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Ibravag investe na educação para virada de chave na aviação agrícola

Ibravag aguarda homologação da Anac para abrir as turmas voltadas a formação de pilotos agrícolas, focada na parte teórica, operando como um Ciac

Publicado em: 10/07/26, 
às 14:00, 
por IBRAVAG

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O Instituto Brasileiro da Aviação Agrícola (Ibravag) projeta para o segundo semestre o lançamento do seu Curso de Formação de Pilotos Agrícolas, passando a atuar também como um Centro de Instrução de Aviação Civil (Ciac). A iniciativa em parceria com a Escola do Agronegócio da Atitus Educação surge como uma resposta estratégica para dois grandes desafios do setor no País: renovação do quadro de profissionais diante do crescimento da frota nacional de aeronaves e redução do número de acidentes.

O curso de formação com foco na teoria também atende ao clamor dos empresários do setor preocupados com a qualidade da formação e com os índices de acidentes registrados nos últimos anos. Análise recente mostra que a maioria das ocorrências são motivadas por questões relativas ao fator humano.

A afirmação pode ser conferida no Painel Sipaer – Ocorrências Aeronáuticas na Aviação Civil Brasileira (Veja QR Code), ferramenta de visualização de dados desenvolvida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Conforme relatório, nos últimos dez anos, mais de 90% dos acidentes aeroagrícolas estão relacionados ao fator humano. Entram nessa conta desde desempenho técnico até questões ligadas ao processo decisório, Dados acessados em 30 de junho de 2026.

DIREÇÃO
Presidente do Ibravag, Júlio Kämpf, está à frente do projeto de consolidação do Ibravag como um centro de inovação aeroagrícola

SALTO HISTÓRICO

“A aviação agrícola brasileira está em constante direção à modernização e à segurança operacional”, pontua o presidente do Ibravag, Júlio Augusto Kämpf. O Curso de Formação de Pilotos Agrícolas oferecido pela entidade acompanha a uma mudança de dinâmica no campo e as exigências voltadas à sustentabilidade ambiental, social e econômica. Com um currículo ampliado e um time de professores com larga experiência no setor, muitos deles mestres e doutores em suas áreas de atuação, a formação chega para reforçar o Instituto como uma referência no campo da Educação, um dos pilares da sua criação – os outros dois pilares são comunicação e desenvolvimento tecnológico.

Pensando em atender as necessidades do setor, o grande diferencial do novo curso está na reformulação e expansão da matriz curricular teórica do Cavag (Curso de Aviação Agrícola), certificação exigida pela Anac para atuar como piloto agrícola no Brasil. O conteúdo programático terá carga horária ampliada em relação aos modelos tradicionais, com foco na realidade das operações aeroagrícolas, superando os requisitos mínimos exigidos pela Anac e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Fazem parte do conteúdo do curso oferecido pelo Ibravag temas como tecnologia embarcada, gestão de risco, fatores humanos e exigências ambientais — refletindo a complexidade atual da operação aeroagrícola.

Uma necessidade, conforme o presidente do Ibravag, tendo em vista que “o avião é considerado uma ferramenta indispensável de produtividade e sustentabilidade econômica devido à sua velocidade e eficiência de aplicação”.

Conteúdo robusto, atualizado e completo

Vale alertar que o novo curso não interfere nas escolas de formação de profissionais para a aviação agrícola tradicionais (veja quadro ao lado), pois não oferecerá aulas práticas. As escolas já existentes podem mater seus cursos como estão ou centrar sua formação na parte prática, recebendo os alunos do centro de formação do Ibravag. A ideia é envolver os Ciacs já existentes, tanto que a entidade já iniciou rodadas de negociação para credenciar escolas de aviação que queiram se alinhar a esse novo modelo pedagógico.

PROFISSIONAL DE PONTA
Para Marcelo Drescher, coordenador de conteúdo do curso, a iniciativa tem o objetivo de valorizar o piloto agrícola

O coordenador de conteúdo do Curso de Formação de Pilotos Agrícolas do Ibravag, o engenheiro agrônomo Marcelo Drescher, destaca que o projeto chega para ampliar as opções de formação teórica. Para isso, oferece um modelo flexível que se integra perfeitamente à parte prática. O curso, que aguarda a homologação da Anac, ocorrerá pelo modelo híbrido. A parte EaD poderá ser feita no mínimo em três semanas e no máximo em 20 semanas. Já as aulas presenciais terão duração de uma semana – de segunda a sexta-feira.

