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Predicados econômicos em alta na aviação

A eficiência da ferramenta aérea nas lavouras ganha importância com alta de insumos para produção, mas é preciso saber oferecer o melhor preço

Publicado em: 07/10/21, 
às 15:26
, por IBRAVAG

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SEBRAE

O novo ano agrícola começa com boa expectativa de um lado e incerteza de outro. No lado alvissareiro, a previsão de uma colheita na casa dos 289,6 milhões de toneladas de grãos, pouco mais de 14,6% em relação à safra 2020/2021 (que foi de 252,3 milhões de toneladas). Isso conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que também aponta que as culturas continuarão bem remuneradas. Volume que deve manter a expressiva participação do setor primário no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, apesar dos desafios impostos (aí vem a preocupação) pela alta do preço dos insumos, especialmente do fertilizante, e de fatores climáticos. Nesse cenário, as lideranças do setor primário são unânimes em apontar a necessidade do investimento constante em inovação e tecnologia, bem como em alta gestão, para manter o negócio saudável. Equação que inclui a aviação agrícola, cada vez mais eficiente pela alta tecnologia embarcada.

Falta apenas o setor aeroagrícola saber “se vender”, com os empresários tendo clareza para mostrar a atuais e potenciais clientes que seus custos também subiram, porém a eficiência da ferramenta aérea compensa. “O setor aeroagrícola está sempre melhorando tecnologicamente, permitindo que o contratante tenha maior segurança e possa aferir a eficiência do serviço prestado”, explica o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Thiago Magalhães Silva. “Tanto é verdade que nossa frota aeroagrícola cresce de 3% a 4% todo o ano, estando o País em crise ou não”, pontua o dirigente. Porém, ele destaca que o horizonte da aviação agrícola ainda é muito grande. “Hoje, com certeza, mais de 70% das operações ainda são tratorizadas.”

EFICIÊNCIA
Com produtores precisando equilibrar custos, aeronaves reforçam sua importância nas principais culturas do País

Para alcançar mais espaço, tanto o Sindag quanto o Ibravag estão focados em aprimorar os gestores do setor tanto na melhoria contínua de suas empresas quanto na transparência das vantagens para seus clientes. Com vistas a isso, em maio o Sindag lançou o Índice Nacional de Inflação da Aviação Agrícola (Iavag) – para auxiliar os prestadores na precificação. Já o Instituto Brasileiro da Aviação Agrícola (Ibravag) tem uma parceria alinhavada com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) – que deve ter novidades nos próximos meses. Conforme o presidente do Ibravag, Júlio Augusto Kämpf, “além de uma série de ações para o aprimoramento da gestão das empresas e qualificação de seu pessoal, a iniciativa prevê a criação de uma nova certificação para as empresas do setor”. Ao mesmo tempo, as duas entidades são parceiras do MBA em Gestão, Inovação e Sustentabilidade Aeroagrícola, promovido junto com a Faculdade Imed, de Passo Fundo/RS. Trata-se do primeiro curso do tipo no mundo voltado para o setor aeroagrícola, com duas turmas em andamento e formatura marcada para 2022.

Acumulado do Iavag em agosto ficou em 11,44%

MAGALHÃES: melhoria tecnológica contínua, aprimoramento de gestão e horizonte amplo na aviação agrícola

Para o administrador de empresas e doutor em Agronegócio Cristian Foguesatto – professor do MBA em Gestão, Inovação e Sustentabilidade Aeroagrícola e que ajudou a criar o Iavag, o setor aeroagrícola precisa entender o seu valor na cadeia produtiva. Ainda mais em um momento em que os holofotes se voltam para o custeio da lavoura, especialmente da alta acima do esperado para os fertilizantes. Porém, ele recorda a alta do preço da soja, que nos dois últimos anos agrícolas passou de R$ 75/R$ 80, para em torno de R$ 160; a saca de arroz era comercializada a R$ 30/R$ 40, chegou a alcançar a marca de R$ 90. Aumentou a receita do produtor e, também, os custos, como o adubo, o defensivo, o fertilizante.

