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Aviação agrícola cresce 3,99% e chega a 2.280 aeronaves

Frota brasileira segue sendo a segunda maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e tem ligação direta com o aumento da produtividade no setor primário

Publicado em: 31/05/20, 
às 17:06
, por IBRAVAG

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A aviação agrícola brasileira entrou 2020 com 2.280 aeronaves (2.265 aviões e 15 helicópteros), com um crescimento de 3,99% em 2019, devido ao acréscimo de 86 aeronaves à frota. Os dados são do levantamento feito pelo engenheiro agrônomo, consultor e ex-diretor do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Eduardo Cordeiro de Araújo. Os números são do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A taxa de crescimento mantém a retomada do setor verificada em 2018, quando cresceu 3,74%, depois de um 2017 com incremento de apenas 1,53%. Boa fase que teve ecos também fora do País: enquanto a indústria de aviões agrícolas dos Estados Unidos teve diminuição nas encomendas do ano passado, a entrega de aparelhos para o Brasil chegou a representar quase metade da produção para uma das fábricas. Aliás, a força aérea agrícola brasileira segue como a segunda maior do mundo, atrás apenas dos norte-americanos, que contam com cerca de 3,6 mil aeronaves – segundo a Associação Nacional de Aviação Agrícola dos Estados Unidos (NAAA, na sigla em inglês). Os brasileiros estão à frente ainda de potências como o México (2 mil aeronaves), Argentina (1,2 mil aeronaves) e Austrália (300 aeronaves), entre outras. 

Reflexo (e, em parte, causa) de um campo mais produtivo por aqui. Desde 2018, o Brasil vem rivalizando com os norte-americanos no topo do ranking mundial da produção de soja: não conseguiu ultrapassar o Tio Sam naquele ano devido a uma seca no Paraná. Mas, para 2019/2020, uma nova previsão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta nesse sentido. Enquanto isso, a ferramenta aérea segue como fundamental para a produtividade em outras lavouras essenciais para a balança comercial brasileira, como a cana-de-açúcar, o milho, arroz, algodão, frutas, café e até, indiretamente, na pecuária – onde aviões são importantes no plantio de pastagens. Ou seja, mais do que nunca, um setor que ajuda a alimentar, vestir e mover o País.

AUMENTO: Levantamento apontou 86 novas aeronaves atuando em lavouras no País
Crédito: Castor Becker Júnior/Sindag

Número de empresas aeroagrícolas passou de 253 para 267

O estudo Frota Brasileira de Aeronaves Agrícolas – 2019 abrange também o número de empresas aeroagrícolas (categoria SAE-AG, que são as prestadoras de serviços aos produtores), que passou de 253 em 2018 para 267 este ano – aumento de 5,13% (superior aos 3,7% de crescimento em 2018). Já a quantidade de operadores privados (categoria TPP, que são os agricultores, fazendas empresariais ou cooperativas que têm suas próprias aeronaves) chegou a 650 no final de 2019 – eram 585 no ano anterior.

Já a proporção na distribuição de frota entre operadores SAE e TPP ficou a seguinte:

  • 1.427 aeronaves (62,59%) estão com as 267 empresas aeroagrícolas – operadores de Serviço Aéreo Especializado Agrícola (SAE/AG).  
  • 825 aeronaves (36,18%) são dos cerca de 650 operadores de Serviço Aéreo Privado (TPP).
  • As 28 aeronaves restantes na conta são de governos ou autarquias federais ou estaduais, além de protótipo e aeronaves de instrução. Por exemplo, aviões pertencentes a corpos de bombeiros (combate a incêndios), os usados pela Academia da Força Aérea e aparelhos das seis escolas de formação pilotos agrícolas do País.

No topo do ranking, Mato Grosso recebe 30 aviões

O balanço da frota aeroagrícola é feito pelo consultor Eduardo Araújo desde 2012, com base nos arquivos da Anac. Como das outras vezes, ele considerou os números da frota de 2019 em 31 de dezembro, abrangendo também as unidades da Federação. Nesse ponto, o ranking por Estados continua liderado pelo Mato Grosso, cuja frota também foi a que mais cresceu. São agora 524 aviões agrícolas, 30 aparelhos a mais do que no levantamento anterior.

