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Drones, biotecnologia e geotecnologias na restauração florestal: uma abordagem integrada para o plantio e monitoramento de cápsulas biodegradáveis

O artigo Drones, biotecnologia e geotecnologias na restauração florestal: uma abordagem integrada para o plantio e monitoramento de cápsulas biodegradáveis conquistou o segundo lugar no Congresso Científico da Aviação Agrícola 2025. A apresentação dos trabalhos concorrentes ocorreu no segundo dia do Congresso AvAg, em Santo Antônio de Leverger/MT. Os trabalhos foram avaliados pelo Comitê Científico, composto por especialistas e doutores na área das ciências agrárias.

Publicado em: 10/02/26, 
às 05:00, 
por IBRAVAG

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AUTORES:

Karine Lopes
Universidade Federal de Jataí, Programa de Pós-Graduação em Geografia, Jataí, GO, Brasil. E-mail: karinelopes@discente.ufj.edu.br. Autora para correspondência.

UT
Escola do Futuro – Raul Brandão Mineiros, GO, Brasil. E-mail: wb.r@outlook.com

Deivid Lopes Machado
Universidade Federal de Jataí, Instituto de Ciências Agrárias, Jataí, GO, Brasil. E-mail: deivid.machado@ufj.edu.br.

Frederico Augusto Guimarães
Universidade Federal de Jataí, Instituto de Biociências e Programa de Pós-graduação em Geografia, Jataí, GO, Brasil. E-mail: fredericoagg@ufj.edu.br.

Tecnologias inovadoras, como o plantio florestal com uso de drones e cápsulas biodegradáveis, têm se destacado como alternativas promissoras para a restauração ecológica. As cápsulas visam a proteger as sementes, garantir maior estabilidade térmica e hídrica e permitir a implantação mecanizada, inclusive por dispersão aérea, contribuindo para a redução dos custos operacionais. A inclusão de espécies de adubação verde, como a crotalária, pode ainda melhorar as condições edáficas e oferecer proteção inicial contra a herbivoria. Diante da expressiva demanda por recuperação de áreas degradadas no Brasil, o uso de aeronaves remotamente pilotadas (drones) surge como solução escalável e segura, reduzindo riscos às equipes de campo. Apesar do avanço desses equipamentos em diversos segmentos do reflorestamento, ainda há carência de parâmetros operacionais específicos para sua aplicação em projetos de restauração. Buscando preencher essa lacuna, estudos recentes investigaram o comportamento da faixa de dispersão das cápsulas em diferentes alturas de voo, visando estabelecer padrões técnicos que orientem sua utilização em campo (Lopes, 2024).

O estudo demonstrou que, em maiores alturas em relação ao solo, a faixa de dispersão de sementes é menos concentrada, e que o vento somado às vibrações da aeronave pode interferir na vazão do equipamento. De forma complementar, foi elaborado na linguagem de programação Python o treinamento de modelos de inteligência artificial para classificação de imagens aéreas, com o intuito de, de forma automatizada, encontrar regiões de solo exposto, georreferenciá-las e utilizá-las para a criação de missões de voos para dispersão com drones. Foi possível classificar as imagens com alto nível de detalhamento, quantificar as áreas de solo exposto e marcar os centroides com suas coordenadas geográficas. Por fim, foi feita a modelagem matemática da dispersão aérea com drones por meio de equações que calculam parâmetros essenciais para o dimensionamento operacional da dispersão com drones (Lopes, 2024).

Além dessas aplicações, as RPAs podem ser utilizadas para lançar sementes de forma automatizada, sobrevoando em rotas pré-programadas e cobrindo grandes áreas em pouco tempo (DERSCH, 2021). Em termos de deslocamento, a expectativa é que os drones possam cobrir de 5 a 10 vezes mais áreas comparadas ao trabalho de uma pessoa em solo, considerando que, em cada voo, o equipamento seja programado para retornar à base para troca de baterias e que tenha um sistema de recarga eficiente, permitindo operar por muitas horas sem interrupções.

Figura 1. Configuração da Controladora Pixhawk4 com ArduPilot – A controladora de voo Pixhawk4 é uma plataforma de código aberto que oferece especificações e diretrizes para o desenvolvimento de sistemas em veículos aéreos e terrestres. Para utilizá-la no monitoramento e controle de cultivos, é necessário configurar tanto o hardware quanto o software

Estudos sobre a aplicação de RPAs na semeadura aérea vêm se popularizando como uma técnica potencialmente inovadora e eficiente para recuperar áreas degradadas, trazendo diversos benefícios para processos de restauração ecológica. Essas tecnologias são ideais para atuar em áreas de difícil acesso, minimizando o trabalho manual e aumentando a precisão na aplicação de sementes (CASTRO, J. et al., 2022).

