Frota 1

Número de aeronaves agrícolas no Brasil cresce 3,4% em 2021

Levantamento com base em dados extraídos do Registro Aeronáutico Brasileiro mostra a entrada de 80 novos aparelhos, somando 2.432 aviões e helicópteros

Publicado em: 05/05/22, 
às 10:56
, por IBRAVAG

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air tractor

O ano de 2022 na aviação agrícola brasileira começou com mais 80 aeronaves – entre aviões e helicópteros – atuando na pulverização de lavouras ou no combate a incêndios. Em resumo, um crescimento de 3,4% em 2021, que fechou com 2.432 aparelhos habilitados em 31 de dezembro, em relação a mesma data de 2020, quando a frota brasileira contava 2.352 unidades. O levantamento Frota Brasileira de Aeronaves Agrícolas é elaborado pelo ex-diretor e consultor do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) Eduardo Cordeiro de Araújo a partir de dados disponibilizados pelo Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e retrata a evolução da frota registrada no País.

Os números divulgados no último dia da 32ª Colheita Oficial do Arroz e Grãos em Terras Baixas, em Capão do Leão, no Rio Grande do Sul, em fevereiro, mantêm o Brasil na posição de segunda maior frota aeroagrícola do planeta. O primeiro lugar é ocupado pelos Estados Unidos (que possui mais de 3,6 mil aeronaves). Para o diretor-executivo do Sindag, Gabriel Colle, o crescimento de 3,4% em 2021 é muito significativo à medida que a cada ano que passa o setor vem crescendo sempre acima dos 3%.

Para o gestor do sindicato aeroagrícola, este aumento da frota está diretamente ligado ao crescimento do agronegócio brasileiro. Aliado ao mercado, o produtor rural também está conhecendo melhor a ferramenta. Inclusive, os agricultores, que possuem lavouras em áreas sem a cobertura das aeroagrícolas, têm adquirido o equipamento. “Ele quer agilizar o serviço e imprimir maior qualidade às suas aplicações, porque a tecnologia embarcada hoje nas aeronaves permite uma aplicação precisa”, avalia Colle.

DISTRIBUIÇÃO

O número de aeronaves que estão nas mãos dos produtores rurais é visível no estudo Operadores Brasileiros de Aviação Agrícola, que mostra a distribuição das aeronaves entre os tipos de operadores aeroagrícolas. O trabalho desenvolvido por Eduardo Araújo aponta que 860 aparelhos, ou seja 35,36% da frota, pertencem a 758 operadores privados (categoria TPP, que abrange fazendeiros, cooperativas ou empresas de produção que têm seus próprios aviões).

Já as empresas aeroagrícolas (categoria SAE, que são os prestadores de serviços para terceiros) têm 1.541 aeronaves, o equivalente a 63,36% do total. O restante da frota – 31 aeronaves (1, 29%) – pertence a governos ou autarquias federais ou estaduais. Neste número, encontram-se ainda um protótipo e aeronaves de instrução.

Enquanto o Mato Grosso segue liderando o ranking do número de aeronaves por Estado, agora com 600 aparelhos (24,67% da frota do País), o Rio Grande do Sul aparece em segundo lugar, mas concentrando o maior número de empresas aeroagrícolas. Do total dos 419 aviões registrados para operação no Estado, 367 pertencem a 71 prestadoras de serviços, o restante está nas mãos dos privados. Já no Mato Grosso, 306 produtores operam 367 aviões em suas fazendas. As demais 232 aeronaves são de 48 empresas para serviços terceirizados no Estado.

Já em termos de modelo, a Embraer segue liderando, com 55, 47% do mercado brasileiro atendido pelas sete gerações do modelo Ipanema. Trata-se de um avião de motor a pistão, fabricado desde os anos 70 e que desde 2014 sai de fábrica movido a etanol. No entanto, o relatório aponta o avanço da fatia dos aviões turboélices, de fabricação norte-americana, como o Air Tractor e o Thrush. Para se ter uma ideia, enquanto a frota em dez anos cresceu 56%, a parcela de modelos turboélice chegou a aumentar 344%.

Atrasos na entrega travaram índice de crescimento da frota

O consultor do Sindag Eduardo Cordeiro Araújo, autor do levantamento Frota Brasileira de Aeronaves Agrícolas, conta que considerou apenas os 80 aparelhos cadastrados no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) em 31 de dezembro de 2021. No entanto, observou que outras 70 unidades estavam em situação de reserva de marca, o primeiro passo para a obtenção do registo. Situação que se aplica no caso de aviões ou helicópteros encomendados para 2021, mas que o fabricante não conseguiu entregar no mesmo ano.

O diretor-executivo da Aeroglobo Revendedora Air Tractor (Botucatu/SP), Luiz Fabiano Zaccarelli Cunha, confirma que ocorreu um atraso de 30 a 40 dias na entrega das aeronaves. Das encomendas de 2021, quatro ficaram para janeiro e fevereiro deste ano. O gestor credita o atraso à pandemia da Covid-19, que provocou falta de matéria-primas no mundo. Mesmo assim, as boas vendas do ano passado vão se repetir em 2022. Todo os aviões disponibilizados para a revenda já estão comercializados.

ARAÚJO: pesquisador observou que 70 aeronaves estavam com reserva de marca
Foto: Castor Becker Júnior/C5 NewsPress

Situação semelhante vive a DP Aviação (Cachoeira do Sul/RS), também representante da norte-americana Air Tractor. O gerente da representante gaúcha, Rodrigo Almansa, conta que a empresa entregou duas unidades encomendadas em 2021 depois da virada do ano. Também o lote disponibilizado pela fabricante neste ano já está comercializado. “A perspectiva, se a agricultura continuar do jeito que está, é que a venda de aeronaves no Brasil ultrapasse a venda nos Estados Unidos nos próximos dois a três anos”, assinala Almansa.

A Embraer, até o fechamento da edição, estava trabalhando na consolidação dos dados para o Relatório anual. Porém, confirmou que ocorreu um recorde de vendas em 2021 que contribuiu para um forte backlog para 2022. De acordo com a fabricante do Ipanema, que responde por 55,47% da frota brasileira, os números refletem o excelente desempenho do agronegócio brasileiro.

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