VALORIZAR

A prova da banca da Anac será no último dia das aulas presenciais, marcando o encerramento do curso. “Estamos entregando uma teoria mais robusta, atualizada, completa”, reforça o mestre em Química e Fertilidade com especialização em Ergonomia, que ficou responsável pelas disciplinas Formação do Piloto Agrícola – Avião e Segurança de Voo e Prevenção de Acidentes.

Drescher destaca que a iniciativa busca valorizar o piloto agrícola, garantindo que ele entre no mercado como um profissional de ponta, bem-preparado, seguro e consciente de sua missão. Para isso, a escolha de um corpo docente que reúne profissionais reconhecidos no mercado e que atuam na criação e desenvolvimento de técnicas e tecnologias. “A ideia é contribuir para elevar o padrão de formação e, consequentemente, a segurança e eficiência da aviação agrícola brasileira”, pontua o professor.

Iniciativa pioneira quer mudar a percepção pública sobre a aviação agrícola

“Se a aviação agrícola quer avançar, ela tem que avançar segura, ela tem que avançar com conhecimento, com passos firmes e certos.” A frase é do coordenador do Curso de Formação de Pilotos Agrícolas do Ibravag, Eduardo Hentschke Schroeder. O empresário e piloto agrícola acredita que o investimento em educação é o único caminho para que o setor cresça de forma sólida.

O comandante, que atua também como coordenador da Câmara Temática de Pilotos do Ibravag, observa que o objetivo da profissionalização vai além da técnica, busca também impactar positivamente a percepção pública sobre a atividade.

INÉDITO
Piloto agrícola e coordenador geral do Curso de Formação, Eduardo Schroeder destaca pioneirismo do Instituto ao montar essa capacitação

O ineditismo da proposta é um dos pontos altos do projeto. De acordo com os idealizadores, nem mesmo mercados tradicionais e de forte apelo tecnológico na aviação, como os Estados Unidos, possuem um modelo de formação de piloto agrícola estruturado e gerido por um instituto.

De acordo com Schroeder, a iniciativa pioneira e customizada para a realidade do campo brasileiro pretende entregar ao mercado profissionais altamente qualificados e prontos para pilotar o futuro do agronegócio nacional.

HUB DE MODERNIZAÇÃO
Colle reforça a importância dos cursos oferecidos pela entidade setorial para a valorização dos profissionais

Cursos de formação e atualização de pilotos consolida Ibravag como centro de educação

Os programas do Ibravag voltados aos comandantes das aeronaves têm conquistado cada vez mais participantes. A edição de junho do Curso de Atualização de Pilotos Agrícolas reuniu 210 profissionais, marcando a consolidação do projeto destinado aos profissionais que já estão na ativa enfrentando a rotina do campo. Esta é a primeira turma à distância e contou com inscritos de 14 Estados brasileiros.

As primeiras cinco turmas do Curso de Atualização de Pilotos Agrícolas foram presenciais e trouxeram ao Brasil profissionais de outros países, como o Equador. O primeiro encontro ocorreu em Orlândia/SP, nos dias 16 e 17 de julho de 2023. “Mais do que uma simples revisão teórica, o programa de atualização funciona como um hub de modernização para o setor”, explica o diretor-executivo do Ibravag/Sindag, Gabriel Colle.

DUPLA ABORDAGEM

O Curso de Atualização de Pilotos reforça pilares essenciais como as boas práticas nas aplicações aeroagrícolas e a segurança operacional. E vai além: leva ao piloto as últimas novidades em tecnologias embarcadas — um segmento que evolui rapidamente — e aborda temas fundamentais para a longevidade da carreira, como planejamento profissional e qualidade de vida.

Para Colle, com essa dupla abordagem — formando novos pilotos com uma base teórica expandida e atualizando continuamente os veteranos —, o Ibravag consolida a educação como a principal ferramenta para mitigar riscos e garantir a eficiência econômica e ambiental do setor. O executivo atuará como professor na disciplina Ética e profissionalismo.

Parceria estratégica conecta universidade às demandas reais do mercado de trabalho

A parte presencial do curso de formação de pilotos agrícolas do Ibravag ocorrerá no ambiente universitário, porém com o conteúdo desenvolvido pelo Instituto. A realização das aulas será na Escola do Agronegócio da Atitus Educação, no Câmpus Mont’Serrat (Porto Alegre/RS), indo ao encontro da proposta da instituição de ensino de buscar profissionais que unam excelência técnica e visão estratégica de mercado.

De acordo com o diretor da Escola do Agronegócio da Atitus, Deniz Anziliero, a escola de ensino superior rompeu a tradicional “bolha acadêmica” e aposta em um modelo pedagógico diretamente conectado ao setor produtivo. É dentro dessa filosofia que se insere o curso de formação de pilotos agrícolas. “Uma iniciativa viabilizada por meio de uma sólida parceria com o Instituto Brasileiro da Aviação Agrícola (Ibravag)”, completa o gestor.

“A nossa proposta com o Ibravag é levar a formação de pilotos para um outro patamar. Unimos forças para entregar ao mercado uma formação mais estruturada, organizada e com qualidade superior”, ressalta Anziliero. E destaca que o curso de pilotos não surge de forma isolada, mas como a evolução natural de uma cooperação que já colhe frutos há quase três anos. Desde 2023, o Ibravag faz parte de um programa institucional da Atitus que engloba mais de 40 empresas e entidades parceiras, com o objetivo de desenhar as lideranças e os formadores de opinião do futuro do agro.

VISÃO SISTÊMICA

Anziliero reforça que no programa de parcerias, o Ibravag e o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) não são apenas apoiadores institucionais: eles participam ativamente da jornada dos estudantes, propondo desafios reais do campo e trazendo seu know-how setorial para dentro das salas de aula. “Essa abordagem resolve um problema histórico das faculdades tradicionais de ciências agrárias: o distanciamento da realidade da tecnologia aeroagrícola”, assinala o diretor da Escola do Agronegócio.

LOCAL
Câmpus Mont’Serrat em Porto Alegre/RS já foi vistoriado pela Anac para abrigar as aulas presenciais do Curso de Formação de Pilotos Agrícolas

Entende que a presença constante do Ibravag no câmpus por meio de workshops, eventos e dias de campo permite aos acadêmicos compreenderem os bastidores, a segurança e a governança do setor bem antes de formados. “Isso força o aluno a olhar o setor aeroagrícola com outros olhos, desenvolvendo uma visão sistêmica que ele dificilmente teria fora daqui”, aponta. Com isso, supre uma lacuna deixada pela formação acadêmica em relação às aplicações aéreas. “Hoje, todas as universidades têm um tempo limitado de conteúdo. Por mais que a aviação agrícola seja importante, tradicionalmente o que ocorre nos cursos é uma abordagem superficial, uma pincelada rápida”, contextualiza Anziliero.

Mais do que habilitar novos pilotos, Anziliero adianta que a parceria já mira no longo prazo. A expectativa da instituição é que esse novo ecossistema dê origem a um portfólio robusto voltado à educação continuada, oferecendo cursos de extensão, atualizações regulatórias e capacitações de aprimoramento contínuo para os profissionais que já atuam na linha de frente da aviação agrícola nacional.

EXPECTATIVA
Deniz Anziliero destaca que abertura do curso é o início da criação de um portfólio voltado à educação continuada, como cursos de extensão, atualizações regulatórias entre outras capacitações

CONHEÇA AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR PARCEIRAS DO IBRAVAG

01. Universidade de Brasília UnB – Brasília/DF

A parceria com o Ibravag foi assinada em 6 de março de 2024, com a formação do Núcleo de Estudos em Atividades Aeroagrícolas (NEAAgri), resultado do 1º Fórum Nacional de Aviação Agrícola no Planalto Central (Fonavagri) da UnB. Como o termo de cooperação prevê, o NEAAgri desenvolveu a pesquisa Deriva e Faixa de Segurança na Pulverização Aeroagrícola, considerando testes de deposição realizados entre 2018 e 2023. O estudo científico entregue no ano passado está sendo continuado com foco no controle da exoderiva. Ainda, em parceria com profissionais do setor, estão sendo oferecido cursos de extensão e profissionalizantes envolvendo todos as etapas das operações aeroagrícolas, incluindo gestão, na Unb. O NEAAgri está vinculado à Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAV) da UnB, com a coordenação da vice-diretora da FAV/UnB, Maísa Santos Joaquim.

