ColunaAgadir

Prevenção de acidentes na aviação agrícola durante a safra

Publicado em: 05/02/26, 
às 05:00, 
por IBRAVAG

COMPARTILHE:

WhatsApp
Telegram
X
Facebook
LinkedIn
Pinterest
Agadir Jhonatan Mossmann-OK
Agadir Jhonatan Mossmann

O engenheiro agrônomo, mestre em Engenharia Agrícola pela UFGD, coordenador em aviação agrícola é gestor em segurança operacional e ambiental, além de atuar como instrutor na Academia de Segurança de Voo (Sindag) e no Curso de Atualização de Pilotos (Ibravag).

Os períodos de safra podem ser desafiadores para a aviação agrícola. Nesses momentos, exige-se a completa dedicação e atenção dos profissionais envolvidos para garantir a segurança das operações. A prevenção de acidentes vai muito além do cumprimento das normas. As equipes devem manter o foco na redução máxima das falhas mecânicas, humanas ou estruturais, protegendo passivos ambientais e evitando impactos negativos à reputação do setor.

Encarar a segurança como investimento ético é um fator fundamental para o desenvolvimento de uma cultura organizacional voltada às boas práticas, com disciplina técnica e planejamento, garantindo a continuidade dos negócios, a conformidade regulatória e a credibilidade da aviação agrícola nacional.

Redução de riscos na operação aeroagrícola

Dentre os fatores críticos que precisam ser considerados, destacam-se: voos de baixa altitude e obstáculos (torres, fios, etc.).  Felizmente, é possível mitigar esses perigos ao cumprir as principais recomendações de segurança como o planejamento de rotas seguras, a marcação de obstáculos e a permanência dentro das margens de segurança.

Outro tópico de atenção é o manuseio de defensivos agrícolas. É de suma importância manter, atualizar e seguir protocolos bem definidos. Essa regra vale em todas as etapas da operação, sendo imprescindível o uso de fornecedores confiáveis, o respeito às instruções técnicas de mistura e preparo e o treinamento contínuo da equipe. Além disso, obedecer às normas vigentes para o tratamento e descarte final ajudam a reduzir os riscos de exposição ocupacional e contaminação ambiental.

Falhas técnicas das aeronaves também compõem o quadro de riscos. Segundo o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), manutenções precárias ou a ausência de manutenção rotineira estão entre as principais causas de acidentes. Trata-se de um desafio com o qual cada representante do setor deve se comprometer. É preciso reforçar a importância de inspeções regulares, manter o histórico técnico atualizado e cumprir rigorosamente os planos de manutenção preventiva, especialmente, nos períodos de pré-safra.

Durante os períodos de safra, o ritmo de trabalho é intenso. Por isso, a organização de escalas bem planejadas que permitam descanso adequado aos operadores é fundamental. Elas podem evitar a fadiga dos pilotos e, consequentemente, diminuir os erros de julgamento. Em outras palavras, garantir a plena condição dos operadores é transformar potenciais acidentes em operações de sucesso.

A prática e a legislação

As normas estabelecidas pelos órgãos reguladores, como a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e o Mapa (Ministérios da Agricultura e Pecuária) fornecem o respaldo técnico e jurídico que ajudam a minimizar os riscos. Na rotina do operador, isso se traduz em ações que envolvem desde o cuidado com aeronaves e equipamentos até o uso correto de EPIs (Equipamento de Proteção Individual) e o cumprimento de protocolos de aplicação. Vejamos os principais tópicos.

Os cuidados com aeronaves e equipamentos

Aeronaves e equipamentos de aplicação devem ser submetidos à manutenção preventiva e corretiva planejadas. Entre as exigências do Regulamento Brasileiro da Aviação Civil – RBAC 137 (Anac), o registro técnico completo de cada aeronave deve conter o histórico das inspeções, trocas e verificações. Na prática, o operador deve manter checklists de pré e pós-voo, realizar limpeza e calibração dos bicos a cada jornada e adotar rotinas padronizadas de abastecimento e descontaminação.