A mesma lógica deve ser usada no serviço aeroagrícola. Em agosto, o Iavag ficou em 11,44% no acumulado de 12 meses. O índice abrange variação do dólar (40% de sua composição), oscilação do custo de combustíveis (20%) e a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do IBGE (outros 40%). Na hora de negociar, o administrador considera fundamental que o operador aeroagrícola mostre para o agricultor que talvez seu serviço não signifique o menor custo para ele, mas o melhor.

Ao analisar os fatores do Iavag, o empresário e conselheiro do Sindag Bruno Ricardo de Vasconcelos, da Sana Agro Aérea (Leme/SP), pondera que primeiro a desvalorização do real frente ao dólar, com a moeda norte-americana saindo de menos de 4 reais e chegando a R$ 5,80 no ano passado. No dia 23 de setembro deste ano estava em R$ 5,30. Isso enquanto o preço do barril do petróleo subiu mais do que o dobro, chegando a cerca de 74 dólares. O preço do etanol também acompanhou, mesmo em São Paulo, onde é mais barato. “Em 2020, eu cheguei a ter planilha de custo com etanol a R$ 2,50 o litro; no início deste ano eu cheguei a pagar mais de R$ 4 reais.”

A certeza no momento é a necessidade de repassar esses custos. Mas Vasconcelos lembra que, apesar de sua importância, a participação do setor no custo total da lavoura é pequena. “Na maioria das culturas é uma fatia pequena. Vamos falar aqui de, talvez, entre 2% e 1%.” Estimativa ratificada por dados da cultura do arroz, conforme o levantamento do custo médio de produção elaborado pelo Instituto Rio Grandense do Arroz. No Estado, responsável por 70% do arroz irrigado no País, o peso da aviação na planilha foi de apenas 1,86% do total. Isso considerando que se trata de uma das lavouras mais dependentes da ferramenta aérea.

Lei da oferta e da procura fez preço dos fertilizantes explodir

Para o diretor-executivo da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda), Ricardo Tortorella, o aumento do preço dos insumos, especialmente dos fertilizantes que chegaram ao produtor com uma elevação de mais de 200% em dólar, faz parte da lei da oferta e da procura. A situação vai além do embargo econômico à Bielorússia desde junho. O executivo lembra que a demanda por fertilizantes já vinha aumentando em relação à oferta há mais de 20 anos. Destaca que o agronegócio no Brasil, Estados Unidos e China cresceu exponencialmente e a necessidade de fertilizantes aumentou. “A pandemia (provocada pelo novo coronavírus e declarada em março de 2020 pela Organização Mundial da Saúde – OMS) veio agravar a questão devido às dificuldades logísticas, com menor número de navios atracando nos portos”, observa Tortorella, enfatizando que o Brasil passou a sofrer a consequência de quem importa muito insumo para fazer fertilizante.

E esse aumento da demanda aparece diretamente no aumento da produtividade por hectare. “O Brasil, nos últimos 20 anos, 30 anos, praticamente na mesma área plantada, quase triplicou a produção de grãos. Se olhar, 25 anos ou 30 anos atrás, o Brasil produzia 80 milhões de toneladas de grãos, hoje produz 270 milhões de toneladas”, reforça Tortorella. Um reflexo das inovações tecnológicas, usando ferramentas adequadas de manejo do solo e de gestão e de outro lado os insumos corretos. “Daí eu digo, as sementes das plantas estão melhorando, os fertilizantes têm mais tecnologia empregada ajudando o solo a repor os ingredientes necessários para a boa produção e os defensivos quando bem utilizados permitem que a planta se desenvolva.”