No entanto, esses equipamentos passaram a ser empregados para o transporte e lançamento de diversos materiais, como sementes e insumos agrícolas, executando essas tarefas de maneira rápida e precisa. As capsulas podem ser dispersas em locais específicos, previamente mapeados, e os drones multirotores (RPAS – Remotely Piloted Aircraft System) possuem a capacidade de realizar voos lentos e altamente manobráveis. Por essa razão, estão se tornando cada vez mais aptos a realizar a semeadura direta com alta precisão em paisagens complexas (AGHAI M. e MANTEUFFEL-ROSS T., 2020).

A implementação de um conjunto de tecnologias para gerenciar o plantio de cápsulas biodegradáveis de forma precisa utiliza tecnologias emergentes estratégicas para apoiar a regeneração natural por meio do enriquecimento de espécies e auxiliar no monitoramento ambiental. Este sistema de monitoramento, que utiliza controladoras como a Pixhawk4 juntamente com o ArduPilot e o GCS (Ground Control Station) Mission Planner, facilita o controle preciso de geoprocessamento. Essas tecnologias permitem a automação de diversas tarefas, como a aplicação de pesticidas e a movimentação de servomotores para a dispersão de cápsulas biodegradáveis (Lopes, 2024).

Figura 2. Sensores para drones para monitoramento de plantio de cápsulas biodegradáveis

Hardware

1 – Conexão do Servomotor: Conectar o servomotor a um dos canais (pinos de saída) PWM na lateral da controladora, garantindo que a alimentação seja adequada para a movimentação.

Software

1 – Instalação do Mission Planner: Utilizar o Mission Planner no Windows para acompanhamento e planejamento. Conectar a controladora ao computador via USB e carregar o firmware ArduPlane.

2 – Configuração Inicial: Seguir as instruções do Mission Planner para a calibração do acelerômetro, bússola e rádio.

3 – Configuração dos Servos: No Mission Planner, na aba “Config/Tuning”, ajustar os parâmetros do servo (SERVOX_FUNCTION, SERVOX_MIN, SERVOX_MAX, SERVOX_TRIM) para definir os valores de PWM mínimos, máximos e neutros do servo.

4 – Teste dos Servos: Utilizar a aba “Actions” no Mission Planner para verificar o movimento dos servos, garantindo que respondam corretamente aos comandos.

Funcionamento do Software

1. Recebimento de Comandos: O software ArduPilot na Pixhawk recebe comandos do transmissor de rádio, de um voo pré-programado via GCS ou de um controle manual.

2. Processamento dos Comandos: O firmware do ArduPilot interpreta os sinais de controle e determina os movimentos necessários dos servos.

3. Envio de Sinais PWM: A Pixhawk gera sinais PWM que são enviados para os pinos de saída, determinando a posição do servo.

A utilização de sensores e drones para o monitoramento de restauração, juntamente com tecnologias de controle como a Pixhawk4 e o ArduPilot, representa um avanço significativo na agricultura de precisão. Esses sistemas não apenas aumentam a eficiência e a sustentabilidade das práticas de restauração, mas também fornecem aos agricultores ferramentas para tomar decisões mais informadas e precisas.

Esta tecnologia pode auxiliar significativamente nas técnicas de semeadura aérea. Por exemplo, na técnica de enriquecimento vegetal, onde já houve um plantio anterior de sementes ou mudas, a tecnologia permite realizar um replantio de espécies de sombra (secundárias tardias e climácicas) de forma precisa e eficiente. Isso é especialmente útil para corrigir falhas no plantio inicial que resultaram na formação de clareiras na área em recuperação, garantindo assim uma maior eficácia nos esforços de restauração ecológica.

Referências bibliográficas

AGHAI, M.; MANTEUFFEL-ROSS, T. Enhancing Direct Seeding Efforts With Unmanned Aerial Vehicle (UAV) “Swarms” and Seed Technology. Revista Tree Planters’ Notes. v. 63, n. 2, 2020. p. 32-48.

BARROS, Carvalho; SUASSUNA, Larissa; LEUZINGER, Marcia Dieguez. The Use of Drones as a Tool for Biodiversity Conservation in Brazil. Braz. J. Int’l L., v. 16, p. 141, 2019.

CASTRO, J. et al. Forest restoration is more than firing seeds from a drone. Restor Ecol e13736, 2022. Disponível em: acesso em julho de 2022.

DERSCH, Sebastian et al. Combining graph-cut clustering with object-based stem detection for tree segmentation in highly dense airborne lidar point clouds.

ISPRS Journal of Photogrammetry and Remote Sensing, v. 172, p. 207-222, 2021.

SILVA, N. M.; LOPES, K.; BARBOSA, D. S.; GARCIA, B. H. Y. Processo de recuperação de áreas degradadas por meio de utilidade: cápsulas biodegradáveis aladas dispersas por aeronave remotamente pilotada. Depositante: Universidade Federal de Mato Grosso. BR. Procurador: Allan de Alcântara. BR 10 2020 025102 3. Depósito: 09/12/2020.

LOPES, K. Uso de cápsulas biodegradáveis como estratégia de semeadura para restauração do Cerrado.2024. 119 f. Tese (Doutorado de Geografia) – UFJ-Universidade Federal de Jataí, Goiás. 2024.

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