02. ATITUS Educação – Campus Porto Alegre/RS e Passo Fundo/RS

O termo de cooperação foi assinado em fevereiro de 2025, por meio do Agribusiness Partner Program. Válida por quatro anos, a parceria conecta a Escola do Agronegócio da instituição de ensino superior ao setor aeroagrícola para promover a formação profissional, pesquisas aplicadas e a aceleração de startups. O acordo prevê contrapartidas como cursos conjuntos, captação de talentos e eventos no câmpus, visando à produtividade e à sustentabilidade no campo. O diretor da Escola de Agronegócio da Atitus é o professor Deniz Anzillero, graduado em Medicina Veterinária, com mestrado, doutorado e estágio pós-doutorado na área.

03. Universidade Federal de Minas Gerais – Instituto de Ciências Agrárias (UFMG/ICA) Campus Montes Claros/MG

O Termo de Cooperação prevê o fortalecimento do ensino aeroagrícola, englobando o envolvimento do Ibravag nas semanas acadêmicas da Agronomia, a criação da disciplina de Tecnologia de Pulverização Aérea, dentro da Agronomia, e ainda a atuação dos alunos no Congresso Científico da Aviação Agrícola, com apresentação de trabalhos de pesquisa nessa área.

04. Universidade Estadual da Bahia (UNEB) – Salvador/BA

O termo de Cooperação entre Ibravag e o Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais do curso de Engenharia Agronômica foi assinado em novembro do ano passado e já está aprovada a inclusão da disciplina de Aviação Agrícola na grade do curso como optativa. No entanto, há intenção de deixá-la fixa já em 2027. A parceria une ainda a pesquisa acadêmica ao suporte técnico do Ibravag, essencial para a agricultura de precisão. O mestre e doutor em Agronomia Flávio Oliveira é o professor responsável pela nova área de estudo na UNEB.

05. Universidade do Vale do Rio Doce MG – Fundação Percival Farquhar (UNIVALE/FPF) – Governador Valadares/MG

A parceria com o Ibravag firmada em janeiro do ano passado, resultou na formação de um Grupo de Estudos em Atividades Aeroagrícolas, focado no fomento a pesquisas, melhoria do setor e comunicação com a sociedade. O grupo, formado com o apoio do Sindag, deve trabalhar forte também as ações de boas práticas no campo. “A ideia, mais à frente, é inscrever o grupo no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – uma das principais agências de fomento à pesquisa científica e tecnológica no Brasil, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)”, disse o coordenador do curso de Agronomia, Maykon Dias Cezário, que também lidera a iniciativa, que reúne outros professores e estudantes.

06. UFPR – Universidade Federal do Paraná – Curitiba/PR

A parceria entre a instituição de ensino e o Ibravag tem como propósito aproximar os estudantes da tecnologia de aplicação aérea. A primeira ação ocorreu no dia 30 de abril, com uma visita técnica de 32 estudantes da disciplina de Defesa Sanitária Vegetal, do Departamento de Fitotecnia e Fitossanidade, ao Aeroclube de Ponta Grossa. O coordenador da disciplina é o professor Vitor Carvalho, O termo de cooperação também prevê a colocação da disciplina de aviação agrícola na grade curricular do curso de agronomia.

Referência em tecnologia da aplicação assume disciplinas-chave na formação de pilotos

Com as instalações para as aulas presenciais aprovadas e a definição das disciplinas no formato Educação à Distância (Ead), os preparativos para o início das aulas seguem em ritmo acelerado. Os professores já estão em fase de contratação e têm amplo conhecimento da aviação agrícola. Inclusive muitos deles já atuaram no curso de atualização de pilotos do Ibravag. Entre eles, destaque para o professor Wellington Pereira Alencar de Carvalho, que atuou no Cavag quando ocorria ainda na histórica Fazenda Ipanema (atual município de Iperó/SP), onde se concentrava a formação de pilotos agrícolas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) entre 1960 e 1991.