E essa tendência, de acordo com Tortorella, já vem há mais de 20 anos e deve se manter ainda por muitos anos. Há também forte tendência de aumento do uso de fertilizantes também no pasto, porque o pecuarista se deu conta que os agroquímicos, especialmente os fertilizantes, trazem uma produtividade maior. E esse aumento de demanda, o setor de fertilizantes não tem como suprir na velocidade necessária para equilibrar a oferta e demanda. O potássio, por exemplo, é extraído de minas e, além de ser uma operação complexa, requer investimento altíssimo. “É um problema estrutural”, conclui.

NPK
Compra de fertilizantes à base de nitrogênio, fósforo e potássio este ano já foi quase 2 milhões de toneladas maior que em 2020

Commodities funcionam como indexadores dos insumos

Se por um lado o preço dos insumos subiu vertiginosamente em dólar, o produtor de soja, milho, açúcar, algodão, café também tem seu produto cotado na moeda norte-americana além de um reajuste real, não somente o gerado pela desvalorização do real frente ao dólar. O diretor-executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Eduardo Daher, lembra que o produtor havia acabado de colher a safra de verão e ainda não tinha semeado a safra de inverno na hora que a pandemia apareceu no Brasil. Neste momento, o produtor escoou uma safra que plantou com o dólar a R$ 3,80/R$ 4,00 e colocou no mercado com o dólar valendo R$ 5,80. “O câmbio acabou favorecendo o produtor.”

Acompanhando este movimento, os agroquímicos também ficaram mais caros devido ao câmbio e depois, indexados às commodities, o preço subiu em dólar. E o valor dos fertilizantes, por questões de oferta e demanda, explodiu neste ano. Mesmo assim, de acordo com o executivo, está projetada a compra de 42 milhões de toneladas de NPK – nitrogênio, fósforo e potássio –, quase 2 milhões de toneladas a mais que em 2020. Isso no seu entender ocorre porque a relação de troca ainda vale a pena. “O produtor faz a conta: quantas sacas eu gasto com o fertilizante e quanto eu vou colher”, comenta.

Para Daher, o problema não está nesta safra que se inicia agora. “Para esta safra, o fertilizante, defensivos já estão comprados e faturados.” Lembra que aconteceu muito no ano passado, ao receber a receita da safra com o dólar a R$ 5,80, o agricultor comprou os insumos por antecipação. “O produtor grita pensando já no futuro, no próximo passo, o que ele vai fazer com o dinheiro do que ele já vendeu antecipadamente.” No entanto, ele lembra que se o câmbio é uma das variáveis incontroláveis para o agricultor, a outra é o clima – que está mudando em todo o planeta. “Nesse momento, tem gente perdendo milho na Alemanha. Também nos Estados Unidos houve uma grande seca.” Para Daher, há como amenizar os efeitos da seca com a irrigação, mas é um investimento que custa caro. Hoje, o número de lavouras irrigadas no Brasil não ultrapassa a marca dos 18%. Um sistema que com a crise hídrica aumenta ainda mais o custo de produção devido ao gasto de energia.

PIB do agronegócio teve alta já sobre crescimento

LUZ: pandemia bagunçou as cadeias produtivas
Foto: Castor Becker Júnior/C5 NewsPress

Apesar da alta dos insumos, especialmente fertilizante, energia elétrica, combustível, as incertezas causadas pelas adversidades climáticas, a previsão é que a agropecuária continue crescendo. A divulgação do PIB do segundo trimestre de 2021 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta para estabilidade em relação ao primeiro trimestre (-0,1%), com a maior queda na agropecuária (-2,8%). No entanto, quando se olha o mesmo trimestre com o mesmo trimestre do ano anterior, o desempenho do setor mostra uma alta de 1,3%. Isso sobre uma base de crescimento. Já no comparativo semestre de 2021 ao de 2020, o crescimento ficou na casa dos 3,3%.

