluma (dados do 12º Levantamento da Safra Grãos divulgado em setembro pela Conab), começa o novo ano agrícola, como nas demais culturas, com insumos, especialmente os fertilizantes, com preços muito além da variação da commodity. “O nosso custo de produção subiu em torno de 50%”, afirma o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Júlio Cézar Busato.

No entanto, os números não assustam o setor. A entidade projeta um aumento da área plantada na casa dos 100 mil hectares. A equação é simples: se a produtividade for normal, o algodão continua rentável para o produtor. “Nós vamos para uma safra em que, se tudo correr bem, vamos colher entre 2,9 milhões de toneladas de pluma, podendo chegar a 3 milhões, igualando o recorde alcançado em 2019”, diz o dirigente da Abrapa. Uma produção que já tem mercado para ser colocada. Hoje, o Brasil é o segundo maior exportador do mundo, atrás somente dos Estados Unidos, e está conquistando cada vez mais mercados na Ásia, com o programa Cotton Brasil, desenvolvido pela Abrapa.

Inclusive para promover o algodão brasileiro no continente asiático, a Abrapa mantém um escritório em Singapura junto com a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e Ministério das Relações Exteriores (MRE), por meio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil). O investimento está diretamente relacionado ao fato de 99% das exportações do algodão brasileiro ter como destino o continente asiático. E, de acordo com Busato, os produtores estão acreditando nesse mercado para vender a colheita.

QUALIDADE

Um produto certificado, com o selo Algodão Brasileiro Responsável (ABR), entregue somente a produtores que cumprem 178 itens – divididos entre os pilares econômico, social e ambiental – auditados por uma empresa independente reconhecida no cenário global. E nesse contexto, entra o Manejo Integrado de Pragas, que também deve obedecer às diretrizes do programa ABR, que inclui aplicadores que seguem o receituário agronômico.

No caso da aviação agrícola, tudo é preparado para cumprir com todas as exigências do tripé da sustentabilidade. Afinal, a cultura tem a ferramenta aeroagrícola como importante aliada no combate a seu arqui-inimigo, o bicudo do algodoeiro, que exige muitas entradas na lavoura. “O avião faz 300 hectares por hora, usando o sistema baixo volume oleoso (BVO) e tem se mostrado mais eficiente que os pulverizadores terrestres”, afirma o presidente. Embora o custo seja levado em consideração na hora da contratação de um serviço, Busato deixa claro que, quando se trata de algodão, a qualidade da aplicação vem em primeiro lugar.

Aviação agrícola precisa se preparar para safras mais compactas e intensas

Pontualidade, tecnologia de ponta, comprometimento, pessoal capacitado e documentação de acordo com a legislação em dia são condições imprescindíveis para os operadores aeroagrícolas manterem-se no mercado e conquistarem novos clientes. O alerta é do piloto agrícola e coach Elias Malagutti da Silva, um dos tutores do Projeto Mentoria, desenvolvido pelo Sindag em 2020. Ele lembra que bom e barato deixaram de ser atributos. “Hoje, os agricultores são muito exigentes. Eles estão muito avançados e querem o melhor serviço, melhor avião, melhor tecnologia de aplicação, melhor DGPS, melhor piloto, melhor auxiliar na pista deles.”

Para Malagutti, as exigências são pertinentes, afinal passa pelo hopper do avião do operador, principalmente de quem aplica em soja, milho e algodão, de R$ 30 a R$ 40 milhões por safra. “O preço do produto deles é 10 a 15 vezes maior que o preço do serviço em si”, pontua o piloto. E afirma: a aviação agrícola tem muito espaço para crescer, mas os operadores precisam estar preparados para safras cada vez mais intensas e compactadas, isto é, precisa aplicar muito mais hectares no mesmo espaço de tempo.

MALAGUTTI: aeronaves com tecnologia de ponta e pessoal altamente qualificado são imprescindíveis.
Foto: Divulgação

O piloto aeroagrícola explica que a alta tecnologia no campo possibilita que o plantio ocorra mais rápido, fazendo com que as aplicações de adubo foliar, principalmente, fungicida, e de dessecante, para preparar a colheita, ocorram num curto espaço de tempo. “Isso tem aumentado a área voada e, também, a demanda por avião, porque quando um produtor precisa, todos precisam.” Por exemplo, há 15 anos, o ciclo de uma cultura era de 120 dias, agora o ciclo da planta é de 90 dias.Antes você tinha 90 dias para trabalhar com o produtor, agora são 60 dias, no caso da soja, e para fazer uma área muito maior. “Então, para atender a demanda, você tem que ter mais aviões, maiores e mais rápidos”, assinala.