Uso correto de EPIs

A segurança do piloto e da equipe de solo começa pelo uso adequado dos EPIs. Máscaras com filtro químico, luvas e aventais impermeáveis, óculos de proteção e botas antiderrapantes são indispensáveis. Treinamentos práticos reforçam o ajuste correto, os limites de proteção e os cuidados de higienização e armazenamento. De acordo com a Norma Regulamentadora nº 31 (NR-31), que trata da segurança e saúde no trabalho rural, os equipamentos de proteção adequados devem ser fornecidos aos profissionais, bem como orientação e treinamento quanto ao seu uso e conservação.

Infraestrutura de pistas e áreas de apoio

Uma pista bem estruturada é condição básica de segurança. Deve ter nivelamento, compactação e drenagem eficientes, além de manter sinalização visível e livre de obstáculos. Com relação ao pátio de descontaminação, deve ser impermeabilizado, com sistema de contenção de efluentes e descarte correto dos resíduos. Essas exigências estão em conformidade com o RBAC nº 137, da Anac, que estabelece os requisitos para operações aeroagrícolas. Além disso, o Decreto nº 86.765/1981, do Mapa, que regulamenta a aviação agrícola no Brasil, reforça a obrigatoriedade de instalações apropriadas para abastecimento, lavagem e descontaminação das aeronaves.

Fatores humanos e organizacionais

O fator humano é decisivo na prevenção. Fadiga, pressa e excesso de confiança são aspectos que precisam ser observados. A gestão deve adotar escalas realistas, definir critérios de voo e garantir briefings com informações sobre clima, rota e carga.

Uma liderança proativa incentiva pilotos e equipes a reportarem desvios e situações inseguras, permitindo que as falhas sejam corrigidas antes que se tornem acidentes, alinhando-se com as diretrizes de Gerenciamento de Risco Operacional (GRO) estabelecidas pela Anac por meio do RBAC nº 137 que incentiva a implementação de políticas de prevenção.

A capacitação contínua

O RBAC nº 137, da Anac, determina a obrigatoriedade de treinamento inicial e periódico para pilotos e pessoal de apoio envolvidos em operações aeroagrícolas.

Assim, cursos de aperfeiçoamento técnico devem ser contínuos, apoiados por simulações de emergência. Esse conjunto se configura como um fator crucial para a redução permitindo respostas rápidas durante possíveis ocorrências.

Normas, regulamentações e registros de ocorrências

A conformidade regulatória envolve normas da Anac, Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), Mapa e Ibama. O cumprimento do RBAC 137 e a emissão do Cadastro de Aeroagrícola (CDAG) asseguram regularidade técnica e jurídica. Além disso, as normas da Anac/Comaer (Comando Aéreo) orientam o registro e reporte de ocorrências, promovendo melhoria contínua e redução de riscos.

Conclusão

Lembramos que existem outras normas e práticas que não foram citadas aqui, cabendo a cada profissional buscar informações para garantir o melhor preparo possível a fim de evitar acidentes.

A segurança na aviação agrícola é resultado direto da integração entre conhecimento técnico, responsabilidade operacional e compromisso ético. Durante a safra é preciso investir em prevenção, criando uma cultura sólida de segurança. Trata-se de uma postura profissional orientada pela sustentabilidade, valorização da vida e proteção do meio ambiente. Assim, a aviação agrícola brasileira reafirma seu papel estratégico no agronegócio, demonstrando que produtividade e segurança são metas quando há planejamento e respeito à legislação vigente.

Referências

Anac. Guia de Boas Práticas para Operações Aeroagrícolas. 1a ed. 2023.

Revista AvAg. Aviação Agrícola elege 2025 o Ano da Segurança. Ibravag, abr. 2025.

Revista AvAg. Safra 2025/2026 exige preparo estratégico de aeroagrícolas. Ibravag, out. 2025.

Cenipa. In-Flights breakups na Aviação Agrícola. Estudo de Segurança de Voo 2024. Sindag, jan. 2025.

Gomes, C. J. O. Análise das ocorrências aeronáuticas na aviação agrícola do Brasil de aviões e helicopteros 2024. Sindag, jan. 2024.

Sindag. Guia para Aplicação Aérea Segura. 2022.

Sindag. Cartilha Proteção a vidas e safras: um compromisso da Aviação Agrícola. 2025.

COMPARTILHE:

WhatsApp
Telegram
X
Facebook
LinkedIn
Natal 2025_web

Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes.