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O Campo quer Previsibilidade

Às vésperas das eleições, setor aeroagrícola defende atuação sincronizada com os poderes Executivo e Legislativo para modernizar a atividade e garantir segurança a quem investe no campo

Publicado em: 24/09/26, 
às 10:00, 
por IBRAVAG

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Às vésperas das eleições na esfera federal e estadual, produtores rurais defendem um Executivo e um Legislativo dispostos a incentivar o desenvolvimento da agricultura brasileira. A expectativa é que reivindicações históricas — como a ampliação da subvenção ao seguro rural, a garantia de linhas de crédito e o avanço regulatório — sejam devidamente contempladas. Mais do que medidas pontuais, o setor espera que os governos e parlamentos que assumem em 2027 estabeleçam um diálogo permanente com as entidades representativas do agronegócio.

“O Brasil possui condições para liderar mundialmente a produção de energia renovável, alimentos e soluções de baixo carbono. Essa liderança, porém, só será sustentável se valorizar o produtor que está na base da cadeia”, afirma o presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), Paulo Sérgio de Marco Leal. A visão encontra eco entre produtores das demais culturas, responsáveis hoje por 50,2% do total exportado pelo País, sustentando o superávit da balança comercial brasileira.

CLAREZA
Hoana destaca importância de um ambiente de negócios que proporcione segurança a quem atua dentro da legalidade respeitando a regulamentação

A aviação agrícola, peça essencial dessa engrenagem, já sinalizou a intenção de estreitar laços com o Executivo e o Legislativo – tantos federal, quanto dos Estados – definidos no pleito de outubro. Ainda em julho, a entidade encaminhou a Carta Aberta ao Congresso Nacional, Assembleias Legislativas Estaduais e aos Candidatos do Pleito de 2026 – Pela Modernização, Segurança Jurídica e Fortalecimento da Aviação Agrícola Brasileira.

Conforme destaca a presidente do Conselho de Administração do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Hoana Almeida Santos, o documento é uma proposta efetiva de interlocução com quem traçará os rumos do País. “É um instrumento para colocar a aviação agrícola na agenda de quem tomará decisões estratégicas nos próximos anos”, pontua a dirigente.

Diretamente impactado pelo desempenho das lavouras e pelo cenário político-econômico interno e externo, o setor ainda convive com inseguranças jurídica e regulatória, que não acompanham a velocidade das inovações tecnológicas e operacionais do segmento aeroagrícola.

Ao todo, o documento elenca oito pontos prioritários (veja tabela acima) que, na avaliação de Hoana, precisam avançar de maneira paralela. A revisão do marco regulatório, por exemplo, é considerada vital para modernizar a atividade, delimitar com clareza as competências dos órgãos fiscalizadores e construir regras fundamentadas estritamente em critérios técnicos e científicos.

Da mesma forma, pautas como a adequação tributária, a regulamentação dos drones, o combate severo às operações clandestinas e o enfrentamento a projetos que buscam proibir ou restringir a pulverização aérea, também, exigem atenção imediata. “Por isso, mais do que eleger uma única prioridade, defendemos uma atuação sincronizada entre governo, Congresso Nacional, órgãos reguladores e setor produtivo”, sinaliza a presidente do Sindag.

Para que a aviação agrícola siga em ritmo de crescimento, Hoana reforça ser indispensável a construção de um ambiente de negócios que proporcione segurança a quem investe e atua dentro da legalidade. Além disso, reitera a necessidade de a ferramenta ser reconhecida como um ativo estratégico para a segurança alimentar e a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

O que está na agenda do setor aeroagrícola

Carta aberta aos governantes, parlamentares e candidatos reúne oito prioridades

1 – Revisão do marco regulatório da aviação agrícola

O Decreto nº 86.765/1981, que regulamenta o Decreto-Lei nº 917/1969 e disciplina o emprego da aviação agrícola no Brasil, está em processo de atualização conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), incorporando a Lei do Autocontrole. O Sindag defende que essa revisão considere as evidências técnico-científicas mais recentes sobre deriva de pulverização, especialmente os resultados do estudo desenvolvido pela Universidade de Brasília (UnB), para definir faixas de segurança adequadas à realidade atual da aviação agrícola. A entidade também defende que o novo texto estabeleça, de forma clara os limites de atuação de cada órgão regulador, evitando sobreposição de competências entre o Mapa e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

2 – Tratamento tributário equilibrado na Reforma Tributária (Imposto Seletivo)

Que a regulamentação do Imposto Seletivo considere as características da aviação agrícola, incluindo o menor uso de água nas aplicações aéreas, a capacidade de resposta em emergências fitossanitárias, a importância para cadeias exportadoras e a composição da frota, que inclui aeronaves movidas a etanol e equipamentos sob arrendamento.

3 – Regulação baseada em ciência para defensivos agrícolas

O Sindag defende que eventuais restrições ou reavaliações de produtos fitossanitários sejam fundamentadas em critérios técnico-científicos, com transparência, participação do setor e prazo adequado para manifestação das entidades. O Sindag também se coloca à disposição para contribuir com metodologias de avaliação de risco.

4 – Segurança jurídica frente a projetos de lei que restringem a pulverização aérea

A entidade pede análise técnica e científica para projetos de lei que pretendam restringir ou proibir a aplicação aérea de defensivos. O Sindag cita propostas em tramitação no Senado, Paraná e Pernambuco e alerta para possíveis impactos sobre a segurança jurídica, a competitividade e a capacidade de resposta a emergências fitossanitárias.

5 – Regulamentação específica e proporcional para drones agrícolas (ARPs)

Com uma frota próxima de 10 mil unidades, o setor defende regras específicas e proporcionais para drones agrícolas, incluindo cadastro de revendedores, compartilhamento de dados entre órgãos, integração com o Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), agenda conjunta entre Anac e Departamento de Controle de Espaço Aéreo (Decea) e classificação técnica própria para ARPs agrícolas.

6 – Combate à operação clandestina de drones agrícolas

O Sindag pede maior atenção das autoridades às operações não regularizadas de drones agrícolas, apontando riscos à segurança operacional e à concorrência com empresas legalizadas. A entidade defende maior articulação entre os órgãos responsáveis pela fiscalização e segurança.

7 – Diálogo institucional permanente com os órgãos reguladores

A entidade propõe manter uma relação institucional contínua com Mapa, Anac e Anvisa, com cooperação técnica e troca de informações para antecipar divergências regulatórias e contribuir para normas equilibradas.

8 – Preservação da aviação agrícola como instrumento de resposta emergencial e de segurança alimentar

O Sindag reafirma a aviação agrícola, tripulada e remotamente pilotada, como parte da infraestrutura produtiva nacional, destacando seu papel em emergências fitossanitárias, controle de incêndios, controle de vetores e manutenção da produtividade. A entidade também reforça a importância da capacitação, conscientização, inovação e cooperação com o poder público.

Ferramenta é estratégica para a produtividade do campo

A história da aviação agrícola revela um setor em constante evolução, atento às demandas da sociedade e que se tornou fundamental para a produtividade das lavouras. A operação voltada ao combate de gafanhotos em 1947, no município de Pelotas (RS), deu início a uma caminhada que conta hoje com 2.866 aeronaves.

O dado integra a “Análise da Frota Aeroagrícola Brasileira de Aviões e Helicópteros 2025”, desenvolvida pelo diretor operacional do Sindag, o economista e pesquisador Cláudio Júnior Oliveira. Ainda conforme registros na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), cerca de 10 mil Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARPs) estão em operação agrícola no Brasil.

Essa frota aeroagrícola tripulada e não-tripulada atende a 29 culturas — entre elas soja, milho, cana-de-açúcar, algodão e arroz —, cobrindo 130 milhões de hectares por ano. Em percentuais, o setor responde por 25% de todas as aplicações de defensivos agrícolas no País, sustentando a produção de aproximadamente 49% da pauta de exportação brasileira de commodities agrícolas.