Um primeiro impacto desanimador, ainda mais se comparar o desempenho do setor primário com a indústria, que em relação ao mesmo trimestre de 2020 cresceu 17,8% e no comparativo semestral 10% em relação ao mesmo período de 2020. No entanto, o economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, Antônio da Luz, alerta: “é preciso analisar o contexto”. A agricultura vem de um ano de crescimento. A agropecuária foi o único setor da economia que cresceu em 2020. Então o crescimento se dá sobre crescimento. Observa o economista que a indústria vem de uma queda no desempenho, então, os números deste ano mostram uma recuperação e não um crescimento.

Mesmo com um quadro otimista quando se fala em agropecuária, os custos do setor estão muito altos. Luz observa que a pandemia do novo coronavírus trouxe consigo uma série de problemas de conexões no mercado. “A pandemia bagunçou as cadeias produtivas e isso mexeu muito também com a indústria de agroquímicos global”, pontua. Agora, existe uma demanda muito aquecida e, consequentemente, um acréscimo da área plantada no mundo e maior procura por agroquímicos.

Mesmo assim, o economista-chefe da Farsul acredita que o agro se manterá firme, com preços bons no mercado. Embora os resultados para o produtor devam cair, devido ao aumento do custo de produção, que vem achatar as margens de lucro. Um cenário frente ao qual Luz aconselha os produtores rurais e empresas voltadas ao agronegócio, como as que o Sindag reúne, a ampliarem seu nível de gestão.

Controlador de custos tão importante quanto agrônomo

“Eu até diria que o agricultor hoje depende de um bom controlador de custos quase no mesmo grau de importância de um bom agrônomo.” A frase do consultor em Tecnologia da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Reginaldo Minaré, reflete a importância da gestão cada vez mais profissional também nas plantações. Ele explica que a conjuntura global das incertezas vem de uma pandemia ainda não controlada, que desorganizou as relações comerciais no mundo.

Desafios intrínsecos à produção agrícola brasileira, que importa 85% dos insumos. Com isso, problemas pontuais de algumas nações, como o embargo econômico da União Europeia e Estados Unidos à Bielorrússia (que reponde por 20% da produção mundial de potássio e não consegue embarcar o produto nos portos europeus), são sentidos em toda a cadeia produtiva. “Um cenário de risco previsível, mas que exige que o agricultor tenha uma planilha de custo muito bem elaborada para ele saber a renda dele no final de sua colheita”, ressalta. Quem produz commodities, como a soja, precificada no mercado internacional pela Bolsa de Chicago (EUA), não tem como repassar o custo.

ISABEL
Produtor precisa buscar formas de se resguardar de possíveis perdas
Foto: Wenderson Araujo/Trilux-Divulgação CNA

Já a assessora técnica do Núcleo Econômico da CNA, a economista Isabel Mendes explica que a entidade estima que o PIB do Agronegócio, que compreende insumos, produção básica, agroindústria e agrosserviços, elaborado pela CNA/Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), deve se manter em torno de 30% no ano. Três pontos percentuais acima do registrado em 2020. Porém, Isabel lembra que o produtor rural, que tem como desafio a natureza e o câmbio – duas variáveis impossíveis de controlar –, precisa buscar formas de resguardar seu investimento, reduzindo custos. E buscando proteção em caso de perdas. Por exemplo, com seguro rural, além do hedge cambial (para garantir preço das mercadorias negociadas) e operações de barter – onde o produtor “trava” o preço do seu produto (com o qual paga os insumos).

Na soja, o escambo funciona como indicador do custo real

O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja), Antônio Galvan, destaca duas realidades bem diferentes experimentadas pelo produtor brasileiro. “Quem não vendeu o produto no ano passado, bancou por conta e segurou a soja. Esse produtor ganhou muito dinheiro”, diz. Porém, observa, que a maioria precisou vender antecipado para bancar uma série de despesas na sua lavoura. “Mas o preço não estava ruim”, confessa. Para a próxima safra, plantada entre meados de setembro e outubro, tem menos soja vendida no mercado futuro que na safra 2020/2021, mesmo com o preço da commodity tendo dobrado.

