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O uso de herbicidas auxínicos no Rio Grande do Sul e os impactos da deriva de aplicação em culturas sensíveis: as soluções

Publicado em: 17/07/26, 
às 07:00, 
por IBRAVAG

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Claud Goellner

Os produtos fitossanitários são fundamentais para os sistemas de produção agrícola, porém podem oferecer riscos para o ambiente. A tecnologia de aplicação deve ser planejada de maneira responsável e sustentável, sempre visando minimizar o potencial de danos à saúde humana, animal e aos recursos naturais. A tecnologia de aplicação não se resume ao ato de aplicar o produto, mas sim na interação entre vários fatores (cultura, alvo, produto, equipamento e ambiente) buscando um controle eficiente, com custo baixo e mínima contaminação ambiental. Estes produtos podem ser pulverizados via terrestre, aérea e costal. Independente do equipamento utilizado para a pulverização desses produtos, devem ser observadas as recomendações de Tecnologia de Aplicação, a fim de obter eficiência no controle do alvo biológico e evitar perdas ocasionadas por deriva.

 A deriva é a fração dos ingredientes ativos que não atinge o alvo devido ao carregamento das gotas, evaporação e outros processos. O movimento do produto fitossanitário ou de partículas da calda de pulverização para fora da área de aplicação por difusão ou fluxo de massa é denominado de deriva. Existem dois tipos de deriva: a deriva de gotas da calda de aplicação por fluxo de massa e a deriva de vapor que ocorre para produtos voláteis através da difusão. As variáveis que afetam a deriva são uma combinação das condições meteorológicas, propriedades físicas do produto, formulação, tipo de bico e tamanho de gotas e padrões tecnológicos e operacionais do equipamento de pulverização.

 O controle da deriva é um desafio tanto agronômico como financeiro. Perder produto significa desperdiçar dinheiro e comprometer a eficiência do manejo.

Os fatores que exercem influência significativa no movimento das gotas são a velocidade e a direção do vento, tamanho e densidade de gotas e distância da barra até o alvo. Outros fatores são a velocidade terminal das gotas, umidade relativa do ar, temperatura ambiente e condições de turbulência atmosférica e inversões térmicas.

Vários trabalhos de pesquisa utilizando da metodologia de redes neurais (Modelo ANN) e utilizando dados de coleta das partículas arrastadas pelo vento em várias velocidades, tipos de bico e seu espectro de gotas produzidas, altura de barra e pressão de trabalho mostram através da análise de sensibilidade destas variáveis que a velocidade do vento é responsável por 42% da deriva, pressão de trabalho 27%, altura da barra em relação a cultura 16% e o tipo de bico 15%. Como vemos a velocidade do vento teve a maior influência, portanto a adoção de técnicas de redução de deriva que evitem a aplicação em condições atmosféricas inadequadas e a observação da pressão de trabalho recomendada para o tipo de bico utilizado, bem como a altura da barra correta reduzirão de forma efetiva o potencial de deriva em uma aplicação, independentemente do método utilizado e do equipamento.

Como reportamos anteriormente, pior do que aplicar um produto e não ver resultado, é perceber que a pulverização prejudicou as culturas sensíveis de uma área vizinha, gerando um problema de vizinhança e um passivo ambiental e jurídico. Portanto o planejamento de uma aplicação deve ser feito de forma prévia e adotando uma série de medidas, que no seu conjunto denominamos de Técnicas de Redução de Deriva (TRD), entre os quais podemos citar:

1-Controle o Tamanho e o Peso das Gotas: escolha bicos que produzam gotas maiores (preferencialmente na faixa de 300-500µ) e o mais importante ainda, que tenham uma baixa percentagem de gotas pequenas.

2.-Monitore as Condições Climáticas Durante a Aplicação: Para evitar a deriva, a aplicação deve ser feita em condições climáticas ideais. A recomendação geral é:

•           Temperatura: abaixo de 30°C.

•           Umidade relativa do ar: acima de 55%.