TECNOLOGIA
Cláudio Júnior Oliveira aponta a relevância da aviação agrícola para a produtividade e sustentabilidade do agro brasileiro

Apenas por esses números já se verifica a importância da aviação agrícola para a economia brasileira. No entanto, a tecnologia embarcada nas aeronaves, bem como as técnicas de aplicação, vem evoluindo para tornar as operações cada vez mais seguras e sustentáveis. Segundo Oliveira, quando se fala em sustentabilidade no agro, “a discussão costuma parar no que se aplica, e raramente chega a como se aplica. E é aí que a aviação agrícola faz diferença”.

O argumento ganha força ao analisar novamente os dados da atividade: a aplicação aérea, na escala em que o setor opera, representa uma economia superior a 10 bilhões de litros de água por ano comparada à aplicação terrestre.

Ainda, a aeronave não compacta o solo, elimina o tráfego pesado de máquinas sobre a lavoura e reduz erosão, amassamento e quebra de plantas. O economista aponta um efeito ainda maior: “ao atender janelas agronômicas curtas, a aviação agrícola permite girar mais safras na mesma área”.

Cana-de-açúcar cobra condições para produzir, investir e inovar

Uma das principais culturas atendidas pela aviação agrícola, a cadeia produtiva da cana-de-açúcar ocupa papel estratégico na matriz energética brasileira, na geração de empregos e no desenvolvimento regional. Porém, os produtores rurais enfrentam desafios que limitam sua capacidade de investir — especialmente os independentes. Estão nessa lista: aumento dos custos, restrição de crédito, exposição a eventos climáticos, deficiências de infraestrutura e desequilíbrios nas relações comerciais.

Na avaliação do presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), Paulo Sérgio de Marco Leal, o governo que assumirá em 2027 deverá tratar a atividade canavieira como parte central de ações integradas das políticas agrícola, energética, tributária, industrial e ambiental do País. “O setor precisa de previsibilidade, segurança jurídica e instrumentos econômicos que permitam ao produtor investir, incorporar novas tecnologias e permanecer na atividade”, reforça o dirigente.

PRIORIDADE
Presidente da Feplana, Pedro Leal, destaca a importância de a atividade canavieira ser tratada como parte central de ações integradas das políticas agrícola, energética, tributária, industrial e ambiental do País

DIÁLOGO PERMANENTE

Tanto que a agenda do setor que chegará aos governos e legislativos federal e estaduais a partir de 2027 deverá priorizar crédito adequado ao ciclo da cana, seguro rural efetivo, acesso à tecnologia, infraestrutura e segurança jurídica. Leal destaca que o Brasil possui condições para liderar mundialmente a produção de energia renovável, alimentos e soluções de baixo carbono. “Essa liderança, porém, somente será sustentável se valorizar o produtor que está na base da cadeia”, sinaliza o dirigente.

Por isso, a Feplana espera que o governo que se inicia em 2027 estabeleça um diálogo permanente com as entidades representativas e transforme essas prioridades em uma política de Estado. “O fornecedor de cana não necessita apenas de medidas emergenciais nos períodos de crise. Precisa de condições estruturais para produzir, investir, inovar e receber uma remuneração justa por sua contribuição econômica, social, energética e ambiental para o País”, ratifica Leal.

Outra necessidade apontada pela Federação diz respeito ao mercado externo. A direção da entidade entende que o Brasil deve ampliar a diplomacia comercial, diversificar destinos, combater barreiras tarifárias e não tarifárias, bem como promover internacionalmente o açúcar, o etanol e novos biocombustíveis produzidos no Brasil. Sobre as exigências de rastreabilidade e sustentabilidade, Leal salienta que elas precisam ser implementadas com apoio técnico e financeiro, evitando que os custos recaiam exclusivamente sobre o produtor.

NA AGENDA DA FEPLANA

Crédito rural

O financiamento é um dos pontos centrais para os fornecedores de cana-de-açúcar. Por ser uma cultura semiperene, a cana exige investimentos que são recuperados ao longo de vários cortes. A Feplana defende linhas específicas para formação e renovação de canaviais, irrigação, conservação do solo, máquinas, agricultura de precisão, bioinsumos e geração de energia renovável. Ainda, reivindica um crédito com juros equalizados, carência adequada e maior participação dos fundos garantidores. A entidade também considera necessária a criação de mecanismos permanentes para a renegociação de dívidas em situações de perdas provocadas por eventos climáticos ou crises prolongadas de preços.