CONHECIMENTO
Professor Wellington de Carvalho apresentará as aeronaves que compõem a frota aeroagrícola brasileira e os diferentes usos da aviação agrícola

Considerado uma das maiores autoridades em tecnologia de aplicação aérea, o engenheiro agrônomo mestre e doutor em Energia Agrícola vai ministrar duas disciplinas do Curso de Formação de Pilotos do Ibravag: Aeronaves Agrícolas – Avião e Usos Especiais da Aviação Agrícola. Dois pilares essenciais para a formação de pilotos de excelência. Como as suas disciplinas serão pelo sistema Ensino à Distância (EaD), diferente das aulas presenciais no Aeroclube de Ponta Grossa, onde também é instrutor, Carvalho destaca a importância de manter os alunos interessados na disciplina. 

Em relação ao tema Aeronaves Agrícolas, adianta que o foco é detalhar a vasta gama de modelos que operam no Brasil, desde o consagrado Ipanema, fabricado pela brasileira Embraer, até os importados como Air Tractor, Thrush, Cessna e Piper. O professor destaca que, independentemente do porte ou potência, o piloto deve dominar os manuais, limitações e checklists de cada modelo.

EFICIÊNCIA

“A disciplina integra fatores críticos que afetam o perfil aerodinâmico e a capacidade operacional da aeronave, tais como: equipamentos embarcados; condições meteorológicas e altitude, densidade do ar e tipos de pista (grama, saibro ou asfalto)”, contextualiza o professor.

Já na disciplina que aborda os usos especiais da aviação agrícola, Carvalho destaca que as missões especiais exigem uma atitude compartilhada e alto rigor técnico. Cita como exemplo o combate a incêndios. “A disciplina também aborda frentes como o controle de vetores e insetos, nucleação e o repovoamento florestal”, explica.

Formação exige visão que vai muito além do manche

O agrônomo Agadir Jhonatan Mossmann também integra o quadro de professores do curso de formação lançado pelo Ibravag. Com larga experiência na área aeroagrícola, o mestre em engenharia agrícola está no comando da disciplina Produção Agropecuária. O conteúdo aborda o trato das culturas, como semeadura, adubação, controle de pragas, doenças e plantas invasoras, controle fitossanitário, produtos químicos agrícolas e a aviação agrícola como fator do aumento da produção de alimentos.

Gestor em segurança operacional e ambiental e instrutor experiente tanto na Academia de Segurança de Voo do Sindag quanto no Curso de Atualização de Pilotos do Ibravag, Mossmann reforça a importância da formação ampliada dos profissionais. “O mercado de aviação agrícola mudou. Se há algumas décadas o papel do piloto era pilotar com precisão cirúrgica a poucos metros do chão, hoje as exigências dos produtores rurais tocam a complexidade da engenharia agronômica”, sinaliza o professor.

CONHECIMENTO
Para Agadir Jhonatan Mossmann, o piloto precisa ter domínio da tecnologia da aplicação, incluindo produtos fitossanitários e mecânica

DOMÍNIO

Segundo ele, o setor não busca apenas quem sabe voar, mas quem entende o que está acontecendo no momento em que as gotas tocam a lavoura. “O piloto precisa saber o que está aplicando. Os profissionais precisam entender a mistura da calda, saber como minimizar a quebra excessiva de gotas ou como funciona o sistema que está usando”, alerta Mossmann.

O especialista destaca que o mercado quer pilotos agrícolas com domínio do equipamento, além do conhecimento dos produtos fitossanitários e mecânico. “Compreender os fatores que influenciam a mistura de calda e saber como o sistema de aplicação se comporta no ar determina o sucesso econômico e a segurança ambiental da lavoura”, pontua.

Complexa legislação que envolve pilotos agrícolas será abordada por Vollbrecht

Com expertise em direito aeronáutico e no setor aeroagrícola, o advogado e consultor jurídico do Sindag/Ibravag desde 2002, Ricardo Vollbrecht, também integra o corpo docente do Curso de Formação de Pilotos do Ibravag. Secretário da Comissão de Direito Aeronáutico da OAB/RS e membro da Comissão de Direito Aeronáutico da OAB/SP, ele abordará dois temas fundamentais para o exercício da profissão de piloto agrícola: Legislação Aeronáutica e Legislação Ambiental Aplicada.