•           Velocidade do vento:  preferencialmente entre 3 e 15 km/h.

Pesquisas mostram que condições de vento inadequadas podem aumentar as distâncias de deriva em até 128%. Por outro lado, evite pulverizar com ventos abaixo de 3 km/h. A falta de vento favorece a inversão térmica, mantendo gotas finas suspensas no ar, que podem se deslocar para áreas indesejadas por quilômetros. Ventos com velocidade menor que 3 km/h também podem ser um problema, pois podem ocorrer inversões térmicas e a falta de vento pode reduzir a penetração do produto nas partes mais baixas das plantas. Para garantir a aplicação nas melhores condições, é fundamental monitorar o tempo com uma estação meteorológica ou utilizar um anemômetro durante a aplicação.

3- Utilize Adjuvantes para Reduzir a Deriva: os Adjuvantes são produtos adicionados à calda de pulverização para melhorar a eficiência da aplicação, podendo aumentar a aderência, espalhamento ou reduzir a deriva. Existem adjuvantes com diversas funções, e uma delas é justamente a função antideriva. Mas cabe destacar aqui, que é fundamental utilizar o adjuvante adequado ao produto e formulação. Existem inúmeros adjuvantes já exaustivamente testados e comprovadamente eficientes na função antideriva, que se baseia no aumento na proporção de gotas grandes.  O uso de óleo mineral é um deles.

4-Escolha Corretamente a Ponta de Pulverização: a escolha correta do bico de pulverização ajuda a reduzir as perdas por deriva e garante uma aplicação mais uniforme. O fator mais importante para essa decisão é o alvo que você deseja atingir e o tipo de ação do produto. Se há necessidade de maior cobertura foliar ou de maior penetração. Depois disto, escolha bicos que produzam gotas grandes ou bicos antideriva como os de indução a ar. Estudos comprovam que o uso de bicos de indução a ar, podem reduzir a deriva em até 90%. Também é fator importante, respeitar a pressão de trabalho recomendada para cada bico. O aumento na pressão além desta faixa recomendada vai aumentar a percentagem de gotas pequenas para além do limite desejável.

5-Ajuste, a Altura da Barra e a Cobertura: para uma aplicação correta e sem deriva, a altura da barra do pulverizador deve ser ajustada em relação ao alvo. A recomendação geral é manter a barra a aproximadamente 50 cm de altura do alvo. Essa altura pode variar conforme o tipo de bico e o espaçamento entre eles para garantir a sobreposição correta dos jatos. Depois de ajustar a altura, verifique se a cobertura está ideal, ou seja, se a quantidade de gotas do produto depositada sobre o alvo é suficiente. Uma boa cobertura depende de vários fatores:1) Tipo de produto: a formulação (pó, granulado, líquido) e suas características;2) Tamanho de gota: como já vimos, gotas menores cobrem mais, mas derivam mais;3) Uso de surfactantes/adjuvantes: podem melhorar o espalhamento das gotas;4) Volume de calda aplicado: trabalhe na faixa recomendada para cada caso.

6- Faça a Manutenção dos Equipamentos: mantenha os equipamentos sempre em dia, com check in periódicos e antes de cada aplicação. Elabore uma lista de verificação incluindo: tubulações; bicos; espaçamento e angu e ângulo de inserção dos bicos; regulador de pressão; agitador hidráulico e outros componentes. Inúmeros trabalhos mostram que a correta manutenção dos equipamentos resulta em redução significativa dos problemas de deriva.

7- Qualifique os operadores e respeite a Legislação: a qualificação dos operadores em tecnologia de aplicação e a adoção de Boas Práticas de Aplicação é também muito importante. Inúmeros cursos são oferecidos periodicamente por instituições como o SENAR. Desta forma, mantenha os mesmos constantemente atualizados e qualificados. De outra forma, inúmeros regulamentos tratam da questão da deriva, tanto a nível federal, como estadual e devem ser conhecidos e respeitados. No caso dos herbicidas auxínicos é importante destacar as IN 12 e 13/2022 da SEAPI/RS.

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