Seguro rural

As opções disponíveis ainda apresentam limitações de cobertura e custos elevados diante dos riscos da atividade. A Feplana defende um orçamento estável para a subvenção ao prêmio do seguro rural e maior adequação das apólices ao ciclo plurianual da cana e às características regionais.

Tecnologia

Entre as prioridades estão o desenvolvimento de novas variedades, o sensoriamento remoto, o manejo biológico, os drones, a inteligência artificial, a mecanização e os sistemas de conservação do solo, que podem contribuir para elevar a produtividade e reduzir custos. O desafio é ampliar o acesso a essas ferramentas aos pequenos e médios fornecedores, com mais conectividade no campo, assistência técnica, extensão rural e apoio à pesquisa.

Tributos

Na área tributária, a preocupação está na implementação da reforma sem perda de competitividade para a cadeia sucroenergética. A Feplana defende a preservação do diferencial tributário entre etanol hidratado e gasolina, o aproveitamento dos créditos relacionados aos insumos agropecuários e regras que evitem o acúmulo de créditos financeiros durante a transição para o IBS e a CBS.

Infraestrutura

A infraestrutura é outro gargalo. Como a cana precisa chegar rapidamente à indústria após o corte, estradas vicinais, pontes e acessos inadequados podem elevar custos e provocar perdas. A entidade propõe uma ação articulada entre União, Estados e Municípios para recuperar estradas rurais e modernizar a logística de transporte e escoamento dos produtos da cadeia.

Valorização ambiental da cana

A Feplana defende a regulamentação da Lei nº 15.082/2024, de modo a garantir aos fornecedores independentes a participação prevista na receita dos Créditos de Descarbonização (CBIOs) gerados a partir da cana fornecida. A entidade defende ainda a participação dos produtores nas novas oportunidades relacionadas ao mercado de carbono e à expansão de combustíveis sustentáveis e produtos da bioeconomia.

Na pauta, políticas para além dos ciclos de governo

A combinação de problemas climáticos, custos elevados, queda dos preços de comercialização e restrição de crédito colocou o agronegócio brasileiro diante de um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos. Para o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Fabrício Rosa, o cenário reforça uma demanda antiga do setor: transformar políticas de governo em políticas de Estado para dar previsibilidade à atividade agrícola.

Segundo Rosa, a principal prioridade do governo eleito em outubro deve ser uma reestruturação das políticas de crédito e de seguro rural. Hoje, menos de 4% da área agrícola brasileira está coberta pelo seguro rural. “Precisamos ampliar essa proteção para que o produtor tenha segurança não apenas diante de catástrofes climáticas, mas também em situações de perda brusca de renda”, destaca o executivo.

Também devem entrar na pauta o Plano Safra, que, na avaliação da entidade, deve ser continuamente aperfeiçoado para reduzir a burocracia e facilitar o acesso aos recursos. A infraestrutura e a logística também aparecem entre os gargalos estruturais.

O dirigente acrescenta a necessidade de políticas anticíclicas capazes de evitar que períodos de baixa rentabilidade se transformem em ciclos de endividamento. A regularização ambiental e fundiária completa esse conjunto de demandas, com a defesa de maior agilidade na validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e dos títulos das propriedades.

PRIORIDADE
Fabrício Rosa reforça a importância da reestruturação do crédito e do seguro rural frente aos avanços dos eventos climáticos extremos.
Foto: Divulgação

PREVISIBILIDADE

Na avaliação da Aprosoja Brasil, a resposta precisa ultrapassar medidas emergenciais. “Quando estruturamos o agro, estamos também estruturando uma atividade essencial para o desenvolvimento econômico, a geração de renda, a segurança alimentar e a própria estabilidade do País”, afirma Rosa.