Em segundo vem o Rio Grande do Sul, que fechou 2019 com 426 aviões agrícolas em seu território – um a menos do que em 2018. Já São Paulo tem a terceira maior frota e foi o segundo Estado em que a aviação agrícola mais cresceu no País: são 339 aeronaves, 22 a mais do que no balanço anterior.

Além de aeronaves novas que entraram no mercado, o balanço tem reflexo ainda de empresas que foram transferidas de Estado, por venda ou arrendamento. Conforme Araújo, o estudo considerou para o ranking o domicílio do operador de cada aeronave (fosse ele o proprietário ou a tivesse arrendada).

Assim, Goiás, o quarto no ranking, tem 10 aviões a menos (total 277 aparelhos atualmente). E o Paraná, quinto na lista, ganhou sete aviões, passando para 141. Outros seis Estados tiveram aumento de frota, cinco diminuíram e cinco Estados mais o Distrito Federal ficaram estáveis. Uma novidade na lista foi o Amapá, que não aparecia no levantamento anterior e agora conta com uma aeronave agrícola registrada.

VARIAÇÕES: relatório apresentou variações entre os Estados
Crédito: Castor Becker Júnior/Sindag

Embraer ainda lidera ranking de fabricantes

Embora tenha registrado aumento de 11 aviões da marca no relatório das aeronaves agrícolas no Brasil, totalizando 1.284 aparelhos em 2019, a Embraer perdeu participação, de 58,02% em 2018 para 56,32% da frota no ano passado. Mas nada que lhe tirasse a franca liderança entre 16 fabricantes. A segunda colocada é a norte-americana Air Tractor, que tem 418 aviões, 18,33% do total.

A vedete da Embraer, o Ipanema 203, é a sétima geração do modelo lançado nos anos 1970. Graças a um diferencial importante: desde 2004 (modelo 202 A) o Ipanema sai de fábrica movido a etanol. Com motor a pistão, como 81% da frota nacional, o avião nacional atingiu no final de 2018 o total de 1,4 mil unidades entregues pela fábrica. Das quais 1.284 figuram nos registros da Anac.

LÍDER: Embraer continua à frente entre 16 fabricantes
Crédito: Castor Becker Júnior/Sindag

Helicópteros seguem abrindo espaço

Esta é a terceira edição do estudo que abrange também a frota de helicópteros atuando nas lavouras. As asas rotativas voltaram ao mercado aeroagrícola brasileiro em 2016, depois de terem ficado fora dos campos desde o final dos anos 1970, por motivos econômicos. Justamente o fator que agora está favorecendo sua volta, buscando nicho em áreas de geografia acidentada, com muitos obstáculos ou sem pista próxima (o pouso de abastecimento pode ser feito sobre o caminhão de apoio).

Atualmente, eles ainda representam 0,65% do total de aeronaves, mas com boas expectativas. Nos Estados Unidos, por exemplo, os helicópteros são 15% da frota no trato de plantações, segundo a NAAA. No entanto, Araújo lembra que o resultado do levantamento nesse segmento deve ser visto com alguma cautela. “Em função da dificuldade em identificar, no banco de dados da Anac, os helicópteros certificados como agrícola”, assinala o consultor. 


País ganha importância no mercado global de turboélices

O balanço da frota aeroagrícola em 2019 também comprovou que segue firme a tendência de aumento da fatia dos aviões turboélices no mercado brasileiro, repetindo aqui o fato que ocorreu a partir dos anos 70 nos Estados Unidos. Atualmente, lá as aeronaves turbo já representam quase 70% da frota. No Brasil, os turboélices eram 7,27% de todas as aeronaves agrícolas em 2011. No final de 2019, esse percentual já havia saltado para 18,96%. Comparando o segmento com todo o setor, o desempenho fica mais expressivo: enquanto toda aviação agrícola brasileira cresceu 46% nos últimos dez anos, no mesmo período o aumento entre os turboélices bateu os 252% 

Desempenho que também colocou o Brasil como principal mercado mundial do segmento no último ano, segundo relatório da Associação dos Fabricantes da Aviação Geral dos Estados Unidos (GAMA, na sigla em inglês), divulgado em fevereiro. O levantamento da instituição apontou que a aviação de asas fixas teve a as mais altas vendas da década… menos entre os turboélices. Segundo o portal Flight Global (um dos principais sites sobre mercado aeronáutico global), justamente pela menor demanda no setor agrícola norte-americano. E é aí que o Brasil ganhou importância.