ARCABOUÇO NORMATIVO
Assessor jurídico do Sindag/Ibravag destaca a importância de os profissionais conhecerem as normas da Anac e do Mapa

Vollbrecht destaca que o setor aeroagrícola é um dos mais regulamentados do Brasil, exigindo de seus profissionais um nível de conhecimento jurídico que vai além da aviação comercial tradicional. “O piloto agrícola precisa dominar um duplo arcabouço normativo: as regras aeronáuticas da Anac e as diretrizes operacionais e ambientais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)”, explica o especialista

CENÁRIO JURÍDICO

Mais do que evitar multas e autuações, o advogado ressalta que o objetivo central da legislação é blindar a operação. “Cumprir a regulamentação, em regra, gera mais segurança operacional. As normas levam os operadores a internalizar custos de conformidade para mitigar riscos”, aponta Vollbrecht.

O advogado adianta que as aulas focarão no cenário jurídico atual e nas graves consequências do descumprimento das normas, que podem incluir a suspensão da habilitação do piloto. Reforça ainda que devido à rápida evolução tecnológica no campo,  é vital os pilotos agrícolas manterem-se atualizados para garantir a precisão e a legalidade dos voos.

Especialista em documentação falará sobre normas e fiscalização do Mapa

Ainda na área da regulação, outro nome de peso que está confirmado no elenco de professores do Curso de Formação de Pilotos Agrícolas do Ibravag é o da especialista em Gestão da Documentação Cléria Regina Mossmann. Parceira do Sindag e do Ibravag, a empresária, mestre em Agronegócios e especialista em Gestão, Inovação e Sustentabilidade Aeroagrícola, responde pela disciplina Legislação do Mapa.

Cléria reforça a importância de o piloto agrícola compreender as normatizações e regulações do Ministério da Agricultura e Pecuária que recaem sobre as operações aéreas. “Para isso, no curso, o profissional vai ter acesso a esse arcabouço jurídico que recai sobre a atividade aeroagrícola”, pontua a especialista. Está previsto no conteúdo programático da disciplina a apresentação das normas técnicas e de trabalho até a competência do sistema de fiscalização da aviação agrícola, bem como as penalidades previstas.

CONTEÚDO
Especialista em gestão de documentação, Cléria Mossmann alerta para a importância de os pilotos agrícolas cumprirem as normativas relativas à atividade

“É fundamental que o piloto agrícola observe a legislação em vigor para garantir a qualidade dos serviços e a segurança operacional da aviação agrícola”, reforça Cléria. Isso é muito importante, tendo em vista que como a atividade é altamente regulamentada, há a exigência de preenchimento de relatórios sobre cada operação.

Fatores humanos e saúde no cockpit também estão na base do curso

Além dos conhecimentos técnicos e jurídicos envolvendo a atividade aeroagrícola, o bom condicionamento físico e saúde mental dos pilotos agrícolas são fundamentais para o bom desempenho de suas funções. Assim para decifrar e prevenir esses riscos, o Curso de Formação de Pilotos Agrícolas do Ibravag incluiu em sua grade a disciplina de Medicina da Aviação, com a médica Eduarda Cargnin, e Desempenho Humano, com a psicóloga Clarice Fernandes.

Com forte atuação em Medicina do Trabalho — realizando atendimentos ocupacionais, perícias e treinamentos de primeiros socorros via CliMobile —Eduarda agora expande sua atuação na Medicina da Aviação com foco exclusivo na saúde e segurança dos profissionais do campo. “A medicina da aviação estuda os impactos do ambiente aeronáutico na saúde e na segurança de quem voa”, explica a professora.

CONTEÚDO
Especialista em gestão de documentação, Cléria Mossmann alerta para a importância de os pilotos agrícolas cumprirem as normativas relativas à atividade

EFEITOS FISIOLÓGICOS

Para isso, são investigados os efeitos fisiológicos no corpo, como a fadiga, as alterações provocadas pelo voo, o uso de medicamentos, a saúde mental e a prevenção de acidentes. Conforme Eduarda, a disciplina foi desenhada para se conectar diretamente com a rotina pesada das safras. “O conteúdo será abordado de forma prática e aplicada à realidade da aviação agrícola”, observa.

A metodologia unirá a teoria aeronáutica a situações reais do dia a dia, com foco na Prevenção e promoção da saúde e no Pronto atendimento, incluindo treinamento de primeiros socorros para que o piloto tenha domínio sobre o que fazer frente a uma situação de emergência. “O objetivo final é a promoção da saúde e a garantia da segurança operacional. Entender o próprio corpo e os limites biológicos é tão importante para o piloto agrícola quanto entender o motor do seu avião”, observa a especialista.