Para a agricultura, essa previsibilidade tem reflexos diretos na capacidade de planejamento e investimento. Em um ambiente de crédito caro e menor margem, decisões sobre tecnologia, manejo e contratação de serviços especializados passam a ser ainda mais condicionadas à disponibilidade de recursos e às perspectivas de renda.

Hoje, o Brasil vive uma onda de recuperações judiciais no agro, que segundo Rosa, é resultado da ruptura simultânea de três pilares: produtividade, preços e crédito. Quebras de safra reduziram a produção de muitos agricultores, enquanto os preços de venda não acompanharam os custos de sementes, fertilizantes e defensivos. Na busca por recursos para financiar novos plantios, produtores encontraram juros elevados e menor disponibilidade de crédito, agravando o passivo.

No entanto, o executivo ressalta que o problema não é exclusivamente brasileiro. “Produtores dos Estados Unidos e da Europa também enfrentam níveis elevados de endividamento, em um contexto internacional de custos de produção altos e menor rentabilidade”, pontua.

Safra 2026/27 terá clima e crédito no radar

A combinação de problemas climáticos, custos elevados, queda dos preços de comercialização e restrição de crédito colocou o agronegócio brasileiro diante de um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos. Para o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Fabrício Rosa, o cenário reforça uma demanda antiga do setor: transformar políticas de governo em políticas de Estado para dar previsibilidade à atividade agrícola.

Segundo Rosa, a principal prioridade do governo eleito em outubro deve ser uma reestruturação das políticas de crédito e de seguro rural. Hoje, menos de 4% da área agrícola brasileira está coberta pelo seguro rural. “Precisamos ampliar essa proteção para que o produtor tenha segurança não apenas diante de catástrofes climáticas, mas também em situações de perda brusca de renda”, destaca o executivo.

Também devem entrar na pauta o Plano Safra, que, na avaliação da entidade, deve ser continuamente aperfeiçoado para reduzir a burocracia e facilitar o acesso aos recursos. A infraestrutura e a logística também aparecem entre os gargalos estruturais.

O dirigente acrescenta a necessidade de políticas anticíclicas capazes de evitar que períodos de baixa rentabilidade se transformem em ciclos de endividamento. A regularização ambiental e fundiária completa esse conjunto de demandas, com a defesa de maior agilidade na validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e dos títulos das propriedades.

PREVISIBILIDADE

Na avaliação da Aprosoja Brasil, a resposta precisa ultrapassar medidas emergenciais. “Quando estruturamos o agro, estamos também estruturando uma atividade essencial para o desenvolvimento econômico, a geração de renda, a segurança alimentar e a própria estabilidade do País”, afirma Rosa.

Para a agricultura, essa previsibilidade tem reflexos diretos na capacidade de planejamento e investimento. Em um ambiente de crédito caro e menor margem, decisões sobre tecnologia, manejo e contratação de serviços especializados passam a ser ainda mais condicionadas à disponibilidade de recursos e às perspectivas de renda.

Hoje, o Brasil vive uma onda de recuperações judiciais no agro, que segundo Rosa, é resultado da ruptura simultânea de três pilares: produtividade, preços e crédito. Quebras de safra reduziram a produção de muitos agricultores, enquanto os preços de venda não acompanharam os custos de sementes, fertilizantes e defensivos. Na busca por recursos para financiar novos plantios, produtores encontraram juros elevados e menor disponibilidade de crédito, agravando o passivo.

No entanto, o executivo ressalta que o problema não é exclusivamente brasileiro. “Produtores dos Estados Unidos e da Europa também enfrentam níveis elevados de endividamento, em um contexto internacional de custos de produção altos e menor rentabilidade”, pontua.

Tecnologia impulsiona produção e amplia demanda por milho

A produção brasileira de milho e sorgo vive uma clara dualidade. Enquanto a tecnologia da porteira para dentro consolida o País como o terceiro maior produtor e o segundo maior exportador global de milho, os gargalos de infraestrutura e a instabilidade institucional comprometem a rentabilidade e a competitividade do produtor rural. Para o presidente da Associação Brasileira de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, o próximo governo deverá enfrentar os entraves estruturais da atividade com uma visão de longo prazo.

