Presidente do Ibravag
O mundo reconhece a força do agro brasileiro. A diversidade produtiva, a escala incomparável e a qualidade que entregamos fazem do Brasil um dos pilares da segurança alimentar global. Mas, apesar de toda a tecnologia embarcada, do profundo conhecimento técnico e das práticas sociais e ambientais que evoluem ano após ano, o campo vive um momento de tensão. E não se trata apenas dos efeitos adversos do clima.
A macroeconomia global está redesenhando fronteiras e introduzindo novos competidores em mercados antes consolidados. Países que até pouco tempo atrás eram meros coadjuvantes agora ampliam sua presença internacional, pressionando preços, alterando fluxos comerciais e exigindo respostas rápidas em eficiência e estratégia.
No Brasil, o cenário se agrava com as políticas interna e externa do governo. A falta de recursos e de financiamentos, sem ao menos algum plano consistente de recuperação a médio e longo prazo que valorize o campo — setor que, segundo estimativa da CNA/CEPEA, deve responder por 29,4% do PIB brasileiro neste ano e representou 49,5% de tudo o que o país exportou no primeiro semestre (Mapa/2025) — tensiona ainda mais o agronegócio. Isso, somado à insegurança jurídica e tributária, traz incertezas a toda a cadeia do agro, formando um conjunto que limita investimentos, trava a expansão e reduz a capacidade de planejamento do produtor.
Nesse contexto tenso, a aviação agrícola reafirma sua relevância na prestação de serviços e na sua terceirização pelos produtores como solução tecnológica e de fluxo de caixa, tornando-se ainda mais essencial quando cada janela de aplicação pode determinar a diferença entre prejuízo e rentabilidade. A aviação não é apenas uma ferramenta operacional: é parte estratégica de um agro que precisa ser resiliente, competitivo e preparado para responder a mudanças repentinas.
Pensando em contribuir com produtores rurais e aeroagrícolas neste momento de caixa apertado, o Instituto Brasileiro da Aviação Agrícola (Ibravag) está desenvolvendo campanhas de orientação. Entre elas, a de prevenção de acidentes — que contou com o lançamento do Guia de Segurança de Voo na Aviação Agrícola. Também será lançado ainda neste mês de dezembro o Guia de Orientação Jurídica, para estimular os operadores a manterem a documentação em dia. A ideia é evitar acidentes e multas, despesas que certamente impactam as empresas.
Como sempre, as operadoras aeroagrícolas são parceiras dos produtores rurais no enfrentamento dos desafios e continuarão sendo nesta safra 2025/2026, que se iniciou em um cenário conturbado. Fica a certeza de que, mais uma vez, passaremos por esse momento de turbulência com sucesso. Desejamos que o novo ano traga boas soluções.
Feliz 2026!