GALVAN: exportação de soja deve chegar a 87,58 milhões de toneladas
Foto: Aprosoja Brasil/Divulgação

Hoje a saca para ser entregue na próxima colheita está valendo R$ 150,00 / R$ 160,00. Porém, os custos subiram alavancados pela alta dos fertilizantes. No caso do potássio, Galvan conta que no ano passado pagava 300 dólares a tonelada e neste ano subiu para 900 dólares ou pouco mais. Por isso, adverte, o agricultor não faz a conta em real. Ele usa o produto que ele planta como parâmetro de custo, seja ele fertilizante, defensivo ou sementes. No cálculo do dirigente da Aprosoja, a conta ficou muito maior. No ano passado, com 16 ou 17 sacas de soja, vendidas em média a 80 reais cada, se comprava 1 tonelada de potássio. Hoje, são necessários quase o dobro de sacas para a mesma quantidade de fertilizante.

Acompanhando os demais analistas do segmento, Galvan entende que o aumento da demanda por alimentos e a busca por maior produtividade das áreas plantadas está entre os motivos do encarecimento do fertilizante devido à baixa oferta, agravada pelo embargo da União Europeia e Estados Unidos à Bielorússia. Mesmo assim, a aposta é em uma colheita de 141,2 milhões de toneladas, aumento em torno de 3,9% em relação à safra passada. Já em termos de mercado, a expectativa é exportar 87,58 milhões de toneladas – 5,51% a mais que em 2020/2021, mantendo o Brasil na posição de maior exportador de soja do mundo. Maior produtor mundial, apesar da área plantada ser menor que a dos Estados Unidos (segundo no ranking), o País deve isso ao modelo agrícola e ao clima. Segundo o presidente, entram na conta também desde a qualidade das sementes e a possibilidade de menor tempo para a colheita, até tecnologias como o avião agrícola.

Seca castigou o milho em 2021

PRODUÇÃO: presidente institucional da Abramilho está otimista em relação à próxima safra
Foto: Castor Becker Júnior/C5 NewsPress

A seca no primeiro semestre deste ano castigou a lavoura de milho, principalmente do Paraná e do Mato Grosso do Sul, representando uma quebra de 25% na safra 2020/2021. De acordo com o 12º Levantamento da Safra de Grãos passada, divulgado pela Conab no início do mês, a produção total ficou em 85,75 milhões de toneladas (16,4% menor que em 2019/2020). Para o próximo ano, o boletim Perspectivas para a Agropecuária Safra 2021/2022 – Edição Grãos, também da Conab, aponta para uma recuperação na casa dos 29% chegando a 115,9 milhões de toneladas. O relatório Céleres/Abramilho, de 6 de setembro, aponta para a possibilidade de a área plantada crescer 4%, especialmente no Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Decisão fundamentada na manutenção da desvalorização do real frente ao dólar.

De acordo com o presidente institucional da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Cesário Ramalho da Silva, os preços também estão atrativos no mercado interno. O dirigente não esconde que o agricultor ganhou nas duas últimas safras, a de 2019/2020, quando o setor foi surpreendido pela desvalorização expressiva do real frente ao dólar, e na de 2020/2021, com o aumento real dos produtos. E está bastante otimista em relação ao aumento da produção de milho. “O nosso setor está capitalizado. O agricultor então ampliou as suas áreas de terra e investiu em tecnologia que pode melhorar a produtividade”, reforça.

Por sinal, em tempos de insumos com preços acima do esperado, especialmente o dos fertilizantes, há necessidade de se otimizar a aplicação. Nesta equação, entra o uso da aviação agrícola, que, pela alta tecnologia embarcada, permite uma pulverização precisa sobre a lavoura sem desperdícios. Sobre a ferramenta, o dirigente da Abramilho destaca ainda a agilidade de aplicação, aproveitando melhor janela de tempo. “Agricultura tem dia e hora”, completa. Ramalho acredita que a aviação agrícola tem um grande espaço para crescer não só pelo aumento da área plantada, mas também pela busca da eficiência nas lavouras.