O dirigente, que também preside a Câmara Setorial de Equipamentos para Armazenagem de Grãos (CSEAG) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), destaca entre as prioridades: infraestrutura, crédito, seguro rural, segurança jurídica, equilíbrio macroeconômico e políticas de incentivo à produção e à industrialização.

CENÁRIO
Presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, ressalta o potencial do milho, mas alerta que setor precisa de políticas agrícolas de longo prazo

Bertolini também defende que programas como o Plano Safra tenham caráter mais estruturante e previsível, em vez de dependerem anualmente da disponibilidade orçamentária. Na sua avaliação, políticas agrícolas de longo prazo são necessárias para que o produtor possa planejar investimentos e absorver novas tecnologias.

No comércio exterior, os produtores de milho também esperam por uma reação mais proativa dos eleitos em outubro. Bertolini chama atenção para a necessidade de ampliar o diálogo com os países compradores e acelerar os processos de aprovação de tecnologias agrícolas.

Um dos pontos críticos diz respeito à área de biotecnologia. Cita que alguns eventos desenvolvidos para combater a lagarta-do-cartucho e outras pragas aguardam a aprovação das autoridades regulatórias da China há mais de cinco anos. Como as empresas brasileiras só realizam o lançamento comercial de novas sementes após o aval dos principais países importadores, a lentidão do processo chinês trava a chegada dessas inovações ao campo brasileiro.

Foto: Castor Becker Júnior/C5 NewsPress

Gargalos travam renda do produtor

A produção brasileira de milho e sorgo vive uma clara dualidade. Enquanto a tecnologia da porteira para dentro consolida o País como o terceiro maior produtor e o segundo maior exportador global de milho, os gargalos de infraestrutura e a instabilidade institucional comprometem a rentabilidade e a competitividade do produtor rural. Para o presidente da Associação Brasileira de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, o próximo governo deverá enfrentar os entraves estruturais da atividade com uma visão de longo prazo.

O dirigente, que também preside a Câmara Setorial de Equipamentos para Armazenagem de Grãos (CSEAG) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), destaca entre as prioridades: infraestrutura, crédito, seguro rural, segurança jurídica, equilíbrio macroeconômico e políticas de incentivo à produção e à industrialização.

Bertolini também defende que programas como o Plano Safra tenham caráter mais estruturante e previsível, em vez de dependerem anualmente da disponibilidade orçamentária. Na sua avaliação, políticas agrícolas de longo prazo são necessárias para que o produtor possa planejar investimentos e absorver novas tecnologias.

No comércio exterior, os produtores de milho também esperam por uma reação mais proativa dos eleitos em outubro. Bertolini chama atenção para a necessidade de ampliar o diálogo com os países compradores e acelerar os processos de aprovação de tecnologias agrícolas.

Um dos pontos críticos diz respeito à área de biotecnologia. Cita que alguns eventos desenvolvidos para combater a lagarta-do-cartucho e outras pragas aguardam a aprovação das autoridades regulatórias da China há mais de cinco anos. Como as empresas brasileiras só realizam o lançamento comercial de novas sementes após o aval dos principais países importadores, a lentidão do processo chinês trava a chegada dessas inovações ao campo brasileiro.

Produtores de algodão cobram regras estáveis para avançar

PREVISÃO
Presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, diz que o próximo ciclo de políticas agrícolas precisa prever a gestão de riscos e os eventos climáticos extremos

A cotonicultura brasileira atingiu alto nível de eficiência, tecnologia e sustentabilidade dentro das propriedades. Mas parte dos desafios à competitividade está fora da porteira. Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gustavo Piccoli, os principais gargalos estão na insegurança jurídica, na complexidade regulatória, nas deficiências de infraestrutura e logística, na gestão de riscos e nos eventos climáticos extremos.