O emocional ganha centralidade na formação

“Entre o homem e a máquina, o fator humano é essencial.” A frase da psicóloga, enfermeira e especialista em segurança do trabalho Clarice Schieber Fernandes dita o tom da disciplina Desempenho Humano, que ela ministrará no Curso de Formação de Pilotos Agrícolas do Ibravag. Com 16 horas/aula, a matéria une exigências técnicas da Anac a reflexões profundas da psicologia e psicanálise, abordando gerenciamento de conflitos, comunicação não violenta e tomada de decisão.

Casada com um operador aeroagrícola com 35 safras de experiência e fundadora da Nice Aeroestrada — empresa focada no fator humano no setor —, Clarice destaca uma mudança no perfil dos profissionais. Desde 2025, o avanço tecnológico e acidentes envolvendo pilotos experientes geraram um boom na busca por suporte emocional. “As empresas e os pilotos entendem muito da técnica e do avião, mas não do próprio potencial. Tanto a baixa autoestima quanto o excesso de confiança e autonomia são fatores de risco”, alerta a especialista.

CONSCIÊNCIA
Clarice Fernandes alerta para a necessidade de autoconhecimento dos pilotos agrícolas para driblar a alta pressão

SUPORTE

A disciplina propõe olhar o piloto como um ser integral, equilibrando os campos biológico, psicológico e social. Diante de uma rotina de alta pressão, o objetivo não é eliminar a coragem inerente à profissão, mas fortalecer o autoconhecimento.

Nomes de referência

O corpo de professores conta ainda com a engenheira agrônoma Andréa Brondani da Rocha, doutora em Biologia (Unicamp), com pós-doutorado na Michigan State University, USA, na área de Bioquímica e Fisiologia. Ainda possui mestrado em Fitotecnia (Ufrgs) e especialização em Direito Ambiental Internacional, pela Escola de Filosofia do Direito (Ufrgs). Andréa dará a disciplina de Sustentabilidade.

A disciplina Aspectos Históricos, Econômicos e Estatísticos estará sob o comando do pesquisador e economista, doutor em Administração, Claudio Junior Oliveira Gomes, diretor operacional do Sindag. Ele vem se destacando na análise da conjuntura do setor aeroagrícola.

Outro nome confirmado na grade de professores é o do piloto agrícola Leandro Kemmerich, respeitado instrutor de pilotos, que assume a disciplina Manobras de Voos. Já a disciplina Regulamentos de Tráfego Aéreo está sob a responsabilidade do Aeroclube de Eldorado/RS, que indicará o instrutor. 

SERVIÇO

O quê: Curso de Formação de Pilotos Agrícolas do Ibravag

Quando: A data das turmas será definida após a homologação da Anac

Onde: Modelo híbrido, com aulas à distância (EaD) e presenciais na Atitus Educação (Câmpus Porto Alegre/RS – instalações já foram vistoriadas pela Anac)

Vagas: 40 estudantes por turma

Pré-requisitos exigidos do estudante:

  • Ensino Médio Completo (antigo 2º grau);
  • Idade mínima – 18 anos completos;
  • CHT de PC-A (Certificado de Habilitação Técnica) e PC-A é a licença de Piloto Comercial de Avião emitida pela Anac. Ela é o documento que permite ao piloto exercer a profissão e ser remunerado pelos seus serviços em táxis aéreos, companhias aéreas ou aviação executiva;
  • CMA (Certificado Médico Aeronáutico) de 1ª Classe*;
  • Possuir, no mínimo, 370 horas de voo para que, ao final do curso, tenha atingido o total de 400 horas de voo, das quais 200 horas, no mínimo, sejam como piloto de avião e pelo menos 100 horas sejam como piloto em comando*.

* caso o aluno não possua o CMA válido ou as horas voadas, ele deverá assinar o termo de compromisso referente a essas obrigatoriedades para início da instrução prática.

Ao final do curso, o aluno deverá ser capaz de:

  • Ser aprovado na Banca da Anac;
  • Realizar operações aeroagrícolas em aviões, em conformidade com as normas técnicas, de segurança de voo e de aplicação de produtos químicos;
  • Demonstrar conhecimento, doutrinamento, experiência e perícia na execução de operações agrícolas que envolvam a utilização e a preservação do meio ambiente.

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