Dos 145 turboélices agrícolas fabricados em 2019, foram 119 da texana Air Tractor e 26 da Thrush Aircraft, no Estado norte-americano da Georgia. A Air Tractor, maior fabricante de aeronaves agrícolas do planeta, exportou para a América do Sul mais da metade de sua produção. De 72 aviões, 53 vieram para o Brasil (outros cinco foram para a Argentina, três para o Chile e um para a Bolívia).

CRESCIMENTO

“No ano anterior também mais da metade da produção da fábrica tinha sido destinada para a América do Sul, em especial o Brasil”, ressalta o representante da Air Tractor no País, Fabiano Zaccarelli Cunha. “É uma questão de rendimento e custo operacional”, ressalta, sobre as vantagens dos turboélices, maiores e mais rápidos que os aviões com motores a pistão.

Já Diego Preuss, também representante brasileiro da marca, lembra que, além da soja, o crescimento foi puxado pelo aumento das lavouras de algodão no Nordeste, a maior produtividade da cana-de-açúcar e outras culturas. “Além disso os Estados Unidos estão ‘maduros’: não têm tanto espaço para expansão como o Brasil e a frota está consolidada. Ao passo que aqui há fôlego para as lavouras crescerem sem avançarem sobre áreas ambientais e a aviação agrícola vem recuperando terreno perdido para os equipamentos terrestres”. Sem falar no aumento da fatia dos turbos sobre os motores a pistão.  

AIR TRACTOR: empresa texana enviou 53 aviões para o Brasil em 2019
Crédito: Castor Becker Júnior/Sindag

TABELAS

Ranking nacional

UF                              Aeronaves                %

Mato Grosso                        524                 22,98

Rio Grande do Sul              426                 18,68

São Paulo                             339                 14,87

Goiás                                     277                 12,15

Paraná                                  141                   6,18

Mato Grosso do Sul             132                   5,79

Bahia                                       99                   4,34

Minas Gerais                          83                   3,64

Tocantins                               52                   2,28

Pará                                         44                   1,93

Maranhão                               36                   1,58

Rondônia                                22                   0,96

Alagoas                                   20                   0,88

Santa Catarina                       15                  0,66

Distrito Federal                      15                  0,66

Piauí                                        15                   0,66

Rio de Janeiro                       14                   0,61

Roraima                                    8                   0,35

Pernambuco                            8                   0,35

Acre                                           3                   0,13

Espírito Santo                          3                   0,13

Amazonas                                2                   0,09

Sergipe                                     1                   0,04

Amapá                                       1                   0,04

TOTAL                                2280              100

Crescimento da frota (ano/aeronaves)

2008    1447

2009    1498

2010    1560

2011    1693

2012    1811

2013    1925

2014    2007

2015    2035*

2016    2083

2017    2115

2018    2194

2019    2280

(*) Araújo não fez estudo da frota em 2015, quando o levantamento foi feito pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) 

COMBUSTÌVEL AERONAVES %

ÁLCOOL 804 35,26

GASOLINA 1041 45,66

QUEROSENE 435 19,08

Fabricante    quantidade               %

Embraer/Neiva           1284    56,32

Air-Tractor                  418      18,33

Cessna                       280      12,28

Piper                           155        6,80

Thrush                          42        1,84

Ayres                            19        0,83

PZL                               18        0,79

Laviasa                         18        0,79

Robinson                      11        0,48

Chincul                         11        0,48

Ag-Cat Co.                   10        0,44

Aircraft Parts                  4        0,18

Gippsland                       3        0,13

Bell                                 3        0,13

Hughes                           2        0,09

Bellanca                          2        0,09

Aeronaves turboélices

Quantidade    % da frota

2011   123                 5,37

2012    159                6,95

2013    210                9,17

2014    250                10,92

2015* ————————

2016    260                11,36

2017    308                13,46

2018    365                15,95

2019    434                18,96

(*) Não houve levantamento

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