“Em uma cultura intensiva em capital, tecnologia e inovação, previsibilidade é fundamental para garantir investimentos de longo prazo”, pontua Piccoli. Por isso, a Abrapa espera do governo que assume em 2027 políticas capazes de enfrentar entraves estruturais e dar mais segurança ao planejamento dos produtores. “O próximo ciclo de política agrícola precisa buscar uma estrutura de financiamento mais diversificada, combinando crédito rural, seguro, mercado de capitais e recursos destinados à adaptação climática”, afirma o dirigente.

A maior frequência de eventos climáticos extremos também reforça a necessidade de instrumentos de proteção ao produtor. A Abrapa defende seguros agropecuários mais robustos, previsibilidade orçamentária, ampliação das fontes de financiamento e estímulo a mecanismos privados de gestão de riscos.

LOGÍSTICA

A logística está entre as prioridades para 2027. O crescimento da produção e das exportações exige investimentos em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e armazenagem. A entidade defende ainda a modernização da infraestrutura de portos e terminais retroportuários.

Na agenda tecnológica, os bioinsumos ganham espaço no manejo integrado de pragas e doenças. Para a Abrapa, eles contribuem para a eficiência produtiva e a sustentabilidade. “A expansão dos bioinsumos é estratégica para a cotonicultura brasileira”, afirma Piccoli.

Diante disso, a associação considera prioritária a regulamentação da Lei nº 15.070/2024. Também defende mais agilidade na avaliação de novas tecnologias para o controle de pragas, como o bicudo-do-algodoeiro. Porém, Piccoli reforça que essa análise, deve manter o rigor científico e a segurança.

Aumento da presença no mercado externo

Na frente comercial, a Abrapa defende a ampliação dos mercados, principalmente na Ásia. Por meio do Cotton Brazil, a entidade promove a fibra brasileira e busca fortalecer sua presença em países como China, Vietnã, Bangladesh e Índia.

Mais do que benefícios pontuais, o setor busca estabilidade, segurança jurídica e previsibilidade. São condições consideradas necessárias para manter os investimentos e a liderança brasileira no mercado mundial.

Para o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, a diplomacia comercial deve acompanhar o esforço do setor privado. A intenção é que contribua para remover barreiras e ampliar o reconhecimento da qualidade, da rastreabilidade e dos atributos socioambientais do algodão brasileiro.

AVIAÇÃO AGRÍCOLA

É nesse cenário que entra a aviação agrícola. A ferramenta de aplicação permite rastreabilidade, inclusive por força de sua regulamentação. Como o algodão é uma cultura tecnificada e exige intenso manejo fitossanitário, a eficiência das operações aéreas também é importante para o setor.  “As regras para a aviação agrícola devem estar fundamentadas em evidências científicas, segurança operacional e boas práticas agrícolas”, reforça Piccoli.

Lembra que a Abrapa vê com preocupação a sobreposição de competências e a existência de regras divergentes entre diferentes esferas de governo. Para a entidade, restrições sem critérios técnicos uniformes aumentam a insegurança jurídica e dificultam o planejamento das operações. Para 2027, a expectativa é de maior harmonização regulatória.

Risco climático, crédito caro e assimetria competitiva

O arroz, uma das principais culturas atendidas pela aviação agrícola do Rio Grande do Sul, lida com a escassez de financiamento, disparidade nos custos frente ao Mercosul e a urgência por uma política de preço mínimo realista. Responsável por cerca de 70% da produção nacional, a área plantada deve ter nova redução neste ano. Uma prévia de intenção de plantio do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga) indica queda de aproximadamente 3,7%. Um volume que reduz também a área voada pelos operadores que têm base no Estado.

O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes, avalia que a retração pode ser maior diante das dificuldades de crédito. Ao mesmo tempo, considera possível uma melhora na remuneração da próxima safra, embora ressalte a existência de estoques e a incerteza climática.