BOAS PRÁTICAS

Condições que garantem os diferenciais da aplicação aérea. As aeronaves agrícolas por possuírem alta tecnologia embarcada possibilitam que a operação seja rastreada, inclusive oferecendo mapas preciso de onde o avião aplica, com possibilidade de correção da rota em tempo real, garantindo maior assertividade do produto. Eficiência garantida pela agilidade da ferramenta que permite a aplicação dentro dos melhores horários, aproveitando melhor o produto.

Ainda, o setor está cada vez mais voltado à sustentabilidade do planeta, aderindo às boas práticas. A agenda ESG tem norteado os operadores, inclusive o Instituto Brasileiro da Aviação Agrícola (Ibravag), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), está desenvolvendo o programa Boas Práticas Aeroagrícolas (BPA).

De acordo com Malagutti, a grande vantagem é que as grandes empresas do agronegócio estão aderindo a programas que permitem uma aplicação sem comprometer o ecossistema. Conta que grandes grupos já mapearam suas fazendas de acordo com a legislação ambiental vigente de preservação ambiental, para que o avião só voe dentro da área permitida.

Agricultor faz contas para mitigar custos

BURIN: aplicação por avião para evitar perdas com amassamento do grão, que pode chegar a 4% da lavoura.
Foto: Divulgação

O produtor rural e piloto agrícola Alexandre Burin vê hoje o agricultor parando para fazer conta em busca de alternativas para contornar o alto custo dos insumos, especialmente dos fertilizantes. “Ele faz a matemática para esse custo ir a zero”, observa o operador aeroagrícola e agricultor. E nesse cálculo entra tudo que for possível para economizar, desde o uso assertivo dos agroquímicos, adoção de produtos biológicos até evitar perdas por amassamento. Uma equação que no final pode surpreender.

Daí a aposta de Burin na ferramenta aérea. Ele e mais sete fazendeiros fundaram a AeroFarm Serviço de Pulverização e Aviação Agrícola (Sorriso/MT). A operadora atende dez fazendas pertencentes aos associados e presta serviço para produtores vizinhos. E o resultado está agradando, pelo menos nas contas de Burin. Segundo ele, a perda por amassamento de grãos chega a 4% da safra. O percentual vai depender de lavoura para lavoura e as vezes que o terrestre entrou na lavoura. “Se o trator tem 27 metros de barra e a largura do pneu é de 40 centímetros, ele amassa no mínimo 80 centímetros por passada. Até terminar o manejo, ele passa várias vezes no mesmo rastro, esse caminho vai virar um metro de largura”, ensina o piloto.

De acordo com Burin, as vantagens do uso de aeronaves no manejo das plantações acabam pagando a aplicação. “Hoje, eu e meus sócios fizemos essa conta. Além do benefício de evitar amassamento da lavoura, a aviação agrícola permite aplicação no melhor horário, evita a compactação do solo e a contaminação da lavoura por doenças trazidas pelo rodado do trator de outras fazendas”, pontua o produtor e piloto.

BIOLÓGICOS

Ainda falando em reduzir custos, a agilidade da ferramenta aérea, além de garantir a melhor janela climática para a operação, também é muito bem-vinda para a aplicação de produtos biológicos. O insumo tem preço mais baixo, porém exige aplicações mais frequentes na lavoura, o que estimula o uso do avião, que faz um talhão inteiro em pouco espaço de tempo. Na avaliação de Burin, o segmento dos biológicos está crescendo bastante, tanto que já há grandes investimentos neste tipo de insumo por multinacionais.

Com as margens apertadas e as contas feitas, Burin decidiu aumentar a área plantada de milho – a área da soja já está praticamente consolidada – em busca da rentabilidade do cereal em decorrência da montagem da usina de etanol a base do grão na região de Sorriso. Inclusive, os produtores estão pensando em plantar soja precoce para poder adiantar o milho. O que também deve motivar a demanda por avião na região.

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