Safra de arroz deverá crescer 20%

Já no arroz, o custo de plantio da próxima safra deve aumentar entre 20% e 30% em média. A projeção é do presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho, levando em consideração o aumento do preço dos insumos. No entanto, acredita que para alguns orizicultores esse índice pode ser menor, entre 10% e 15%, e para outros bem acima, na casa dos 30%. Exemplifica: “quem comprou adubo em maio pagou R$ 1,9 mil pelo cloreto de potássio e, em setembro, mais de R$ 3 mil. Então esse produtor que não antecipou as compras ficou à mercê de um aumento no custo de produção maior.”

Aumento que reforçou a necessidade de eficiência na gestão das lavouras. Como 80% a 90% do arroz produzido no Brasil fica no mercado interno, sem preço futuro como a soja, o arrozeiro depende do hoje, da cotação do arroz no dia da venda. Por isso, o orizicultor, explica Alexandre Velho, precisa cuidar de bons momentos de troca – a troca do produto arroz pelo produto fertilizante – para reduzir o custo da lavoura. “Quando o arroz está valendo um pouco mais, eu tenho que olhar quanto está o fertilizante.”

O dirigente da Federarroz acredita que a aviação agrícola tem uma importância cada vez maior dentro do setor. Além disso, o arroz é dependente do avião pela dificuldade de entrada das máquinas terrestres nas áreas irrigadas. Aliás, segundo o boletim Custo de Produção Médio Ponderado Arroz Irrigado Safra 2020/21, divulgado pelo Irga que o custeio específico da lavoura representou 55,66% das despesas, com 17,6% para agroquímicos e fertilizantes e o custo com aviação (que otimiza esses produtos) representando 1,86%. Já para a safra 2021/2022, a perspectiva é de que a produção de arroz cresça 0, 4%, com produção estimada em 11,8 toneladas.

BUSATO: maioria dos produtores de algodão já utilizam o avião nas lavouras
Foto: Abrapa/Divulgação

Aeronaves para reduzir custo no futuro

“Tecnologia e escala são a chave para continuarmos tendo rentabilidade no nosso negócio.” A afirmação do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Júlio Busato, reflete a preocupação do setor frente aos aumentos dos insumos, especialmente do fertilizante, já pensando no futuro. Afinal, para ele, esse filme não é novo. O preço dos agroquímicos sobe indexado ao das commodities, depois o valor das commodities recua e os custos não voltam para o mesmo patamar. Por isso, a importância de aumentar a produtividade por hectare. E entre as ferramentas à disposição do agricultor, Busato destaca a aviação agrícola: “não só pela redução dos custos, mas também para um controle mais eficientes das pragas, principalmente do bicudo do algodoeiro que é o nosso arqui-inimigo.”

O dirigente da Abrapa acredita que a maioria dos produtores de algodão já utilizam a aviação agrícola no combate às doenças da lavoura, como um processo contínuo em busca de maior rentabilidade das fazendas. Esse pensamento está ligado ao futuro, pois para a safra 2021/2022 a área de plantio está definida e os insumos comprados, com a expectativa de que se a chuva ajudar a colheita deve chegar perto de 3 milhões de toneladas de pluma. De acordo com o presidente da Abrapa, entre 30% e 40% do algodão que vai ser plantado na próxima safra já foram vendidos em contratos com preços fixos basicamente em dólar. Admite que a flutuação do câmbio prejudica, mas o setor tem como se proteger disso em parte, com um hedge natural.

O clima é um desafio maior. Busato aponta que somente 8% do algodão brasileiro é plantado no sistema de irrigação. Por isso, a preocupação que as chuvas caiam no período correto. Lembra que no ano passado, principalmente no Estado do Mato Grosso, as chuvas atrasaram e parte da área de algodão foi forçada a migrar para a cultura do milho devido à janela de plantio.

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