PREOCUPAÇÃO
Presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, conta que o plantio da safra 2026/2027 começou em um cenário com muitos desafios.
Foto: Paulo Rossi/Divulgação

APREENSÃO

Mesmo nesse cenário de apreensão, o plantio já começou. No entanto, a combinação de dificuldades de crédito, renegociações de dívidas e custos elevados aumenta a incerteza. Soma-se a isso, a ausência de mecanismos de comercialização que permitam ao produtor trabalhar com preços futuros, além do crédito rural caro e do seguro agrícola. Segundo Nunes, os juros elevados dificultam tanto o custeio quanto os investimentos e contribuem para o endividamento do setor.

A logística é outro obstáculo. Como a produção está concentrada no Sul, o arroz enfrenta custos maiores para chegar aos principais centros consumidores. Nunes cita a concorrência com o Paraguai, que possui localização mais favorável para abastecer mercados como Minas Gerais e São Paulo. Também aponta dificuldades para ampliar acordos comerciais com países da América Central e com mercados como Colômbia e México.

A tributação é mais um fator de perda de competitividade. De acordo com o dirigente, São Paulo e Minas Gerais têm tributação reduzida ou próxima de zero sobre o arroz beneficiado, enquanto o Rio Grande do Sul mantém uma carga maior. Com isso, parte do beneficiamento migrou para outros Estados. Nunes estima que o Rio Grande do Sul tenha perdido participação nesse segmento nos últimos 10 a 15 anos.

Arrozeiros pedem medidas estruturantes

Mesmo com maior segurança hídrica proporcionada pela irrigação, o arroz permanece vulnerável a enchentes, frio e temperaturas extremas. Para reduzir os riscos, produtores priorizam áreas mais altas, menos sujeitas a inundações, e buscam antecipar o plantio dentro da janela recomendada.

Nesse cenário, o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, defende a ampliação da subvenção ao seguro agrícola, que reduz o valor pago pelo produtor. O problema, segundo ele, é a contingência dos recursos públicos. Quando o repasse não ocorre integralmente, o produtor pode ter de assumir a diferença para manter a cobertura.

Para 2027, a entidade ainda não consolidou uma agenda legislativa, mas trabalha em demandas como um projeto de subvenção estadual ao seguro agrícola no Rio Grande do Sul. Para Nunes, é preciso superar políticas voltadas a “apagar incêndios” e avançar em medidas estruturantes.

Tecnologia e mercado para tornar arroz atrativo

Produzir mais com custo menor é um dos caminhos para preservar a competitividade do arroz gaúcho. Para o presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Alexandre Azevedo Velho, esse desafio passa diretamente pela pesquisa. O instituto trabalha no desenvolvimento de cultivares com maior produtividade e resistência a doenças e prepara duas novas variedades, que estão na fase de multiplicação de sementes para chegar aos produtores na próxima safra.

A estratégia, porém, vai além da lavoura. O Irga também está reestruturando o Departamento Comercial e pretende ampliar os levantamentos de preços e custos de produção, criando referências para subsidiar as negociações do setor, inclusive sobre o preço mínimo.

Segundo Velho, há diferenças entre a metodologia do Irga e a da Conab que precisam ser ajustadas, especialmente na composição dos custos. Segundo ele, o custo médio no Rio Grande do Sul está próximo de 80 reais por saca de 50 quilos, enquanto a referência utilizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estaria em torno de 62 reais a 63 reais (a entrevista foi concedida no dia 10 de setembro de 2026).

MELHORIAS
Alexandre Velho conta que o Irga está avançando para garantir a produtividade e renda dos arrozeiros, com novos cultivares para lançamento na próxima safra e reestruturação do Departamento Comercial.
Foto: Ascom/Irga

O dirigente também defende equilíbrio entre área plantada e mercado, com racionalização das áreas de maior potencial produtivo, rotação de culturas e maior participação das exportações. Na avaliação de Velho, vender de 10% a 20% da produção ao exterior pode funcionar como uma referência para melhorar a comercialização no mercado interno.

Para este ano, o Irga projeta redução de 3,4% na intenção de plantio no Rio Grande do Sul. Para o ciclo que está se iniciando, a intenção de plantio divulgada pelo Instituto aponta para cerca de 860 mil hectares. Na safra 2025/2026 foram semeados 890 mil hectares, já demonstrando retração sobre a safra anterior.

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