Vídeos recentes que viralizaram nas redes sociais reacenderam o debate sobre o uso indevido de drones para elevar pessoas. Em um dos casos mais comentados, um homem aparece dentro do tanque de um drone agrícola durante o voo. Em outro episódio, durante o carnaval no Rio de Janeiro, uma escola de samba utilizou um drone voador, equipamento semelhante a um hoverboard aéreo propulsado por hélices para elevar uma pessoa durante o desfile.
Embora essas imagens impressionem o público, especialistas alertam que tais práticas envolvem riscos significativos e, no Brasil, ainda enfrentam restrições legais.
Segundo o sargento bombeiro militar e instrutor de pilotos de drone Sebastião de Souza Almeida Junior, a busca por impacto visual não pode se sobrepor à segurança operacional.

O equipamento apresentado no desfile não foi divulgado, a informação que temos até o momento é que foi pilotado pelo canadense Alexandru Duru se assemelha a um propeller-based hoverboard — uma plataforma multirrotor experimental desenvolvida para elevação individual.
Em testes controlados e ambientes regulamentados, esses dispositivos podem apresentar recursos de segurança como:
- redundância de motores
- sistemas de estabilização avançados
- controle eletrônico de voo assistido
- proteção estrutural reforçada
Entretanto, no Brasil, não há regulamentação específica que autorize o uso operacional desse tipo de aeronave para transporte humano.
Até o momento:
- o transporte de pessoas por drones ou plataformas multirrotor não certificadas é proibido;
- operações experimentais exigem autorização específica das autoridades aeronáuticas;
- voos sobre pessoas sem proteção adequada são vedados pelas normas de segurança;
- a responsabilidade civil e criminal recai sobre operadores e organizadores.
Além disso, voar sobre pessoas representa risco elevado em caso de falha.
Capacidade de carga NÃO significa segurança para transporte humano
Em outro caso recente, que viralizou nas redes sociais, do hojovem que aparece dentro do tanque de um drone agrícola, controlando seu próprio voo. Embora drones agrícolas, como os da linha DJI Agras, possuam grande capacidade de carga, eles não foram projetados para transportar pessoas. As práticas desse tipo representam riscos severos e podem resultar em acidentes graves ou fatais, conforme especialistas.
Drones agrícolas são projetados para transportar líquidos, fertilizantes e insumos agrícolas, cuja distribuição de peso é homogênea e previsível.
O transporte de uma pessoa altera completamente:
- o centro de gravidade
- a estabilidade dinâmica
- a resposta dos controladores eletrônicos
- o comportamento em rajadas de vento
- a margem de segurança estrutural
Mesmo que o drone consiga levantar o peso, isso não significa que o voo seja seguro. Existe uma série de riscos associados a essa prática: Falha mecânica, Falha eletrônica, perda de sinal, pane em algum rotor, falha da bateria, interferência eletromagnética, erro operacional. Sem certificação aeronáutica específica para transporte humano, qualquer falha pode resultar em queda imediata.

As hélices de drones de grande porte operam com alto torque e velocidade.
Em equipamentos desse porte:
- rotações podem ultrapassar milhares de RPM;
- pás reforçadas em materiais compostos;
- velocidade nas extremidades pode exceder 200 km/h.
O impacto pode causar:
- lacerações profundas
- fraturas expostas
- amputações traumáticas
- lesões fatais
A turbulência gerada pelas hélices pode comprometer o equilíbrio do ocupante. O fluxo descendente de ar gerado por multirrotores de alta potência pode: desestabilizar o corpo humano, dificultar a respiração, levantar partículas e detritos, causar impactos indiretos.
“A tecnologia evolui rapidamente, acredito que em um futuro não tao distante teremos drones transportando pessoas e, qualquer operação aérea precisa respeitar limites técnicos e regulatórios. Improvisações podem transformar uma demonstração em tragédia”, alerta o sargento bombeiro e instrutor de drones Sebastião de Souza Almeida Junior.
Embora novas plataformas multirrotor capazes de elevar pessoas estejam em desenvolvimento no mundo, o uso operacional desse tipo de equipamento ainda não é regulamentado no Brasil. O transporte humano com drones não certificados e o voo sobre pessoas representam riscos graves e potenciais violações das normas de segurança. A conscientização e o respeito às regulamentações são essenciais para prevenir acidentes e preservar vidas.

Sgt. BM Sebastião de Souza Almeida Junior é bombeiro militar no Estado de Goiás com mais de 16 anos de experiência em operações de emergência e salvamento. Especialista e instrutor de pilotagem de aeronaves remotamente pilotadas (RPA), atua no emprego de drones em busca e resgate, monitoramento de incêndios, mapeamento de áreas de risco e apoio a operações de segurança pública. Possui mais de 10 anos de experiência em salvamento em altura e formação em Adm de Empresas, pós graduado em Segurança do Trabalho, Gerenciamento de crises, Planejamento estratégico e, Introdução à Inteligência pelo SENASP.







